Muita gente nota a urina mais escura após treinos puxados e atribui o sinal apenas à falta de água. “Nem sempre é tão simples”, diz a nefrologista Dra. Carlucci Ventura. Segundo a médica, “a urina escura pode ser o primeiro sinal de um problema sério – a rabdomiólise – condição em que o músculo se rompe de forma exagerada e libera substâncias tóxicas na corrente sanguínea capazes de agredir os rins”.
“A rabdomiólise associada ao exercício ocorre quando a carga imposta ao músculo ultrapassa sua capacidade de adaptação”, afirma. Em excesso, compostos como a mioglobina e enzimas musculares sobrecarregam os rins, podendo levar à lesão renal aguda. Nos casos graves, há necessidade de internação e até hemodiálise.
Sinais de alerta: quando procurar atendimento
A doença pode começar de forma silenciosa e ser confundida com a dor típica do treino. A tríade clássica que exige atenção imediata inclui:
- · Dor muscular intensa
- · Fraqueza muscular desproporcional ao esforço
- · Urina escura (cor lembrando coca-cola)
Também podem ocorrer inchaço muscular, náuseas, mal-estar e diminuição do volume urinário. “Entre todos, a mudança na cor da urina é o sinal mais marcante e deve motivar avaliação médica urgente”, reforça a especialista.
Quem está mais vulnerável
O risco aumenta em treinos de força ou resistência extenuantes, sobretudo em quem está pouco condicionado ou volta à academia após longo período parado. Mas não é exclusividade dos iniciantes: mesmo pessoas treinadas podem apresentar o quadro quando combinam alta intensidade com hidratação insuficiente, calor excessivo e intervalos curtos de recuperação. O uso de suplementos sem orientação e modalidades que incentivam ultrapassar os limites também elevam o perigo.
“Nessas condições, o músculo é submetido a uma sobrecarga mecânica e metabólica que ultrapassa sua capacidade de adaptação”, explica a nefrologista.

Prevenção e cuidados
A orientação central é treinar com progressão e prudência. “A boa notícia é que a rabdomiólise pode ser evitada”, diz a médica. Para isso, vale aumentar intensidade e volume de forma gradual, manter hidratação adequada, ajustar a carga em dias muito quentes, evitar treinos extremos nos horários mais abafados e não ignorar sinais de exaustão.
Diante de xixi escuro após exercício, sobretudo se houver dor muscular intensa, a conduta é direta: “a orientação é clara: não esperar. Procure atendimento médico rapidamente”. Segundo a nefrologista,
“exames simples de sangue e urina confirmam o diagnóstico, e o tratamento precoce reduz significativamente o risco de lesão renal”.
Em um cenário de metas e recordes, a especialista lembra que performance não deve custar a saúde. “Resultados consistentes começam pela consciência de que o corpo é aliado e não pode ser levado ao extremo sem cuidado”, conclui Dra. Carlucci Ventura.


