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Estreia: Michael; brilho, memória e silêncio

Fabrício Correia
Fabrício Correia
Fabrício Correia é jornalista, escritor, professor universitário, especialista em Acessibilidade, Diversidade e Inclusão. É crítico de cinema, membro da Academia Brasileira de Cinema e apresenta o programa “Vale Night” na TV Thathi SBT.
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Michael nasce para devolver ao público a sensação de estar diante de um fenômeno. Não tenta desmontar o mito, nem examinar com dureza suas zonas mais difíceis. O filme prefere o palco, a luz, o corpo em movimento, o impacto de uma música que atravessou gerações.

Jaafar Jackson impressiona pela semelhança física e, principalmente, pela precisão corporal. Quando dança, o filme respira. As recriações de clipes e apresentações funcionam como cápsulas de memória: não explicam Michael Jackson, mas lembram por que ele se tornou impossível de ignorar.

A direção de Antoine Fuqua aposta na emoção direta. A infância no Jackson 5, a explosão solo, o impacto de Thriller e a era Bad aparecem como capítulos de uma ascensão monumental. O problema está justamente no que o filme escolhe não encarar. As contradições, os conflitos mais incômodos e as polêmicas surgem abafados ou ficam fora de quadro.

Por isso, Michael emociona mais como celebração do que como biografia. É um filme feito para fãs, para quem deseja rever o ídolo jovem, magnético, dominando o palco como poucos artistas fizeram. Como cinema, poderia ser mais ousado. Como experiência de nostalgia, acerta em cheio.

No fim, fica a impressão de uma obra bela, vibrante e incompleta. O rei do pop aparece em todo o seu esplendor. O homem, porém, continua parcialmente escondido atrás do brilho.

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