Quando devemos começar a cuidar do coração? Aos 20, 30 ou 40 anos? A resposta é: desde cedo. Alimentação, atividade física, sono, peso e exposição ao tabaco influenciam a saúde cardiovascular ao longo da vida.
Pressão alta, alterações do colesterol e da glicemia e excesso de peso também podem surgir em pessoas jovens e permanecer por anos sem sintomas.
Coração, rins e metabolismo
A American Heart Association (AHA) propõe uma abordagem integrada da saúde cardiovascular, renal e metabólica por meio do conceito de síndrome cardiovascular-renal-metabólica (CKM).
Obesidade, hipertensão, diabetes, doença renal e doença cardiovascular estão relacionadas e podem ocorrer no mesmo paciente. A CKM é classificada em cinco estágios, de 0 a 4.
O estágio 0 corresponde à ausência de fatores de risco CKM. No estágio 1, há excesso ou disfunção do tecido adiposo. O estágio 2 inclui fatores de risco metabólicos e/ou doença renal. No estágio 3, há doença cardiovascular subclínica ou equivalente de risco. O estágio 4 corresponde à doença cardiovascular clínica estabelecida.
O que acompanhar ao longo da vida?
A American Heart Association reúne no Life’s Essential 8 oito componentes relacionados à saúde cardiovascular:
- alimentação;
- atividade física;
- tabagismo;
- sono;
- peso;
- colesterol;
- glicemia;
- pressão arterial.
A avaliação da função renal também faz parte da abordagem CKM, principalmente na presença de hipertensão, diabetes e outros fatores de risco.
E por que falar sobre isso agora?
No dia 20 de agosto de 2026, a American Heart Association divulgou em seu site dados de uma pesquisa realizada com 1.283 adultos jovens, com média de 23 anos.
Segundo a divulgação da AHA, quase oito em cada dez participantes preenchiam critérios para os estágios 1 a 3 da síndrome CKM.
Os participantes em estágios mais avançados apresentaram piores resultados no Life’s Essential 8 e sinais precoces de lesão arterial, incluindo maior espessura da parede das carótidas. Esses números não significam que oito em cada dez jovens tenham síndrome CKM.
A própria divulgação informa que o estudo é transversal e, portanto, mostra associações, sem estabelecer relação de causa e efeito. A população estudada também incluiu intencionalmente muitos participantes de contextos socioeconômicos desfavorecidos, o que limita a generalização dos resultados para todos os adultos jovens.
Então, quando começar a cuidar do coração?
Desde a infância. Hábitos saudáveis começam cedo. Muitos fatores de risco cardiovascular têm evolução progressiva e podem permanecer por anos sem sintomas.
Pressão arterial, glicemia, colesterol, peso e função renal devem ser avaliados ao longo da vida, considerando idade, antecedentes familiares e fatores de risco individuais. A prevenção cardiovascular começa cedo.

