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No último 20 de agosto, a Casa Rockambole, em São Paulo, foi palco de uma noite especial para a Colomy. O trio formado por Sebastião Reis, Pedro Lipa e Eduardo Schuler apresentou o recém-lançado álbum “Pra Quem Andou Perdido“, segundo trabalho de estúdio da banda.
Lançado em julho, o disco reúne nove faixas inéditas e representa um momento de amadurecimento artístico da Colomy. O álbum percorre sentimentos como despedida, ausência, culpa, recomeço e a tentativa de encontrar novamente o próprio caminho. Além disso, conta com participações como Guilherme Arantes, Peter Buck, guitarrista do R.E.M., e Barrett Martin, conhecido por seu trabalho com Screaming Trees e Mad Season.
No palco da Rockambole, porém, a história foi além das novas músicas. Com Felipe Magon (teclado) e Murilo Benítez (baixo) como músicos de apoio, a Colomy construiu um repertório que revisitava canções do primeiro álbum, Jaú, mas intercalava as faixas do novo trabalho. Além disso, o trio também trouxe uma versão de “Trac-Trac”, clássico dos Paralamas do Sucesso. O resultado foi um show que mostrou justamente esse processo de transformação da banda, sem deixar de lado as referências que ajudaram a construir sua identidade.
Colomy. Fotos: Lucy Albuquerque / Thatiana Moita.
Saravá esquenta com show de abertura
Primeiramente, antes da Colomy assumir o palco, a noite começou com a apresentação da Saravá, trio paulistano formado em 2023 por Joni Gomes (voz e guitarra), Roberth Nelson (voz e baixo) e Antonio Ito (bateria).
O grupo apresentou suas próprias composições, mostrando uma sonoridade que mistura rock progressivo, psicodelia dos anos 1970, punk e indie contemporâneo.
A apresentação ganhou um momento inesperado com a entrada de Luzia Aurora no palco. Sua participação ao lado do irmão Roberth Nelson reforçou o clima familiar que marcou toda a noite e preparou o público para o show principal.
Banda Saravá no palco. Foto: Lucy Albuquerque
Do “Jaú” para cá, muita coisa mudou
O segundo álbum nasceu de um período de mudanças para os três integrantes. As músicas foram compostas entre 2023 e 2024 e, segundo a própria banda, o processo de criação atravessou momentos pessoais intensos. “Pra Quem Andou Perdido” transforma essas experiências em canções que transitam, por exemplo, entre a melancolia e a esperança de recomeçar.
Em suma, a apresentação na Rockambole também mostrou como a Colomy vem construindo seu espaço dentro da nova geração do rock brasileiro.
Uma plateia de peso
Se no palco a Colomy celebrava uma nova fase, na plateia também havia muitos artistas importantes acompanhando de perto esse momento.
Entre os presentes estavam, por exemplo: Nando Reis, Esteban Tavares, Beto Bruno, vocalista do Cachorro Grande, Pedro Pelotas, músico que integra a banda de Samuel Rosa, além de Fernando Nunes, músico que acompanhou Cássia Eller, e Paulo Zinner, baterista conhecido por seu trabalho com Rita Lee. O que transformou a noite em uma espécie de encontro entre diferentes gerações do rock brasileiro.
Silhueta de Nando Reis, assistindo o filho, Sebastião Reis. Foto: Lucy Albuquerque.
Mas Nando Reis não estava sozinho na plateia. Ao longo da noite, a presença da família ficou evidente dentro e fora do palco.
Sebastião Reis, integrante da Colomy, é filho de Nando Reis e também divide com o pai a estrada musical. O baterista Eduardo Schuler, que integra a Colomy, também acompanha Nando em seus shows. Na plateia, estavam ainda os irmãos de Sebastião, Theo, Sophia e Zoé, além de Luzia Aurora e Roberth Nelson, netos de Nando, que participaram do show de abertura com a banda Saravá.
Foi uma daquelas cenas que acontecem de maneira espontânea em um show e acabam se tornando parte da memória da noite: música, família e diferentes gerações dividindo o mesmo espaço.
Sebastião Reis, em entrevista pra Novabrasil
A Novabrasil conversou com Sebastião Reis sobre o novo momento da Colomy, o processo de composição de “Pra Quem Andou Perdido” e as influências que ajudaram a construir a identidade da banda. Confira a entrevista na íntegra:
Vocês definiram este trabalho como um disco mais maduro. O que a Colomy de 2026 entende sobre fazer música que a Colomy do primeiro álbum ainda não compreendia?
“Acredito que, no nosso primeiro álbum, a gente ainda estava se encontrando como banda, achando nossa identidade. E acho também que, nesse período do Jaú, de 2023, para o Pra Quem Andou Perdido, de 2026, tiveram mudanças grandes nas nossas vidas pessoais que nos influenciaram muito, inclusive no modo de compor. A vida reflete na nossa música, ainda que seja um disco que é muito autorreferente, sobre coisas que aconteceram nas nossas vidas. Então acho que houve um salto de maturidade também nas composições.”
A banda tem referências que passam pelo rock, MPB e também pela música dos anos 70 e 80. Como vocês equilibram todas essas inspirações sem perder a identidade da banda?
“Eu acho que são justamente nossas influências que acabam formando essa identidade da banda. A gente tem bastante influência dos anos 70 e 80, como você citou, mas também cada integrante da banda tem suas preferências. E, quando a gente junta tudo isso fazendo a nossa música, acho que é natural que saia algo com uma identidade mais própria. Acho que esse é o som da Colomy: essa mistura de influências que eu, o Lipa e o Schuler temos. A gente traz isso para a banda e transforma no som da Colomy.”
Sobre o novo trabalho, entre a composição e a gravação, qual foi o maior desafio para transformar experiências tão pessoais em um álbum que pudesse conversar também com o público?
“É um desafio muito grande transformar uma experiência pessoal em uma música que vá se comunicar com outras pessoas. Mas eu acho que justamente as nossas experiências, de cada um dos integrantes, são universais. Coisas que todo mundo já passou: de acabar um relacionamento, de se afastar de um amigo, de ter que viajar para longe da família… A gente fala também sobre inseguranças, coisas com que todo mundo se identifica. Então eu acho que a gente conseguiu, nesse disco, falar sobre experiências pessoais, mas, ao mesmo tempo, experiências universais. E isso é o que faz com que as pessoas consigam se identificar com as nossas músicas.”
Colomy. Foto: Divulgação.
Do palco para a memória
“Pra Quem Andou Perdido” parece encontrar justamente no palco o lugar para completar sua trajetória: se o disco nasceu de sentimentos de desencontro, despedida e reconstrução, o show transforma essas experiências em encontro. Entre banda e público, entre passado e presente e, naquela noite, até entre diferentes gerações de uma mesma família.
E talvez seja essa uma das melhores definições para o que aconteceu na Rockambole:uma noite em que a música serviu como ponto de encontro para quem já conhece a história da Colomy e para quem começa agora a descobrir para onde essa história pode seguir.