Pé diabético: pequenos ferimentos podem virar infecções graves e até amputação

Um corte ao aparar as unhas, uma bolha causada por sapato apertado ou uma rachadura no calcanhar podem parecer problemas pequenos. Para quem vive com diabetes, porém, essas lesões podem evoluir rapidamente e se transformar em infecções graves. A cirurgiã vascular Andréa Klepacz explica que o chamado “pé diabético” está entre as complicações mais temidas da doença, mas também é uma das que mais podem ser prevenidas com cuidados básicos e acompanhamento regular.

O risco aumenta, sobretudo, quando duas alterações comuns ao longo dos anos de diabetes se juntam: a neuropatia, que reduz a sensibilidade nos pés, e a doença vascular, que prejudica a circulação. “A lesão pode não doer, passar despercebida e ainda ter dificuldade de cicatrização por falta de sangue chegando adequadamente ao local”, alerta a médica.

Na prática, isso significa que um machucado simples pode continuar sendo pressionado pelo calçado, sofrer atrito repetido e se aprofundar, enquanto o organismo tem mais dificuldade para combater bactérias e reparar o tecido.

Foto: Reprodução/Brazil Health

Por que o problema aparece

Com o tempo, o excesso de glicose no sangue pode danificar nervos periféricos, especialmente nos membros inferiores. Essa alteração diminui a capacidade de perceber dor, calor e pequenos traumas. “Muita gente só nota que algo está errado quando a ferida já piorou ou quando surge infecção”, afirma Klepacz.

Ao mesmo tempo, o diabetes favorece alterações nas artérias e na microcirculação, reduzindo o fluxo de sangue para os pés. Sem boa irrigação, a cicatrização fica mais lenta e a defesa contra infecções tende a ser menos eficiente, criando um cenário em que o machucado não chama atenção e não melhora.

Sinais de alerta: quando procurar ajuda

Feridas que não cicatrizam em poucos dias são um dos sinais mais importantes, mas há outros que merecem atenção imediata. Mudanças na cor da pele, áreas mais frias que o restante do pé, inchaço, vermelhidão localizada, secreção, mau cheiro e escurecimento de dedos podem indicar complicações e exigem avaliação profissional.

Sintomas de perda de sensibilidade também não devem ser ignorados, mesmo quando não há lesões visíveis. Formigamento, dormência ou sensação de “pé anestesiado” podem indicar neuropatia e aumentar o risco de feridas “silenciosas”. “Relatar esses sinais ao médico é fundamental para identificar o risco antes que apareça uma ferida”, destaca a especialista.

Cuidados que ajudam a prevenir

A prevenção do pé diabético passa por hábitos simples no dia a dia e por controle rigoroso da glicemia. Entre as medidas recomendadas estão:

  • examinar os pés todos os dias, inclusive entre os dedos;
  • manter a pele hidratada para evitar rachaduras;
  • cortar as unhas com cuidado para não provocar ferimentos;
  • usar calçados confortáveis e que não apertem;
  • evitar andar descalço, inclusive dentro de casa.

O acompanhamento de rotina também faz diferença para detectar alterações neurológicas e vasculares precocemente. Em pessoas com maior risco, exames para avaliar a circulação podem orientar condutas antes do surgimento de feridas. “Identificar cedo alterações na sensibilidade e no fluxo sanguíneo muda o rumo do problema”, diz Klepacz.

Se uma lesão aparecer, o tempo é decisivo. Tratamento local, antibióticos quando indicados, ajuste do controle metabólico e, em alguns casos, procedimentos para melhorar a circulação podem evitar a progressão da infecção e reduzir o risco de amputação.

Para quem tem diabetes, a orientação é clara: pequenos machucados nos pés não devem ser minimizados. Atenção diária, prevenção contínua e busca rápida por avaliação médica são medidas-chave para preservar a mobilidade e a qualidade de vida.

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