Relacionamentos com inteligência artificial: solução contra a solidão ou ameaça invisível?

Novabrasil
Novabrasil
Somos uma emissora que privilegia a MPB como alicerce de nossa programação, creditando ao estilo musical sua devida importância como um dos maiores patrimônios brasileiros. Nos colocamos como uma solução multiplataforma que foca em conteúdo para engajar a audiência e aproximá-las de maneira relevante e pertinente das marcas. A Novabrasil faz parte do Grupo Thathi, conglomerado de comunicação que conta com o Portal TH+, além de emissoras de rádio e televisão em mais de 400 cidades de várias regiões do país.

A convivência com a inteligência artificial (IA) está se tornando parte do cotidiano e levanta uma pergunta essencial: relações com tecnologia aliviam ou aumentam a solidão? Para o psicanalista Genaldo Vargas, tudo depende da maneira como usamos essas ferramentas. “A revolução digital transformou profundamente o cenário cognitivo”, destaca o especialista, lembrando que as conexões virtuais jamais devem substituir os laços humanos reais.

O excesso de tempo diante das máquinas, segundo Vargas, já levou à perda do prazer nas experiências presenciais. Ao mesmo tempo, a IA pode ser aliada no combate ao isolamento, especialmente para quem enfrenta fobias sociais ou limitações físicas.

Relação entre tecnologia e saúde mental: benefícios e riscos

Entre as vantagens proporcionadas pela IA e pelo ambiente virtual, Genaldo Vargas aponta:

· Acessibilidade a pessoas com fobia social ou dificuldades de locomoção

· Conexão e entretenimento em redes e fóruns

· Aprendizado colaborativo com grupos virtuais

· Apoio emocional oferecido por assistentes virtuais em momentos de crise

Ele também lembra que, durante a pandemia, as interações digitais mostraram seu valor ao reduzir a necessidade de deslocamentos e facilitar o acesso a serviços, além de diminuir riscos para a saúde.

No entanto, o uso excessivo da IA e dos ambientes digitais pode trazer consequências importantes. De acordo com o especialista, há o perigo do isolamento, vícios, e perda da empatia. “O cérebro humano evolui devagar — e não está preparado para lidar com tantas transformações em tão pouco tempo”, ressalta Vargas. O excesso de opções digitais, afirma, gera ansiedade, insegurança e frustração, principalmente nos mais jovens, que também vêm demonstrando dificuldades crescentes em estabelecer vínculos afetivos e lidar com a espera nas relações interpessoais.

A neurobiologia do afeto e o desafio dos vínculos virtuais

A formação dos vínculos afetivos acontece desde muito cedo, guiada por hormônios como dopamina e ocitocina, conforme destaca o psicanalista. “A qualidade desses vínculos influencia amizades, relacionamentos românticos e a saúde física e mental”, explica. Relações duradouras e saudáveis são fonte de bem-estar e proteção emocional, enquanto o isolamento social pode ser prejudicial ao corpo e à mente — um padrão que pode atravessar gerações.

Apesar dos desafios impostos pela tecnologia, o cérebro humano possui grande capacidade de adaptação. “Vínculos positivos posteriores podem reparar traumas e ausências emocionais precoces. Somos capazes de manter vínculos mesmo na ausência, por meio da memória, do simbolismo e da subjetividade”, diz Vargas.

Foto: Divulgação.

A psicanálise é fundamental para compreender como cada pessoa desenvolve mecanismos de defesa diante de frustrações e relações interrompidas, e pode abrir caminho para novos modelos de interação em tempos digitais. Como questiona o psicanalista, ainda não sabemos exatamente quais efeitos as novas mídias terão sobre nossa saúde mental, mas é fundamental compreender o que é saudável e terapêutico nessas relações virtuais.

Genaldo Vargas também faz referência a Ruth Feldman para enfatizar que compreender os vínculos humanos exige uma abordagem multidisciplinar: “Para compreender o amor humano e os vínculos que nos curam, é preciso unir ciência, filosofia e arte.”

O artigo termina com a célebre frase de Nise da Silveira, ressaltando o poder curativo das relações humanas: “O que cura é o contato afetivo de outra pessoa. O que cura é a alegria. O que cura é a falta de preconceito.”

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS