Pixinguinha: O maestro da alma brasileira e o pai do choro

Novabrasil
Novabrasil
Somos uma emissora que privilegia a MPB como alicerce de nossa programação, creditando ao estilo musical sua devida importância como um dos maiores patrimônios brasileiros. Nos colocamos como uma solução multiplataforma que foca em conteúdo para engajar a audiência e aproximá-las de maneira relevante e pertinente das marcas. A Novabrasil faz parte do Grupo Thathi, conglomerado de comunicação que conta com o Portal TH+, além de emissoras de rádio e televisão em mais de 400 cidades de várias regiões do país.

Alfredo da Rocha Viana Filho, o Pixinguinha, é amplamente considerado o arquiteto fundamental da música popular brasileira. Se o Brasil possui uma identidade sonora que é reconhecida em qualquer lugar do mundo, isso se deve em grande parte à caneta e ao sopro desse homem genial.

Nascido no final do século XIX, Pixinguinha cresceu em uma casa que era um ponto de encontro para os grandes músicos da época, absorvendo desde cedo a essência das rodas de choro. No entanto, seu diferencial foi a capacidade de organizar essa intuição popular com um rigor técnico erudito.

Pixinguinha arranjador

Ele não foi apenas um exímio flautista e saxofonista; ele foi o arranjador que definiu como os instrumentos brasileiros deveriam dialogar entre si. Ao fundar o grupo “Os Oito Batutas”, Pixinguinha levou o choro das esquinas para os salões da elite e, posteriormente, para o mundo, provando que a música negra urbana do Rio de Janeiro possuía uma sofisticação inigualável.

A viagem dos Oito Batutas a Paris em 1922 é um episódio central na história da música negra global. Em uma época em que o racismo científico tentava provar a inferioridade do povo negro, Pixinguinha e seus companheiros foram aplaudidos na Europa como gênios da vanguarda.

Lá, ele teve contato com o jazz e as big bands americanas, o que influenciou sua decisão de adotar o saxofone e aprimorar seus arranjos orquestrais. Ao retornar ao Brasil, Pixinguinha tornou-se o maestro das primeiras grandes gravadoras, como a Victor, onde estruturou o som que hoje identificamos como o samba clássico.

Ele inventou o “contra-canto”, aquela melodia secundária que responde ao cantor, dando à música brasileira uma profundidade polifônica que antes não existia. Pixinguinha foi o mestre que ensinou o Brasil a ouvir a si mesmo com orgulho e técnica.

A importância de Pixinguinha vai além das partituras; ela reside na sua postura como um homem negro em uma sociedade profundamente desigual. Ele ocupou cargos de liderança musical e técnica em um período em que a cidadania negra ainda era constantemente questionada.

Sua composição mais famosa, “Carinhoso”, demorou anos para ser aceita pelos tradicionalistas porque era considerada “moderna demais” ou “americanizada”, devido à sua estrutura harmônica inovadora. Pixinguinha estava décadas à frente de seu tempo.

Confira abaixo:

Ele provou que a erudição não está apenas nos livros, mas na sensibilidade de quem consegue transformar o lamento do subúrbio em uma sinfonia popular. Sua generosidade era lendária; ele acolhia todos em sua casa em Ramos, transformando seu cotidiano em uma extensão permanente de sua arte, onde o samba e a amizade eram as moedas de troca.

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS