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Saúde mental vira prioridade nas empresas e muda regras do jogo no Brasil

“A saúde mental deixou de ser tema periférico para ganhar centralidade absoluta nas decisões corporativas”, afirma o psicoterapeuta Diego Wildberger. A avaliação do especialista ecoa números da OMS: mais de 1 bilhão de pessoas convivem com transtornos como ansiedade e depressão, e 12 bilhões de dias de trabalho são perdidos por ano no mundo.

No Brasil, o quadro é ainda mais agudo. Dados do INSS indicam que 2024 registrou mais de 440 mil afastamentos por transtornos mentais e comportamentais, o maior número da série histórica. A International Stress Management Association aponta o país como o segundo do mundo em incidência de burnout, com sinais de esgotamento emocional em cerca de 30% dos trabalhadores.

Riscos do trabalho que adoecem a mente entram no radar

Metas agressivas, ritmo acelerado, excesso de estímulos, múltiplas demandas e insegurança profissional transformaram o ambiente de trabalho em fator determinante do adoecimento emocional. “Empresas que historicamente naturalizaram jornadas extensas e desempenho a qualquer custo agora enfrentam um cenário em que o sofrimento se reflete diretamente nos indicadores de produtividade, retenção e clima organizacional”, diz Wildberger.

A revisão da NR-01 incorporou a obrigatoriedade de avaliar e gerenciar riscos psicossociais com o mesmo rigor aplicado a riscos físicos e ergonômicos. Reconhecendo a complexidade da implementação, a Portaria MTE nº 765/2025 prorrogou o prazo de adequação para 25 de maio de 2026. “Mais do que ajustar documentos, a mudança exige repensar modelos de gestão, processos de trabalho e dinâmicas de relacionamento, se tornando um marco regulatório que sinaliza a responsabilidade corporativa frente a uma crise silenciosa que impacta milhões de trabalhadores”, afirma o psicoterapeuta.

Foto: Freepik.

CHO ganha espaço e liga bem-estar à estratégia

Nesse movimento, ganha tração a figura do Chief Happiness Officer (CHO), responsável por integrar bem-estar e resultados do negócio. “Nesse contexto, cresce a figura do Chief Happiness Officer (CHO), profissional dedicado à arquitetura do bem-estar organizacional”, destaca Wildberger. Entre suas atribuições estão medir engajamento, mapear fatores de risco emocional, orientar lideranças, integrar áreas e fortalecer a segurança psicológica — hoje decisiva para inovar, reter e atrair talentos.

  • · aumento da retenção e redução do turnover,
  • · clima organizacional mais estável,
  • · diminuição de conflitos e desgaste emocional,
  • · prevenção de absenteísmo e custos associados,
  • · equipes mais criativas, engajadas e sustentáveis,
  • · fortalecimento da cultura e melhoria do desempenho global.

A atuação do CHO, ressalta o especialista, ganha peso à medida que as exigências regulatórias avançam, funcionando como elo direto entre bem-estar e estratégia de negócios.

O custo da omissão

Ignorar o problema sai caro: faltas prolongadas, produtividade em queda, alta rotatividade e perda de capital humano corroem a competitividade. “A negligência com saúde mental cobra seu preço”, resume Wildberger. O Fórum Econômico Mundial já classifica o adoecimento emocional como uma das maiores ameaças à força de trabalho nesta década.

A boa notícia é que o tema pode se converter em vantagem competitiva. Ao tratar a saúde mental como prioridade estratégica, as empresas reduzem sofrimento, fortalecem a cultura e ganham fôlego para inovar e crescer. “No fim das contas, essa crise invisível é um chamado claro: o trabalho precisa voltar a ser espaço de equilíbrio, motivação, inspiração, pertencimento e potência.”

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