O convidado da semana no Vozes da Vez – programa apresentado pela jornalista Fabiane Pereira todos os sábados, às 8h, na rede Novabrasil – está no corre há quase duas décadas. Rashid transforma vivência em palavra, inquietação em rima e experiência individual em reflexão coletiva. Rapper, compositor, escritor e roteirista, ele construiu uma das trajetórias mais consistentes do hip-hop brasileiro sem abrir mão do compromisso com a cultura que o formou.
Da época das batalhas de MCs aos grandes palcos, Rashid fez da “caneta” uma ferramenta de elaboração do mundo. Sua obra fala de racismo, desigualdade, amadurecimento, afeto, família e das contradições de quem precisa sobreviver sem deixar de sonhar. Também carrega algo cada vez mais raro: o cuidado com a palavra e com a história que veio antes.
Agora, o artista apresenta Cumulonimbus, álbum de 15 faixas que olha para os ciclos da própria caminhada e para as transformações do rap contemporâneo. O título remete à nuvem que anuncia tempestades — imagem que combina com um disco atravessado por movimento, tensão e mudança. A ideia dos ciclos também aparece em “YOWA”, faixa inspirada no cosmograma bakongo e em sua representação da vida, do tempo e das encruzilhadas.
Com participações de nomes como Emicida, Projota, Luedji Luna, Kamau, Rael, Paula Lima e Slim Rimografia, Cumulonimbus conecta diferentes gerações e reafirma a importância das reverências. Não para permanecer preso ao passado, mas para reconhecer quem pavimentou a estrada e, a partir daí, apontar novos caminhos.
No programa, Rashid conversa com Fabi sobre sua relação com o tempo, a vida fora das redes, a aparente escassez de grandes letristas no rap atual e o sagrado que atravessa o novo trabalho. Um encontro sobre música e carreira, mas também sobre memória, pertencimento e a sabedoria de entender que toda tempestade transforma a paisagem.

