Basta a temperatura cair para muita gente perceber um efeito colateral incômodo do inverno: a ida ao banheiro fica mais frequente, inclusive durante a madrugada. A explicação está em uma resposta automática do organismo ao frio, conhecida como diurese do frio.
O urologista Marcos Tobias Machado explica que o corpo entra em “modo de economia de calor” quando a temperatura baixa. “Para evitar perda de calor, os vasos sanguíneos da pele e das extremidades se contraem, e isso muda a distribuição do sangue no organismo”, afirma.
Com mais sangue circulando nas regiões centrais, os rins interpretam que há um volume maior de líquido disponível. A reação é eliminar parte desse excesso por meio da urina, aumentando a vontade de fazer xixi.

O que muda no organismo nos dias frios
Além da redistribuição da circulação, outro fator pesa no inverno: a redução do suor. Como o corpo transpira menos, acaba perdendo menos água pela pele, sobrando mais líquido para ser excretado pelos rins.
Há ainda um empurrão extra dado por hábitos típicos da estação. Bebidas como café e chás, e o consumo de álcool, podem ter efeito diurético em diferentes graus, estimulando ainda mais a produção de urina.
Em idosos, a situação costuma ser mais perceptível. Alterações naturais do envelhecimento, somadas a problemas urinários pré-existentes, podem intensificar o número de micções durante o frio.
No caso de homens com aumento benigno da próstata, por exemplo, a piora pode aparecer sobretudo à noite. “É comum o paciente relatar que passa a acordar mais vezes para urinar no inverno”, destaca o especialista.
Quando o aumento do xixi pode ser sinal de problema
Apesar de ser, na maioria das vezes, uma reação normal, o aumento da frequência urinária merece atenção quando vem acompanhado de sintomas. Machado alerta que alguns sinais não devem ser ignorados.
- ardor ou dor ao urinar
- sangue na urina
- dificuldade para segurar o xixi
- sensação de bexiga sempre “cheia” ou esvaziamento incompleto
- febre
- sede excessiva
Nesses casos, o que parece apenas efeito do frio pode estar relacionado a infecção urinária, diabetes, bexiga hiperativa, cálculos renais ou alterações da próstata.
Outro ponto de atenção no inverno é a hidratação. Com menos sede, muita gente passa a beber pouca água, o que pode favorecer desidratação e aumentar o risco de pedra nos rins e infecções urinárias.
Hidratação também é cuidado de inverno
Mesmo sem calor intenso, o corpo continua precisando de líquidos para manter o bom funcionamento dos rins e do sistema urinário. Uma forma simples de observar se a hidratação está adequada é olhar a cor da urina: tons mais claros, próximos ao amarelo-palha, geralmente indicam boa ingestão de água.
Já urina muito escura, com cheiro forte, além de cansaço, podem ser sinais de que está faltando líquido no dia a dia.
No geral, urinar mais no frio é uma resposta do organismo para manter o equilíbrio térmico. Ainda assim, se o aumento das idas ao banheiro vier com desconforto, sinais de alerta ou atrapalhar a rotina, a orientação é buscar avaliação médica.


