Uma jovem de 21 anos morreu na manhã desta sexta-feira após ser lançada de uma ponte localizada em área de trilha no bairro Itapema, em Limeira, no interior de São Paulo. A vítima participava de uma atividade de salto organizada por um grupo que, segundo as investigações, atuava de forma irregular no local popularmente conhecido como “Ponte do Esqueleto”.
A ocorrência foi registrada como homicídio na modalidade de dolo eventual, e três pessoas foram presas em flagrante delito. Outras três foram liberadas após oitiva.
O que aconteceu
A Polícia Militar foi acionada via COPOM por volta das 9h49 da manhã após relatos de uma pessoa caída ao solo nas proximidades da ponte. Ao chegarem ao local, os policiais encontraram a jovem já sem sinais vitais. Uma enfermeira que estava no local realizava manobras de reanimação cardiopulmonar, sem sucesso.
Próximo à vítima, dois homens disseram aos policiais que faziam parte de uma empresa responsável por promover saltos no local. Os documentos dos indivíduos foram solicitados e apresentados. No entanto, durante o momento em que um dos policiais se afastou para auxiliar nas operações de resgate e sinalizar área segura para as viaturas dificultadas pela presença de lama e risco de atolamento , os suspeitos fugiram em direção a uma área de vegetação. O cerco foi fechado com apoio de outras viaturas e do helicóptero Águia.
A gravação que mudou tudo
Uma testemunha presente no local apresentou à polícia uma filmagem feita no exato momento do ocorrido. As imagens mostram três homens erguendo a jovem acima de suas cabeças e, em seguida, lançando-a da ponte. O vídeo também evidencia a ausência de qualquer equipamento de segurança, especialmente a corda de proteção, item indispensável para a prática de saltos, confirmando que a vítima foi lançada em queda livre de uma altura de aproximadamente 30 metros.
Ainda de acordo com as imagens, a jovem carregava uma câmera GoPro no momento do salto. O equipamento não foi encontrado nas buscas realizadas nas imediações. Os suspeitos afirmaram desconhecer o paradeiro do aparelho.
Ao serem abordados sobre a ponte, dois dos suspeitos já haviam trocado de roupa. Questionados sobre o motivo da troca de vestimentas, permaneceram em silêncio.
Prisão em flagrante e indiciamento
Com base nas imagens, nos depoimentos colhidos e nas circunstâncias verificadas no local, o Delegado de Polícia Titular da DEL.SEC. Limeira Plantão decretou a prisão em flagrante delito dos três indivíduos diretamente envolvidos na ação, com formal indiciamento pela prática do crime de homicídio (art. 121 do Código Penal), na modalidade de dolo eventual.
A decisão fundamenta-se no entendimento de que os investigados, ao atuarem sem adotar as cautelas indispensáveis para uma atividade de alto risco, assumiram conscientemente a possibilidade de provocar a morte da vítima — o que de fato ocorreu.
O Delegado ressaltou ainda que o local possui histórico de ocorrências graves, inclusive com outras mortes registradas anteriormente, o que tornava previsível o resultado letal diante da negligência com os protocolos de segurança.
Liberados e ausentes
Outras três pessoas que estavam no local e foram conduzidas à delegacia foram liberadas após oitiva, uma vez que, até o momento do registro do boletim, não haviam elementos suficientes para indicar participação direta no resultado morte.
Uma quarta pessoa que acompanhava a vítima e teria presenciado os fatos não compareceu à delegacia em razão de seu estado emocional.
Os três presos permanecem custodiados no Setor de Custódia da Delegacia Seccional de Limeira, aguardando a realização de exame de corpo de delito cautelar e a audiência de custódia. Familiares dos indiciados compareceram ao plantão policial e foram comunicados das prisões.
A Autoridade Policial acompanhou pessoalmente os trabalhos periciais no local, juntamente com investigador de polícia.

O risco ignorado
A “Ponte do Esqueleto”, localizada às margens da Trilha do mesmo nome no bairro Itapema, é frequentada por praticantes de esportes radicais na região de Limeira. A prática de saltos em pontes, quando não devidamente regulamentada e equipada com sistemas de segurança homologados, é classificada como atividade de altíssimo risco e está sujeita à responsabilização criminal em caso de acidentes.
A ausência de corda de proteção — equipamento básico e indispensável para saltos em altura — foi o elemento central que caracterizou a negligência do grupo e embasou a tipificação do crime como homicídio doloso na sua modalidade eventual.
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