Josival Pereira
Josival Pereira
Josival Pereira, natural de Cajazeiras (PB), é jornalista, advogado e editor-responsável por seu blog pessoal. Em sua jornada profissional, com mais de 40 anos de experiência na comunicação, atuou em várias emissoras Paraibanas, como diretor, apresentador, radialista e comentarista político. Para além da imprensa, é membro da Academia Cajazeirense de Letras e Artes (Acal), e foi também Secretário de Comunicação de João Pessoa (2016/2020), Chefe de Gabinete e Secretário de Planejamento da Prefeitura de Cajazeiras (1993/1996).

Poder político na Paraíba está sendo disputado por meia dúzia de famílias

O objeto central do jogo é o da ascensão à supremacia política na Paraíba de alguns poucos grupos políticos familiares, não mais do que meia dúzia, e que até agora funcionavam no sistema apenas como coadjuvantes.

A escolha da médica Lígia Feliciano como candidata a vice-governadora na chapa do governador Lucas Ribeiro (aliança da Federação União Progressista com o PSB e o Republicanos, entre outras legendas) revela muito ou quase tudo da natureza da disputa política em curso no Estado. O objeto central do jogo é o da ascensão à supremacia política na Paraíba de alguns poucos grupos políticos familiares, não mais do que meia dúzia, e que até agora funcionavam no sistema apenas como coadjuvantes.

Que grupos políticos familiares são esses?

Os agrupamentos formados pelas famílias Morais, Ribeiro, Motta, em estágio de ascensão, e Lucena e Cunha Lima, defendendo legados históricos. Cada arranjo familiar desses tem seu próprio partido político.

E o que a escolha de Lígia Feliciano como candidata a vice-governadora tem a ver esse embate?

Desnuda a finalidade dos movimentos políticos de todos esses agrupamentos familiares desde a montagem das alianças partidárias nas eleições de 2022. Já ali, lideranças de algumas dessas famílias planejavam chegar à supremacia do poder político estadual. Ao emplacar o sobrinho Lucas Ribeiro como candidato a vice-governador, o deputado Aguinaldo Ribeiro vislumbrava, com quase certeza, que o Progressistas, partido da família, chegaria ao governo momentaneamente, assumindo na renúncia do governador João Azevedo, podendo, então, assentado na máquina, disputar a permanência no poder. Noutra aba, a família Morais, dona do partido União Brasil, jogou-se na disputa por uma vaga no Senado com Efraim Filho, vislumbrando que, assim, começaria a se aproximar do controle da mesa do poder central. Naquela disputa, antes de virar presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, senhor do Republicanos, parece ter decido preparar terreno para o futuro jogando nas duas pontas, com o governo do PSB (João Azevedo), a família Morais, apoiando Efraim Filho para o Senado.

Olhando um pouco mais à distância é possível perceber que esses três núcleos familiares já haviam enxergado que o poder das forças de centro-esquerda, que governavam o Estado desde 2010, com a eleição de Ricardo Coutinho, se encerraria agora em 2026, com o fechamento de ciclo por falta de quadros e opções.
O que acontece agora, então, é que esses três núcleos familiares tentam ascender ao poder maior no Estado com a diferença de que o deputado Hugo Motta preferiu fazer parceria com o grupo Ribeiro, apoiado na base do governo João Azevedo, que preferiu não se aventurar numa disputa ideológica.

Outro rearranjo foi o retorno da aliança entre o grupo Cunha Lima e o ex-prefeito Cícero Lucena, sobrenomes que pontuam na política desde a primeira metade do século passado. Aqui, o projeto é o de restabelecer o controle do poder para duas famílias tradicionais.

É nesse tabuleiro de disputas de grupos familiares pelo poder político da Paraíba que as chapas de governo foram montadas. Os candidatos a vice-governador saíram todos de famílias de confiança ou de novos grupos coadjuvantes.

No caso da opção da aliança que reúne Ribeiro e Motta, parece ter havido um cuidado especial para evitar nomes que possam estabelecer qualquer concorrência interna, perigo representado especificamente pelo deputado Adriano Galdino. O nome da médica Lígia Feliciano aparentemente não oferece perigo para possíveis candidaturas do grupo atualmente no poder em 2030, caso Lucas Ribeiro seja reeleito.

Interessante observar, porém, que a escolha de Lígia não é aleatória. A família Feliciano pode ser inscrita como o quarto grupo político-familiar em ascensão. Além de Lígia já ter sido duas vezes vice-governadora, o deputado federal Damião Feliciano é hoje o político paraibano com mais tempo de mandatos em Brasília de forma ininterrupta (26 anos) e de contar um ministro de Estado, Gustavo Feliciano, titular da pasta do Turismo no governo Lula. Portanto, não é um aglomerado político qualquer. Faz parte do clube e tamanho para entrar no páreo.

Essa é a natureza da disputa pelo poder na Paraíba e a forma como as várias forças familiares em ascensão e outras já estabelecidos se acomodaram ou estão se acomodando para a disputa das eleições.

O que se lamenta é que surgem plenamente perceptíveis os contornos da disputa pelo controle do poder político e os projetos de cada núcleo político-familiar, mas não existe qualquer clareza sobre os projetos de desenvolvimento para o Estado. Nem os projetos de governo são claros.

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