Israel admite pela 1ª vez que matou menina palestina de 5 anos que pediu ajuda para familiares em Gaza

O governo israelense de Benjamin Netnyahu reconheceu, pela primeira vez, que soldados atiraram contra o carro onde estava Hind Rajab, de cinco anos, morta com seis familiares em Gaza, em 2024. O Exército israelense abriu uma investigação criminal sobre o caso e também sobre a morte de outros 15 palestinos, entre eles profissionais de saúde e um funcionário da ONU.

Por um lado, a decisão representa uma mudança na versão apresentada inicialmente pelos militares, que haviam negado, até então, a presença de tropas na região no momento do ataque.

Hind sobreviveu por algumas horas e chegou a pedir socorro por telefone a paramédicos do Crescente Vermelho. Mesmo assim o Exército alvejou, não só o carro da família, mas também uma ambulância que estava a caminho para resgatá-los. Dois paramédicos morreram no episódio. O caso teve repercussão internacional e ganhou um novo alcance com o filme A Voz de Hind Rajab. O drama chegou a concorrer ao Oscar em 2025, a partir de documentos e áudios recuperados.

Por outro lado, o reconhecimento expõe, mais uma vez, a intenção do governo israelense sobre gaza, é o que avalia a professora de Relações Internacionais da Fecap, Isa Agostinelli. Ela também é membro do Grupo de Estudos sobre Conflitos Internacionais da PUC-SP:

“Há um desejo de eliminá-los [palestinos] a todo e qualquer custo, mas sem nenhum tipo de repúdio de fato internacional, né? Um caso sanguinário e de brutalidade.”

Esse reconhecimento, da morte de Hind e seus familiares, mais às recentes falas de Netanyahu e Ben Gvir, apontam para esta intenção, segundo a professora. Da mesma forma, ela avalia que, apesar do inquérito, as investigações não devem prosperar:

Se seguir o padrão israelense de investigação a respeito dos crimes cometidos na Palestina, não podemos esperar nenhum tipo de justiça nesse caso“, admite Isa.

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