Tesouros da MPB: 6 álbuns indispensáveis da música brasileira

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Somos uma emissora que privilegia a MPB como alicerce de nossa programação, creditando ao estilo musical sua devida importância como um dos maiores patrimônios brasileiros. Nos colocamos como uma solução multiplataforma que foca em conteúdo para engajar a audiência e aproximá-las de maneira relevante e pertinente das marcas. A Novabrasil faz parte do Grupo Thathi, conglomerado de comunicação que conta com o Portal TH+, além de emissoras de rádio e televisão em mais de 400 cidades de várias regiões do país.

A música popular brasileira é amplamente reconhecida como uma das manifestações artísticas mais ricas e diversas do planeta. Ao longo das décadas, compositores e intérpretes nacionais conseguiram traduzir as dores, as alegrias e a complexidade do cotidiano do país em harmonias sofisticadas e ritmos contagiantes. Ter uma discoteca básica em casa não é apenas um passatempo para colecionadores de vinil, mas sim um mergulho profundo na nossa própria história e na evolução estética do Brasil.

Para começar essa jornada de descoberta ou revisitação, certos discos destacam-se como verdadeiros pilares de nossa cultura. Eles representam movimentos inteiros — como a Bossa Nova, a Tropicália e o Clube da Esquina —, unindo poesia lírica a inovações instrumentais que desafiaram as convenções de suas épocas. Cada faixa desses álbuns funciona como uma crônica social e afetiva do povo brasileiro, capturando a essência de momentos históricos marcantes.

Confira lista abaixo:

1. Chega de Saudade – João Gilberto (1959)

O disco que apresentou ao mundo a “batida diferente” do violão de João Gilberto. Ele simplificou a harmonia complexa do jazz e do samba tradicional, tocando o ritmo de forma sincopada direto nas cordas do violão, enquanto cantava quase sussurrado, bem pertinho do microfone. O Brasil vivia os anos dourados de Juscelino Kubitschek, com a promessa de modernização e a construção de Brasília. O álbum sintetizou esse otimismo com uma estética sofisticada, jovem e urbana, inaugurando oficialmente a Bossa Nova.

Disco “Chega de Saudade” de João Gilberto | Foto: Divulgação.

2. Tropicália ou Panis et Circencis – (1968)

Uma colagem sonora caótica e genial. Liderado por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Mutantes e Tom Zé, o disco chocou ao misturar guitarras elétricas distorcidas com arranjos orquestrais eruditos (feitos por Rogério Duprat), berimbaus e sons de rádio. Lançado no ano mais violento da ditadura militar (antes do decreto do AI-5), o álbum foi um manifesto de contracultura. Ele deglutiu as influências estrangeiras (como o rock psicodélico dos Beatles) para criar uma arte puramente brasileira e altamente crítica.

Capa do álbum 'Tropicália ou Panis et Circensis' — Foto: Reprodução / Internet
Capa do álbum ‘Tropicália ou Panis et Circensis’ — Foto: Divulgação.

3. Construção – Chico Buarque (1971)

Musicalmente dramático, o disco usa arranjos de sopros e cordas tensos conduzidos por Rogério Duprat. Na faixa-título, Chico faz uma proeza literária: uma letra gigante onde quase todos os versos terminam em palavras proparoxítonas (como “tijolo”, “sábado”, “lágrima”), alterando a ordem delas para mudar o sentido da história de um operário que morre no trabalho. Gravado logo após o retorno de Chico de seu autoexílio na Itália, o álbum é um retrato sombrio e sufocante do “Milagre Econômico” brasileiro, driblando a censura militar com metáforas brilhantes sobre a alienação e a opressão cotidiana.

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Disco “Construção”, de Chico Buarque | Foto: Reprodução

4. Clube da Esquina – Milton Nascimento e Lô Borges (1972)

O álbum duplo inventou uma nova geografia musical. Uniu a introspecção mineira às influências do rock inglês, do jazz modal e da música folclórica latino-americana. Faixas como Cais e Trem de Doido trazem texturas de guitarra inovadoras e melodias vocais quase transcendentais. Gravado coletivamente em uma comunidade de amigos à beira-mar, o disco representou uma resistência poética e pacífica. Ele provou que a música feita fora do eixo tradicional Rio-SP podia ser universal e inovadora.

Capa do Disco Clube da Equina
Foto: Divulgação.

5. Acabou Chorare – Novos Baianos (1972)

A fusão definitiva do samba com o rock n’ roll. O álbum abre com os dedilhados virtuosos de Pepeu Gomes na guitarra elétrica misturando-se ao cavaquinho e ao pandeiro de canções como Brasil Pandeiro e Preta Pretinha. Tem a benção espiritual de João Gilberto, que ensinou o grupo a valorizar as raízes do samba de roda. O grupo vivia em uma comunidade hippie em Jacarepaguá (RJ), jogando futebol, dividindo tudo e compondo sem parar. Essa atmosfera de liberdade e comunhão transborda em cada faixa do disco, que é considerado por muitos críticos como o melhor álbum brasileiro de todos os tempos.

Foto: Divulgação.

6. A Tábua de Esmeralda – Jorge Ben Jor (1974)

O ápice do “samba-esquema-novo”. Jorge Ben uniu seu violão percussivo inconfundível com arranjos de cordas refinados e uma cozinha de contrabaixo incrivelmente funkeada. As letras abordam temas exóticos e fascinantes: alquimia, misticismo, teorias de Hermes Trismegisto e a história de cientistas clássicos. O álbum é uma viagem de puro otimismo e espiritualidade em meio a uma era de tensionamento político. Ele consolidou um subgênero único na música mundial (o samba-rock místico), influenciando diretamente o desenvolvimento do pop e do rap nacional décadas depois.

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