A inteligência artificial tem respostas. A liderança ainda precisa fazer as perguntas certas

Pablo Juan Cruz
Pablo Juan Cruz
Pablo Juan Cruz é cofundador da IONIC Health, healthtech global nascida no Brasil que está revolucionando a operação remota de exames de imagem de alta complexidade.Com mais de 15 anos de experiência em transformação digital nos setores financeiro, jurídico e de saúde, Pablo liderou equipes multidisciplinares em projetos estruturantes de modernização e reestruturação, com foco na otimização de fluxos diagnósticos e na democratização do acesso a tecnologias críticas.Como cofundador e executivo C-level da IONIC, é responsável pelo desenvolvimento comercial e pelo relacionamento estratégico com clientes. Integra o time de liderança que conduziu a expansão internacional da empresa para a América Latina, Europa e Estados Unidos, estruturando operações em contextos diversos de mercado e cultura.Ao longo de sua trajetória, atuou como mentor e conselheiro de empresas em diferentes setores, apoiando negociações multimilionárias e processos de escala e inovação.Pablo possui especialização em Inovação em Saúde pela Harvard University e formação em Chief Digital Officer (CDO) pela FIA Business School. Também participou do programa Leading The Future da Singularity University e foi reconhecido pela Forbes Brasil como uma das principais lideranças em inovação na saúde.Sua trajetória combina visão estratégica, gestão de projetos complexos e compromisso com resultados que transformam o cuidado em saúde.

Liderar, nesse novo cenário, também significa criar um ambiente de aprendizado. Muitas pessoas ainda têm medo de usar inteligência artificial. Algumas têm medo de perder espaço. Outras evitam admitir que não sabem por onde começar. Cabe ao líder transformar esse receio em curiosidade, deixando claro que aprender será parte do trabalho.

Isso exige abertura. O líder não precisa fingir que domina todas as ferramentas. Pode aprender com a própria equipe, incentivar testes seguros e reconhecer quando uma tentativa não funcionou. Esse comportamento gera confiança e mostra que inovação não é apresentar respostas prontas, mas sim construir caminhos com responsabilidade.

Outro ponto importante é a transparência. Quando uma decisão recebe apoio de uma inteligência artificial, as pessoas precisam saber como a ferramenta foi usada, quais informações foram consideradas e quem avaliou o resultado. Não basta dizer: “a IA recomendou.” A responsabilidade continua sendo humana.

A tecnologia pode sugerir uma contratação, apontar um risco, organizar prioridades ou indicar uma estratégia. Mas quem decide precisa entender os limites da recomendação e estar disposto a responder por ela.

Quanto mais a inteligência artificial avança, mais valiosas se tornam características que nenhuma ferramenta entrega automaticamente: coragem, empatia, escuta, senso de justiça, visão de futuro e capacidade de assumir responsabilidade.

No fim, a principal mudança talvez seja esta: o líder deixa de ser a pessoa que tem todas as respostas e passa a ser aquela que ajuda a equipe a encontrar sentido entre tantas respostas possíveis.

A inteligência artificial pode acelerar o trabalho. Pode ampliar o acesso ao conhecimento. Pode melhorar as decisões e abrir novas oportunidades. Mas ela não define, sozinha, o que vale a pena fazer, quais limites devem ser respeitados e que futuro queremos construir.

Essas ainda são perguntas humanas.

E fazer as perguntas certas continuará sendo uma das tarefas mais importantes de quem escolheu liderar.

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