Brasil falha com os jovens: analfabetismo funcional cresce entre alunos de 15 a 29 anos

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Eles sabem ler, mas não entendem o que leem. Também reconhecem números, mas tropeçam em operações simples como uma conta de dividir. São os chamados analfabetos funcionais — e hoje representam quase 30% da população brasileira entre 15 e 64 anos. O dado é alarmante por si só, mas fica ainda mais grave quando se observa que o índice cresceu entre os mais jovens, faixa etária que deveria representar esperança de avanço educacional.

Em entrevista ao Jornal Novabrasil, o professor Wilson Rodrigues, conselheiro estadual de educação e diretor da Faculdade do Comércio, não poupou palavras: “É um escândalo. Um dado gravíssimo. O Brasil está falhando com seus jovens.”

A conta não fecha

Segundo o levantamento, o índice de analfabetismo funcional entre os brasileiros de 15 a 29 anos saltou de 14% em 2018 para 16% agora. É o oposto do que deveria acontecer em um país que sonha em se desenvolver.

E não é por falta de dinheiro. “O Brasil investe muito em educação, é um dos países que mais investem entre os membros da OCDE. Mas investe mal”, alerta Rodrigues. O problema, diz ele, está na base: na educação básica, que há décadas não recebe o cuidado necessário das políticas públicas.

Educação básica como prioridade nacional

Rodrigues lembra que países que priorizaram a educação fundamental, como a Coreia do Sul, colheram frutos em qualidade de vida, renda e desenvolvimento humano. “A Coreia tinha, nos anos 60, uma renda per capita igual à do Brasil. Hoje é cinco vezes maior. Isso se deve à educação”, explica o especialista.

No Brasil, cerca de 47 milhões de pessoas estão matriculadas na educação básica. O desafio é fazer com que esse número represente aprendizado real, com compreensão de texto e raciocínio lógico — habilidades mínimas em um mundo cada vez mais digital e tecnológico.

Um alerta que exige resposta

“O analfabetismo funcional impede o Brasil de acompanhar as transformações do mundo”, afirma Rodrigues. “Esses jovens vão ter dificuldade de trabalhar, de se comunicar, de compreender a realidade.” Para ele, não é apenas uma questão de desempenho escolar, mas de inclusão social e econômica.

Se nada for feito, o país corre o risco de se afastar ainda mais da inovação e da produtividade. “O mínimo do mínimo não está sendo cumprido”, conclui.

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