MPF vai investigar homenagens à ditadura militar em espaços públicos de municípios da Paraíba

A informação foi confirmada pelo órgão nesta sexta-feira (7).

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.

O Ministério Público Federal na Paraíba (MPF-PB) informou que pretende apurar a existência de homenagens a integrantes da ditadura militar em espaços públicos de municípios paraibanos. A informação foi confirmada pelo órgão nesta sexta-feira (7).

Ainda não foram divulgados quais municípios serão incluídos na apuração. Segundo o MPF, como a iniciativa está sendo conduzida por um procurador com atuação na região de João Pessoa, a avaliação deverá inicialmente abranger cidades que integram essa área.

A iniciativa ocorre em meio a uma disputa judicial envolvendo a denominação de espaços públicos na capital paraibana. Em João Pessoa, o MPF ingressou na Justiça Federal com uma ação para tentar alterar o nome do 1º Grupamento de Engenharia do Exército Brasileiro, que homenageia o general Aurélio de Lyra Tavares.

Lyra Tavares foi um dos signatários do Ato Institucional nº 5 (AI-5), medida adotada durante a ditadura militar que ampliou os poderes do regime e restringiu direitos e garantias constitucionais.

Mudança do nome do grupamento

Antes de recorrer à Justiça, o MPF informou que havia solicitado ao Comando do Exército a alteração do nome do quartel. Como a recomendação não foi atendida, o órgão anunciou que buscaria a mudança por meio judicial.

Na ação referente ao grupamento, o MPF sustenta que a manutenção de homenagens oficiais a pessoas apontadas em documentos produzidos pelo próprio Estado brasileiro como integrantes da estrutura repressiva seria incompatível com a Constituição Federal de 1988.

O órgão também relaciona a questão aos direitos fundamentais à memória e à verdade e aos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil na área de direitos humanos.

Processo sobre ruas e bairros de João Pessoa

Além da ação relacionada ao quartel, existe outro processo envolvendo a possibilidade de alteração de nomes de ruas e bairros de João Pessoa associados ao período da ditadura militar.

A ação foi inicialmente apresentada pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) na Justiça Estadual e envolve a Prefeitura de João Pessoa e a Câmara Municipal, além da Defensoria Pública do Estado, que integra o polo ativo.

O MPF solicitou que esse processo seja transferido para a Justiça Federal, antes mesmo de ingressar com a ação referente ao nome do 1º Grupamento de Engenharia.

Na manifestação, o órgão federal argumenta que a discussão não se restringiria ao interesse do município. Segundo o MPF, haveria interesse jurídico da União, uma vez que a estrutura de repressão durante a ditadura esteve vinculada a órgãos e instituições federais.

Argumentos sobre os nomes

O processo estadual teve início em 2025 e envolve a discussão sobre a permanência de denominações atribuídas a localidades de João Pessoa.

Os representantes do município sustentam que os nomes estão consolidados na cultura e na história da cidade e, por essa razão, não deveriam ser modificados.

O Ministério Público, por sua vez, defende que a manutenção de homenagens relacionadas a agentes do período repressivo pode contrariar princípios constitucionais ligados ao direito à memória e à verdade.

Na petição em que pede a transferência do processo para a esfera federal, o MPF também afirma haver “inércia e resistência injustificada” por parte da Prefeitura de João Pessoa em relação às alterações discutidas judicialmente.

Até a última atualização das informações, a Prefeitura de João Pessoa não havia se manifestado sobre o assunto.

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