Teste respiratório aponta alterações intestinais em 9 de cada 10 mulheres com endometriose

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Dor pélvica, estufamento abdominal, constipação e excesso de gases fazem parte da rotina de muitas mulheres com endometriose, condição em que um tecido semelhante ao do revestimento interno do útero cresce fora dele. Além do impacto ginecológico, esses sinais podem estar ligados a alterações relevantes no funcionamento do intestino, segundo a gastroenterologista e hepatologista Hérika Ferreira.

Um estudo de caso recente reforçou essa conexão ao encontrar alta frequência de mudanças intestinais em mulheres com endometriose a partir de um teste respiratório, exame que analisa os gases presentes no ar expirado após a ingestão de uma substância específica. O método é considerado não invasivo e ajuda a rastrear padrões associados a desconfortos digestivos.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a endometriose afeta cerca de 190 milhões de mulheres e meninas em idade reprodutiva no mundo. Outro desafio é o tempo para confirmar o diagnóstico, que costuma variar entre quatro e 12 anos.

“Quando a paciente convive com sintomas gastrointestinais frequentes, vale olhar além do útero e considerar que o intestino pode estar participando do quadro”, afirma Hérika Ferreira.

Foto: Freepik.

O que o teste respiratório consegue indicar

O teste respiratório mede principalmente a produção de hidrogênio e metano, gases que podem aumentar em situações como:

  • · SIBO (supercrescimento bacteriano no intestino delgado)
  • · IMO (excesso de microrganismos produtores de metano no intestino)

Essas condições costumam estar associadas a um desequilíbrio da microbiota intestinal e podem provocar sintomas como estufamento, gases, constipação, diarreia e dor abdominal. O exame também pode ser usado para investigar intolerâncias alimentares e dificuldades de absorção relacionadas a substâncias como lactose, frutose, frutano, sacarose, sorbitol, xilitol e D-xilose.

No estudo, 91,9% das pacientes com endometriose tiveram resultado positivo para SIBO ou IMO. Os dados também mostraram trânsito intestinal alterado em 85,8% dos casos, contra 71% no grupo sem diagnóstico da doença. Já a constipação apareceu em 67,8% das participantes com endometriose, frente a 44,7% das demais.

Outro achado foi a predominância de metano em 63,2% das pacientes com endometriose. Esse gás, produzido no intestino, é frequentemente associado à lentidão do trânsito intestinal e à constipação.

“Identificar qual gás predomina ajuda a entender melhor o padrão de sintomas e pode orientar uma abordagem mais direcionada”, explica a especialista.

Os resultados reforçam o papel do microbioma no quadro clínico da endometriose. O microbioma é o conjunto de micro-organismos que vivem no intestino e participam de funções essenciais, como digestão, metabolismo e resposta imunológica. Quando há desequilíbrio, pode haver intensificação dos sintomas e manutenção de um estado inflamatório, o que tende a agravar as dores e o desconforto.

Para Hérika Ferreira, a relação entre intestino, microbiota e inflamação amplia a forma de enxergar a endometriose. “A doença não deve ser vista apenas como um problema ginecológico isolado; muitas vezes, é necessário um olhar integrado para a saúde da mulher”, destaca.

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