Saudade que cura: como memórias afetivas podem ajudar a aliviar a depressão

Novabrasil
Novabrasil
Somos uma emissora que privilegia a MPB como alicerce de nossa programação, creditando ao estilo musical sua devida importância como um dos maiores patrimônios brasileiros. Nos colocamos como uma solução multiplataforma que foca em conteúdo para engajar a audiência e aproximá-las de maneira relevante e pertinente das marcas. A Novabrasil faz parte do Grupo Thathi, conglomerado de comunicação que conta com o Portal TH+, além de emissoras de rádio e televisão em mais de 400 cidades de várias regiões do país.

Embora frequentemente associada à dor da ausência, a saudade pode representar um valioso recurso terapêutico na reconstrução do bem-estar emocional. É o que mostra a psicóloga clínica e doutora em psicologia Dorli Kamkhagi, colaboradora do Instituto de Psiquiatria da FMUSP. Segundo ela, memórias afetivas — especialmente aquelas ligadas à infância, ao cuidado e às experiências positivas — ajudam a construir a base emocional que sustenta a saúde mental ao longo da vida.

A formação emocional começa no colo

Logo após o nascimento, o bebê depende totalmente do outro para sobreviver. O pediatra e psicanalista Donald Winnicott chamava esse cuidado de holding — a capacidade de a mãe ou cuidador conter, acolher e dar sentido às angústias do bebê. Quando esse vínculo inicial é seguro, cria-se uma matriz de afeto e proteção emocional que servirá como referência nas futuras relações.

A saudade, nesse contexto, é mais do que uma lembrança nostálgica: é uma evocação do ambiente emocional que nos nutriu. Reviver essas memórias, especialmente em momentos de sofrimento psíquico, pode ser uma forma de reconstituir o “colo” emocional e restaurar a sensação de pertencimento.

Luto, melancolia e o papel da saudade

Sigmund Freud diferenciava o luto saudável da melancolia. No primeiro, a perda é dolorosa, mas possível de ser elaborada com o tempo e com o apoio das boas lembranças. Já na melancolia, o enlutado se funde tanto com a figura perdida que passa a sentir como se parte de si também tivesse desaparecido.

Nesse processo, a saudade pode ser uma ponte — um meio de reorganizar o afeto, revisitar o passado com ternura e encontrar novos significados. O reencontro com memórias calorosas, como um cheiro de infância ou uma música marcante, pode ser terapêutico e trazer alívio ao sofrimento emocional.

Foto: Divulgação.

Resgatar histórias, afetos e raízes

As lembranças de amigos distantes, lugares especiais, festas antigas e tradições familiares têm um efeito organizador na psique. Elas ajudam a estruturar a identidade e a promover o equilíbrio emocional. No consultório, é comum que memórias aparentemente simples — como o sabor de um doce feito pela avó — desencadeiem processos profundos de cura e reconhecimento interior.

“Talvez seja preciso reaprender a sentir saudades”, sugere Dorli Kamkhagi. “Tratar a saudade como uma força de reconexão, e não apenas como dor.” Nesse resgate simbólico, pode estar a chave para aliviar sintomas depressivos e promover uma reconexão com a própria história.

Longe de ser apenas ausência, a saudade pode ser presença — e, com ela, o começo de um reencontro consigo mesmo.

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS