O mapa municipal de São Paulo está nas mãos de Tarcísio?

Elias Tavares
Elias Tavares
Elias Tavares é cientista político, especialista em comunicação eleitoral e marketing político, com atuação voltada à análise de cenário, opinião pública e estratégia política.Natural de São Paulo e filho da Zona Leste paulistana, construiu trajetória ligada à gestão pública, comunicação e política institucional. É bacharel em Ciência Política, possui formação em Gestão Pública, Marketing e especializações voltadas à comunicação política, gestão partidária e administração pública.Também atua como articulista e comentarista político, produzindo análises sobre eleições, articulação política, comportamento do eleitorado e os bastidores do poder no Brasil.

Mais do que as pesquisas, a distribuição das prefeituras revela uma vantagem estrutural importante para a disputa de 2026. O desafio será transformar capilaridade política em votos.

Quando se olha apenas para as pesquisas eleitorais, parte da história fica de fora. A política também é feita de território. E, nesse aspecto, poucos indicadores são tão relevantes quanto o mapa das prefeituras.

Hoje, o PSD concentra aproximadamente um terço dos municípios paulistas. Somado ao PL e ao Republicanos, esse campo político administra mais de 60% das cidades do Estado. Na prática, isso representa uma ampla rede de prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e lideranças regionais distribuída por praticamente todas as regiões paulistas, capaz de dar sustentação política a uma candidatura antes mesmo do início oficial da campanha.

É isso que os cientistas políticos chamam de capilaridade eleitoral: a capacidade de um projeto político alcançar o eleitor por meio de uma estrutura territorial consolidada, presente nos municípios, organizada e preparada para mobilizar a campanha.

É justamente nesse ponto que Tarcísio de Freitas larga em vantagem para a disputa de 2026.

Não porque essas prefeituras representem votos garantidos. Não representam. Prefeitos mudam de posição, alianças são redefinidas e a eleição estadual possui dinâmica própria. Mas seria ingenuidade ignorar o peso político de quem dispõe da maior estrutura municipal do estado.

Nesse tabuleiro, Gilberto Kassab assume um protagonismo ainda maior. O PSD deixou de ser apenas o partido com maior presença municipal de São Paulo para se transformar na principal engrenagem de qualquer projeto competitivo ao Palácio dos Bandeirantes. Se Kassab conseguir manter esse bloco unido, oferecerá a Tarcísio um ativo que nenhum adversário possui hoje: presença organizada em praticamente todo o território paulista.

A esse cenário soma-se outro fator estratégico. A capital paulista, maior colégio eleitoral do país, é administrada pelo MDB, partido do prefeito Ricardo Nunes, aliado de Tarcísio de Freitas. Além disso, o governador tem como vice Felicio Ramuth, também filiado ao MDB. Embora cada eleição tenha sua própria dinâmica e as alianças precisem ser formalizadas no momento oportuno, esse alinhamento amplia a capacidade de articulação política do governador tanto na capital quanto no interior do estado.

No campo da esquerda, a realidade é diferente. PT e PSB possuem uma presença municipal bastante reduzida em São Paulo. O dado talvez mais simbólico seja que o próprio PSDB, mesmo após perder o protagonismo que exerceu durante décadas na política paulista, ainda mantém uma presença territorial superior à do PT. Isso ajuda a explicar por que uma eventual candidatura de Fernando Haddad dependeria muito mais do desempenho nas grandes cidades, da força da comunicação e da nacionalização do debate do que de uma ampla rede de palanques municipais.

Mas a política também ensina outra lição: estrutura, sozinha, não vence eleição.

O verdadeiro desafio de Tarcísio não é construir uma rede de palanques — ela já existe. O desafio é manter esse amplo arco político unido até 2026 e transformar essa vantagem organizacional em votos. Se conseguir alinhar PSD, PL, Republicanos, MDB e os demais partidos que hoje dialogam com seu governo, chegará à campanha com uma base territorial extremamente robusta. Caso contrário, terá uma estrutura relevante, mas fragmentada.

Na eleição de 2026, talvez a pergunta mais importante não seja quem lidera as pesquisas de hoje. A pergunta é quem ocupa, de fato, o mapa político de São Paulo. E, neste momento, essa fotografia coloca Tarcísio de Freitas em uma posição de vantagem estrutural difícil de ser ignorada.

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