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Notificações sem parar estão roubando seu foco e aumentando o estresse

Smartphone vibrando, e-mail chegando, mensagem aparecendo na tela e mais um vídeo curto “só para relaxar”. No meio desse bombardeio, cresce a sensação de que ficou mais difícil manter a atenção e concluir tarefas. Para o médico Pedro Julien Salvarani Borges, trata-se de um cenário cada vez mais comum: “Vivemos em uma era de hiperestimulação constante” e o resultado é “uma epidemia de distração”.

Segundo ele, essa dificuldade não é “mero capricho”. A perda de foco tem impacto direto na rotina, com “queda de produtividade, aumento do estresse e a frustração de ver tarefas e projetos ficarem inacabados”.

O custo invisível das interrupções e da multitarefa

Embora alguns números populares sobre atenção sejam questionáveis, pesquisas citadas no artigo indicam que o tempo de concentração vem diminuindo. O texto lembra um achado da psicóloga Gloria Mark: o tempo médio em que uma pessoa consegue se manter concentrada em uma tela teria caído de cerca de 2 minutos e meio, em 2004, para 47 segundos atualmente.

E o problema não termina quando a interrupção passa. “Quando algo nos interrompe, nosso cérebro pode levar em média 25 minutos para retomar a tarefa original com pleno foco”, escreve o médico. Em outras palavras: cada notificação pode ter um custo mental bem maior do que parece.

O artigo também aponta a sobrecarga diária de alertas digitais. Há estudos observando dezenas de checagens de e-mail por dia e um volume alto de notificações no celular. “Cada alerta sonoro ou visual no dispositivo é uma tentação para desviar a atenção”, afirma. Até mesmo deixar o aparelho por perto, sem usar, pode competir com a tarefa principal e reduzir a capacidade cognitiva disponível.

Outro ponto central é a crença de que dá para fazer várias coisas ao mesmo tempo. O texto é direto: “Do ponto de vista neurológico, não conseguimos prestar atenção plena em duas tarefas simultaneamente.” Em vez disso, o cérebro alterna rapidamente entre atividades, o que aumenta erros e derruba o rendimento. O artigo cita pesquisas que apontam que multitarefar pode reduzir a produtividade em até 40%.

Foto: Freepik.

Quando tudo fica pela metade, a cabeça não descansa

Com a atenção fragmentada, tarefas começam a se acumular. O médico descreve um efeito psicológico importante: “Nosso cérebro mantém as tarefas incompletas em aberto na memória de curto prazo, sinalizando que há algo pendente a resolver.”

O resultado, segundo o texto, é um estado de inquietação mental, com “ansiedade e sobrecarga”, a sensação de estar sempre ocupado e, ao mesmo tempo, ver pouco avanço. A frustração pode virar um ciclo: quanto mais pendências, mais estresse; quanto mais estresse, mais difícil fica manter o foco para concluir algo.

Como retomar o controle da atenção

O artigo defende que é possível “retreinar o foco e recuperar a presença mental com mudanças de hábito e intervenções adequadas”. Entre as estratégias citadas, estão:

  • · Mindfulness (atenção plena): práticas regulares podem ajudar a resistir a distrações; o texto menciona estudos que associam a técnica a melhora de concentração e redução de estresse.
  • · Uma tarefa por vez e pausas programadas: a “monotarefa” e métodos como a Técnica Pomodoro (ciclos de foco e intervalos) podem proteger a atenção e reduzir a exaustão mental.
  • · Higiene digital: desligar notificações não essenciais, definir horários para checar mensagens e e-mails e manter o celular fora do campo de visão durante atividades que exigem concentração.
  • · Cuidados básicos de saúde: sono, alimentação e exercício físico influenciam diretamente a capacidade de concentração; o texto destaca que atividade aeróbica pode gerar “janelas de 2 a 3 horas de maior clareza mental após cada sessão”.
  • · Organização e metas realistas: dividir tarefas grandes em etapas menores e priorizar o essencial ajuda a “fechar ciclos” e diminuir a ansiedade das pendências.

O médico também alerta que nem toda desatenção se explica apenas pelo estilo de vida. “Em alguns casos pode haver condições clínicas envolvidas”, como TDAH, ansiedade ou depressão. Se o problema for persistente e atrapalhar trabalho, estudos e relações, a orientação é buscar avaliação profissional.

Ao fim, a mensagem é pragmática: em um mundo desenhado para interromper, recuperar o foco é uma habilidade treinável. E, para muitos, começa com pequenas mudanças na rotina.

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