Alcione, Zeca e Aragão fazem história em estreia monumental no Maracanã

Os três estavam ali. E não havia quem pudesse contestar: um Maracanã lotado testemunhou o encontro. Pareciam sacerdotes de uma liturgia própria, pois o samba carrega consigo algo que transcende a música, uma força ancestral, quase mística, que se confunde com fé, memória e identidade.

Na noite deste sábado (06), o palco recebeu três gigantes da canção brasileira: Alcione, Zeca Pagodinho e Jorge Aragão. Reunidos no maior estádio do país, deram início à turnê batizada de “O Maior Encontro do Samba”. Em pouco mais de duas horas, desfilaram canções que contam não apenas a história do samba, mas também a de seus próprios intérpretes.

A abertura veio com “Mutirão de Amor”, composição de Jorge Aragão, Sombrinha e Zeca Pagodinho, eternizada na voz de Alcione ainda nos anos 80. A sonoridade preenchia o estádio com clareza e vigor, enquanto a orquestra de 16 músicos, sob a direção refinada de Pretinho da Serrinha, construía a base perfeita para os protagonistas da noite.

FOTO: Wallace Alvarintho / Novabrasil

O espetáculo também foi marcado por reverências à tradição. O repertório prestou tributo a nomes fundamentais da história do samba, entre eles Almir Guineto, Zé Keti, Cartola e Jovelina Pérola Negra. Já a saudosa Dona Ivone Lara, a primeira mulher a assinar um samba enredo em uma grande escola de samba foi exaltada por Alcione, que usou um vestido que lembrou um já usado por Ivone.

Como presente adicional ao público, surgiu no palco outro ícone do samba: Martinho da Vila. Aos 88 anos, interpretou sucessos como “Canta Canta, Minha Gente”, “Disritmia”, “Ex-Amor”, “Devagar” e “Mulheres”.

FOTO: Wallace Alvarintho / Novabrasil

À medida que a noite avançava, crescia também a resistência do público ao inevitável fim. Jorge Aragão chegou a perguntar se já era hora de partir, a multidão rapidamente respondeu não ao questionamento do poeta do samba.

A noite não poderia encerrar de outra maneira, as 3 lendas juntas fizeram um só pedido ao entoar o clássico “Não Deixe o Samba Morrer”, transformada em um manifesto de continuidade entre gerações.

Mais do que um show, foi uma celebração da memória afetiva do Brasil. Um encontro de vozes, histórias e legados que reafirmou a força do samba como patrimônio vivo, capaz de reunir multidões e atravessar gerações sem perder sua essência.

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