Imunonutrição ganha espaço e mostra como o prato pode influenciar a imunidade

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Comer bem “para aumentar a imunidade” é um conselho comum, mas a ciência por trás do tema é mais complexa do que parece. A chamada imunonutrição, área que investiga como nutrientes interferem na resposta do sistema imune, tem avançado e colocado a alimentação no centro da discussão sobre inflamação e saúde a longo prazo.

O médico nutrólogo e do esporte Leonardo Anhesini explica que o sistema imunológico está entre os que mais demandam energia no corpo. “Se a matéria-prima não chega, a defesa cai”, afirma. Na prática, isso significa que a qualidade do que vai ao prato pode influenciar a capacidade do organismo de reagir e se regular.

Embora a alimentação não seja uma “cura” isolada, ela pode atuar como um modulador: ajudar o corpo a controlar processos inflamatórios ou, ao contrário, manter um estado de alerta constante que favorece o adoecimento.

Inflamação: quando a defesa vira problema

A inflamação é uma resposta natural do organismo para se proteger, mas pode se tornar prejudicial quando se instala de forma crônica, em baixa intensidade, por longos períodos. Nesse cenário, padrões alimentares fazem diferença.

Dietas com excesso de ultraprocessados, açúcar e gorduras de baixa qualidade tendem a sustentar uma inflamação persistente. Anhesini compara esse efeito a “um alarme de incêndio que nunca desliga”, alertando que o corpo permanece em estado de vigilância sem necessidade.

Do outro lado, padrões alimentares como a dieta mediterrânea — com mais vegetais, azeite, castanhas e peixes — estão associados a uma melhor regulação inflamatória, justamente por oferecerem nutrientes que participam desses mecanismos de controle.

Essa inflamação silenciosa aparece como parte do pano de fundo de condições como artrite, doenças inflamatórias intestinais, psoríase e obesidade, além de estar relacionada a alguns tipos de câncer. A ideia não é prometer efeitos imediatos, mas entender que, ao longo do tempo, a constância das escolhas alimentares pode influenciar o curso desses processos.

Foto: Freepik.

O intestino no centro da relação entre comida e defesa

Um dos principais caminhos dessa conexão passa pelo intestino. A microbiota intestinal — conjunto de bactérias que vivem no trato digestivo — responde diretamente ao padrão alimentar. Em geral, fibras e compostos chamados prebióticos ajudam a “alimentar” bactérias benéficas, que produzem substâncias ligadas à regulação do sistema imune.

Um intestino com maior diversidade microbiana tende a responder melhor. Já uma microbiota empobrecida por consumo frequente de industrializados, uso repetido de antibióticos e estresse crônico pode ter o efeito oposto, com pior equilíbrio inflamatório.

O que colocar em prática no dia a dia

Sem fórmulas milagrosas, algumas estratégias simples ajudam a apoiar o funcionamento dessa engrenagem, segundo o especialista:

  • · Variar os vegetais: quanto mais cores no prato, maior a diversidade de compostos bioativos. Folhas escuras, cenoura, tomate, brócolis, cebola e alho são exemplos de opções com perfis diferentes.
  • · Incluir gorduras de boa qualidade: azeite extravirgem, castanhas, abacate e peixes como sardinha e atum entram como fontes importantes para moléculas envolvidas no controle da inflamação.
  • · Priorizar fibras: aveia, feijão, lentilha, frutas com casca, chia e linhaça ajudam a sustentar bactérias benéficas no intestino.
  • · Reduzir ultraprocessados e açúcar refinado: o consumo ocasional pode acontecer, mas transformar isso em padrão tende a favorecer a inflamação crônica.
  • · Manter o básico do estilo de vida: sono adequado, atividade física e hidratação seguem relevantes. “Nenhum nutriente isolado compensa um estilo de vida desregulado”, destaca Anhesini.

Com o campo em expansão, a tendência é que a imunonutrição ganhe ainda mais espaço dentro da medicina personalizada, olhando para o conjunto: alimentação, rotina e características individuais. “Cada organismo responde de um jeito”, ressalta o médico, ao defender que ajustes podem ser mais eficazes quando feitos com avaliação individualizada.

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