A sensação de falta de ar típica de uma crise de asma pode ser tão assustadora que, para algumas pessoas, o impacto emocional continua mesmo após a melhora dos sintomas. Esse medo recorrente, por sua vez, pode aumentar a ansiedade e criar um ciclo capaz de dificultar o controle da doença.
O psiquiatra Rubens de Campos Filho afirma que asma e ansiedade, embora sejam condições diferentes, frequentemente se influenciam. “A pessoa pode passar a viver em estado de alerta, preocupada com a possibilidade de uma nova crise acontecer a qualquer momento”, explica.
A asma é uma inflamação crônica das vias aéreas, com sintomas como chiado no peito, tosse, aperto no tórax e falta de ar. Já a ansiedade é uma resposta natural do organismo diante de situações percebidas como ameaçadoras, mas pode se tornar excessiva e prejudicar a rotina quando aparece com frequência ou intensidade.
Na prática, quando as duas se encontram, o resultado pode ser mais sofrimento e mais dificuldade para distinguir o que está acontecendo no corpo.
Quando o medo da crise muda a rotina
Após vivenciar uma crise, algumas pessoas passam a evitar atividades por receio de “provocar” falta de ar. Entram nessa lista exercícios físicos, viagens e até encontros sociais. Com o tempo, o comportamento de restrição pode reforçar a preocupação constante com a respiração e favorecer ou agravar quadros de ansiedade.
Segundo Rubens de Campos Filho, esse padrão é comum porque a crise pode desencadear medo intenso e até pânico. “O impacto emocional nem sempre desaparece quando a respiração melhora”, destaca o médico.
Ansiedade também pode intensificar sintomas respiratórios
O caminho inverso também acontece: a ansiedade pode piorar a percepção do desconforto respiratório. Em momentos de estresse, o organismo entra em estado de alerta, liberando substâncias ligadas à resposta ao estresse. Ao mesmo tempo, a respiração tende a ficar mais rápida e superficial, o que pode aumentar a sensação de aperto no peito e de falta de ar.
O problema é que os sinais podem se parecer. Sensação de sufocamento, respiração acelerada e desconforto no tórax podem ocorrer tanto em uma crise de asma quanto em episódios de ansiedade, o que pode aumentar ainda mais a preocupação e levar a pessoa a interpretar qualquer alteração como início de uma crise grave.
Reconhecer a conexão ajuda a evitar interpretações equivocadas e a buscar estratégias adequadas para cada situação.
Abordagem integrada: corpo e mente
Estudos apontam que pessoas com asma apresentam maior frequência de sintomas ansiosos quando comparadas à população geral. A presença de ansiedade também pode estar associada a pior qualidade de vida, maior procura por serviços de saúde e mais dificuldade para manter o controle da doença respiratória.
Por isso, o cuidado não deve se limitar aos sintomas físicos. O acompanhamento médico regular, o uso correto das medicações prescritas e o entendimento da doença tendem a aumentar a sensação de segurança e reduzir o medo relacionado às crises.
Ao mesmo tempo, ações voltadas à saúde mental podem ajudar no controle da ansiedade, como psicoterapia, técnicas de relaxamento, atividade física orientada e hábitos saudáveis de sono. Para o especialista, “cuidar da asma e da ansiedade de forma integrada” é um passo importante para interromper o ciclo entre dificuldade respiratória e sofrimento emocional.


