O uso da tadalafila, medicamento indicado principalmente para disfunção erétil, ganhou espaço fora do consultório e passou a ser tratado por muita gente como algo “leve”. Para o urologista Dr. Marcos Tobias Machado, essa banalização é perigosa porque o remédio atua diretamente nos vasos sanguíneos e pode trazer efeitos importantes, especialmente quando usado com frequência e sem avaliação profissional.
Na prática, a tadalafila não funciona como um “estimulante” recreativo. Ela age no sistema circulatório, favorecendo o relaxamento dos vasos e aumentando o fluxo de sangue em determinadas regiões do corpo. Esse mesmo mecanismo que pode ajudar na ereção, porém, também interfere na pressão arterial e exige cautela.
“A tadalafila é segura quando bem indicada e acompanhada, mas não é suplemento. Ela mexe com a circulação e pode causar problemas em pessoas com condições cardíacas ou que usam outros remédios”, afirma Dr. Marcos Tobias Machado.
Queda de pressão e combinações que podem ser graves
Um dos principais riscos do uso inadequado é a queda de pressão. Em pessoas saudáveis e sob orientação médica, esse efeito costuma ser controlado. Já em quem tem doenças cardiovasculares, pressão naturalmente baixa ou faz tratamento para hipertensão, o cenário pode mudar.
Sintomas como tontura, fraqueza e desmaios podem aparecer, com maior preocupação em idosos. Em situações mais graves, a sobrecarga no coração pode elevar o risco de arritmias, angina e até infarto.
As interações medicamentosas são outro ponto central. A associação com nitratos, usados por pacientes com angina e algumas doenças cardíacas, é considerada contraindicação absoluta por poder provocar uma queda abrupta e potencialmente fatal da pressão arterial.
Também é preciso cautela com o uso junto de remédios para pressão alta, alfa-bloqueadores (frequentes em tratamentos para próstata aumentada), alguns antibióticos e antifúngicos. O consumo excessivo de álcool pode potencializar efeitos indesejados e aumentar o risco de hipotensão.
Além disso, a própria atividade sexual representa esforço físico. “Antes de prescrever, avaliamos se o sistema cardiovascular do paciente está apto para esse esforço com segurança”, explica o urologista.

O problema oculto: tratar o sintoma e ignorar a causa
Há um risco menos óbvio, mas relevante: a disfunção erétil pode ser um sinal precoce de outras doenças. Condições como diabetes, hipertensão, doença coronariana, alterações hormonais, depressão e ansiedade — e até problemas neurológicos — podem se manifestar inicialmente por dificuldade de ereção.
Nesses casos, recorrer à tadalafila por conta própria pode mascarar o problema e adiar o diagnóstico. “Muitas vezes, a disfunção erétil é o primeiro alerta de que algo não vai bem no organismo. Se a pessoa apenas ‘silencia’ o sintoma, pode perder o tempo certo de investigar a causa”, destaca Dr. Marcos Tobias Machado.
O uso recorrente sem acompanhamento também pode causar efeitos adversos, como dor de cabeça persistente, congestão nasal e dores musculares. Há ainda relatos de alterações visuais e, raramente, perda súbita de visão ou audição. Outro risco, menos comum, é o priapismo — ereção prolongada e dolorosa — que exige atendimento médico rápido para evitar danos permanentes.
Quando a tadalafila tem indicação
Apesar dos alertas, especialistas ressaltam que a tadalafila tem usos médicos bem estabelecidos. Além do tratamento da disfunção erétil, pode ser indicada para hiperplasia prostática benigna (aumento da próstata) e, em situações específicas, para hipertensão arterial pulmonar.
A prescrição envolve avaliar histórico cardiovascular, medicamentos em uso e condições como função renal e hepática. As doses variam e podem ir de 2,5 mg a 20 mg, diferença que influencia tanto a eficácia quanto a segurança do tratamento.
Para o urologista, a popularidade do remédio não reduz os riscos. “O maior erro é transformar um medicamento sério em algo banal. A avaliação médica não serve só para escolher a dose, mas para identificar doenças silenciosas que podem estar por trás da queixa”, alerta Dr. Marcos Tobias Machado.


