Cirurgia robótica: o que é mito e o que muda de verdade antes de operar

Novabrasil
Novabrasil
Somos uma emissora que privilegia a MPB como alicerce de nossa programação, creditando ao estilo musical sua devida importância como um dos maiores patrimônios brasileiros. Nos colocamos como uma solução multiplataforma que foca em conteúdo para engajar a audiência e aproximá-las de maneira relevante e pertinente das marcas. A Novabrasil faz parte do Grupo Thathi, conglomerado de comunicação que conta com o Portal TH+, além de emissoras de rádio e televisão em mais de 400 cidades de várias regiões do país.

A pergunta virou rotina em consultórios e hospitais: diante da indicação de uma cirurgia, muitos pacientes querem saber se é possível fazer o procedimento com robô. Em meio a pesquisas na internet e opiniões de conhecidos, dúvidas sobre segurança, recuperação e indicações acabam se misturando a informações incompletas.

Para o cirurgião geral Dr. Vitor Arienzo, a decisão não deve ser guiada por modismo ou marketing, e sim por critérios médicos claros. “O cirurgião segue sendo o piloto da operação. O robô é uma ferramenta sofisticada, mas sem o médico no comando nada acontece”, afirma.

Na prática, a cirurgia robótica é uma técnica minimamente invasiva em que o médico controla, em tempo real, braços robóticos posicionados no paciente. Ele opera a partir de um console próximo, com visão tridimensional ampliada e instrumentos que permitem movimentos muito delicados, com filtragem do tremor natural das mãos.

No Brasil, a tecnologia deixou de ser restrita a poucos centros e avançou rapidamente. As primeiras plataformas foram instaladas em 2008, em São Paulo, e hoje já existem mais de 150 sistemas distribuídos por todas as regiões, incluindo serviços filantrópicos e, mais recentemente, hospitais públicos vinculados ao SUS. A prática foi regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina em 2022, com critérios de credenciamento e treinamento.

As áreas em que a técnica mais se consolidou incluem urologia (especialmente cirurgia de próstata), ginecologia, cirurgias do aparelho digestivo, torácica e cardíaca. O crescimento também aparece no volume: após cerca de 17 mil procedimentos nos primeiros dez anos, o país registrou 88 mil cirurgias robóticas nos últimos cinco anos, impulsionado pela expansão de equipamentos e pela formação de equipes.

Mitos e verdades que confundem pacientes

Mito: “o robô opera sozinho”. Não opera. O equipamento não toma decisões e não executa movimentos por conta própria: tudo depende do comando do cirurgião, que controla cada etapa. “A precisão dos braços robóticos é a tradução do movimento da mão do cirurgião”, explica Dr. Vitor Arienzo.

Mito: “a robótica é sempre superior à técnica convencional”. Nem sempre. Em vários procedimentos, resultados de cirurgia robótica e videolaparoscopia bem realizada podem ser semelhantes, sem diferenças relevantes em mortalidade, complicações ou desfechos oncológicos. A indicação precisa ser individualizada, considerando o problema, o paciente e a experiência da equipe.

Verdade: há casos em que a robótica traz ganho real. Em regiões anatômicas estreitas, como a pelve profunda (comum em cirurgias de próstata e reto) ou o mediastino (na cirurgia torácica), a visão 3D e a articulação dos instrumentos podem facilitar uma dissecação mais precisa, com menor sangramento e melhor preservação de estruturas delicadas. Em cirurgias longas e em pacientes obesos, a estabilidade da plataforma e a ergonomia também podem influenciar o resultado.

Foto: Freepik.

Mito: “qualquer cirurgia pode ser robótica”. Existem limitações. Situações de emergência, casos que exigem acesso rápido e amplo ao abdome e procedimentos simples, que podem ser resolvidos com a mesma eficácia por videolaparoscopia ou cirurgia aberta, geralmente não se beneficiam da robótica. Além disso, a indicação depende de disponibilidade de equipamento e de uma equipe treinada.

Verdade: a recuperação tende a ser mais rápida do que na cirurgia aberta. Em geral, procedimentos minimamente invasivos já oferecem vantagens como menos dor, menor tempo de internação e retorno mais cedo às atividades. Em comparação com a videolaparoscopia, a robótica pode trazer benefícios em alguns cenários, como menor sangramento, menor chance de conversão para cirurgia aberta e alta hospitalar mais precoce, sobretudo em cirurgias pélvicas profundas e casos complexos.

Verdade: a anestesia é sempre geral. Cirurgias robóticas abdominais, pélvicas ou torácicas exigem anestesia geral, entre outros motivos, pela necessidade de imobilidade e posicionamento específico do paciente (muitas vezes com inclinações acentuadas da mesa cirúrgica). Pacientes com contraindicações importantes à anestesia geral podem não ser candidatos, e a avaliação deve ser feita previamente pelo anestesiologista.

Verdade: a formação do cirurgião continua sendo decisiva. A tecnologia não substitui experiência. A curva de aprendizado exige treinamento estruturado, uso de simuladores e cirurgias monitoradas, além de volume mínimo de casos. “Não é o robô que opera bem, é o cirurgião por trás dele, dentro de uma equipe preparada”, destaca Dr. Vitor Arienzo.

O que perguntar antes de decidir

Para reduzir riscos e alinhar expectativas, especialistas recomendam que o paciente converse abertamente com a equipe e esclareça pontos objetivos antes de aceitar ou recusar a cirurgia robótica. Entre as perguntas mais úteis estão:

  • · Qual é a evidência para o meu caso específico?
  • · Há vantagem real em relação à videolaparoscopia nesta indicação?
  • · Quantos procedimentos semelhantes a este a equipe já realizou com robô?
  • · Quem estará na equipe (anestesiologista, assistentes, instrumentador) e qual é a experiência dela?

A tecnologia pode ser uma aliada importante quando bem indicada e executada, mas não é sinônimo automático de melhor resultado. O que define o desfecho, reforça o médico, é a combinação de indicação correta, cirurgião experiente e equipe bem treinada.

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS