Inglaterra e Argentina se enfrentam nesta quarta-feira (15) em partida que vale vaga para a final da Copa do Mundo 2026, mas esse não é o primeiro confronto histórico dos dois países.
Sempre que as duas seleções se encontram, a memória da Guerra das Malvinas, de 1982, volta a tona e ajuda a explicar por que o duelo é tratado como um dos mais simbólicos do futebol mundial.
As Ilhas Malvinas, chamadas de Falkland Islands pelos britânicos, são um arquipélago localizado no Atlântico Sul, a cerca de 500 quilômetros da costa argentina. A soberania do território é disputada há quase dois séculos por Argentina e Reino Unido, e foi marcada por um conflito armado que durou 74 dias.
Como começou a guerra
Segundo a Encyclopaedia Britannica, a disputa começou em 2 de abril de 1982, quando a ditadura militar argentina, liderada por Leopoldo Galtieri, ordenou a invasão das ilhas. O governo argentino acreditava que o Reino Unido não responderia militarmente à ocupação.
A então primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, reagiu enviando uma força-tarefa naval ao Atlântico Sul. Após semanas de combates terrestres, navais e aéreos, as tropas britânicas retomaram o controle das ilhas em 14 de junho de 1982, encerrando o conflito.
Ao todo, morreram 649 militares argentinos, 255 britânicos e três civis das ilhas, segundo os registros históricos. A derrota acelerou o fim da ditadura militar na Argentina, enquanto a vitória fortaleceu o governo de Thatcher no Reino Unido.
Mesmo após o fim da guerra, a questão da soberania permanece sem solução definitiva.
O Reino Unido administra as ilhas desde 1833 e defende que a população local tem o direito de decidir seu próprio futuro. Em um referendo realizado em 2013, 99,8% dos moradores votaram pela permanência como território britânico.
A Argentina, por sua vez, considera o arquipélago parte de seu território nacional e mantém a reivindicação diplomática sobre as Malvinas, argumentando que a ocupação britânica iniciada em 1833 foi ilegítima.
A Organização das Nações Unidas (ONU) reconhece a existência da disputa e incentiva os dois países a buscarem uma solução negociada.
A rivalidade no futebol
A rivalidade ganhou ainda mais força quatro anos depois da guerra. Na Copa do Mundo de 1986, Inglaterra e Argentina se enfrentaram nas quartas de final, no México.
Na ocasião, Diego Maradona marcou dois dos gols mais famosos da história do futebol. O primeiro ficou conhecido como “A Mão de Deus”, ao usar a mão para balançar as redes sem que a arbitragem percebesse.
Poucos minutos depois, marcou o chamado “Gol do Século”, driblando praticamente toda a defesa inglesa.
Após a partida, Maradona declarou que o primeiro gol havia sido marcado “um pouco com a cabeça de Maradona e um pouco com a mão de Deus“.
Anos depois, também afirmou que a vitória tinha um significado especial para muitos argentinos por acontecer pouco tempo após a Guerra das Malvinas.
Mais de quatro décadas depois do conflito, cada encontro entre Inglaterra e Argentina continua carregando um forte peso histórico.
Embora jogadores e comissões técnicas frequentemente ressaltem que a partida é apenas uma disputa esportiva, a memória da guerra faz com que o confronto desperte emoções que ultrapassam o futebol.
O duelo desta semifinal Copa do Mundo volta a reunir os dois países cuja rivalidade foi construída tanto pela história quanto pelos gramados.


