Lula diz que governo acionou lei da reciprocidade contra EUA para mostrar que ‘não é pouca coisa’

"Nós nos respeitamos", disse o presidente, durante entrevista ao podcast Não Inviabilize

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta sexta-feira (14), que o governo acionou a lei da reciprocidade econômica contra os Estados Unidos para “mostrar a gente também não é pouca coisa”. “Nós nos respeitamos”, disse o presidente, durante entrevista ao podcast Não Inviabilize.

Na quinta (13), o governo Lula informou aos EUA que iniciará o processo que aplica Lei da Reciprocidade contra o mais recente tarifaço imposto por Donald Trump contra o Brasil. Nessa primeira fase, o país faz consultas diplomáticas antes de lançar mão das retaliações.

Mais cedo nesta sexta, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que a avaliação de eventual aplicação de reciprocidade tarifária aos EUA ocorrerá com “muita cautela e responsabilidade”.

A intenção, segundo Durigan, será ouvir empresas brasileiras e estrangeiras sobre os impactos das medidas comerciais adotadas pelo país. “Como percebemos que o mundo é fechado, o primeiro impacto é colher, em especial do empresariado brasileiro e do exterior, quais os impactos”, afirmou, em Brasília.

A legislação, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional após as primeiras medidas impostas contra o Brasil pelo governo Trump, ainda em 2025, permite adotar contramedidas comerciais e diplomáticas proporcionais quando há a imposição de barreiras consideradas injustificadas aos produtos brasileiros.

Em julho, o governo Donald Trump impôs uma nova alíquota de 25% sobre os produtos brasileiros, o que atinge 18% das exportações aos EUA. Uma semana depois, aplicou outra tarifa contra o Brasil, dessa vez com alíquota de 12,5% e por suposta leniência no combate à importação de produtos produzidos com trabalho escravo. Para certos produtos, as taxas são somadas e chegam a 37,5%.

Durigan também anunciou que o governo autorizou nesta sexta-feira cinco operações de crédito para Estados, que somam valores bilionários e envolvem Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Bradesco. Desde o início da gestão, disse, já foram autorizados R$ 270 bilhões em operações aos entes subnacionais com aval da União.

A maior operação autorizada nesta sexta-feira é a de São Paulo, no valor de R$ 5,4 bilhões, contratada com o Banco do Brasil, com funding da instituição e aval do Tesouro Nacional. Os recursos serão destinados a projetos de metrô, mobilidade urbana e travessia hídrica.

A autorização ocorre após o governador Tarcísio de Freitas cobrar, no último domingo, a liberação do financiamento para o Estado. O governador havia defendido a operação e pressionado o governo federal pela autorização do crédito.

Também foi autorizada uma operação de R$ 4,9 bilhões para o Piauí. As operações de São Paulo e Piauí, juntas, representam R$ 10,3 bilhões em crédito autorizado.

As outras três operações envolvem Maranhão, Pernambuco e Rondônia. Pernambuco terá financiamento junto à Caixa Econômica Federal, enquanto Rondônia fará a operação com o Bradesco. As autorizações fazem parte da política de concessão de crédito a Estados e municípios com garantia da União, que permite aos governos regionais contratar financiamentos em condições mais favoráveis.

GUILHERME PIMENTA / Folhapress

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