Justiça torna réus delegado e agentes acusados de desviar drogas de facções rivais na Paraíba

Entre os réus estão o delegado Braz Morroni e os agentes da Polícia Civil Everton Rychelyson da Silva Aires e Eduardo Jorge Ferreira do Egito.

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.

A Justiça da Paraíba aceitou a denúncia do Ministério Público da Paraíba (MPPB) e tornou réus, nesta terça-feira (25), oito investigados na Operação Perfidus, que apura a suspeita de participação de policiais civis e integrantes do tráfico de drogas em uma organização criminosa. Segundo a acusação, o grupo teria desviado carregamentos de entorpecentes pertencentes a facções rivais para revendê-los no mercado ilegal.

Entre os réus estão o delegado Braz Morroni e os agentes da Polícia Civil Everton Rychelyson da Silva Aires e Eduardo Jorge Ferreira do Egito. A investigação aponta ainda suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e vazamento de informações sigilosas.

Com o recebimento da denúncia, a ação penal passa a tramitar formalmente na Justiça. Os acusados ainda terão direito ao contraditório e à ampla defesa, e as acusações apresentadas pelo Ministério Público serão analisadas durante o processo.

Sete investigados continuam presos

A decisão manteve a prisão preventiva de sete dos oito réus: Braz Morroni, Everton Aires, Eduardo Jorge, José Alexandrino de Lira Júnior, João Wicttor Alves de Lima, Brendo Roberth Fernandes Sobral e Paulo Ricardo Barbosa de Souza.

A Justiça considerou, entre outros fatores, a gravidade dos crimes investigados, os indícios de participação em uma organização criminosa estruturada e o risco de interferência na investigação e na produção de provas.

A investigada Vanessa Dantas Fernandes continuará em prisão domiciliar com monitoramento eletrônico.

O que aponta a investigação

De acordo com a denúncia do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), a organização seria formada por policiais e pessoas ligadas ao tráfico. Uma das principais atividades atribuídas ao grupo seria a apropriação de carregamentos de drogas pertencentes a facções rivais.

Ainda segundo o Ministério Público, os entorpecentes seriam retirados dos locais onde estavam armazenados e posteriormente reinseridos no comércio ilegal. Os investigadores também apontam a utilização de recursos obtidos com as atividades criminosas em operações destinadas a ocultar ou dissimular a origem do dinheiro.

A investigação teve como alvo servidores da Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), em João Pessoa, que, segundo a acusação, teriam utilizado a estrutura policial para favorecer as atividades criminosas.

Segundo a denúncia, Braz Morroni teria exercido papel de liderança no esquema. Everton Aires é apontado como responsável pela articulação entre policiais e integrantes de facções.

Eduardo Jorge, conforme o Ministério Público, teria participado de ações para retirar drogas de depósitos utilizando viaturas oficiais. José Alexandrino é apontado como articulador do tráfico interestadual.

Ainda segundo a acusação, João Wicttor teria atuado no refino, adulteração e distribuição de cocaína e crack na Região Metropolitana de João Pessoa. Brendo Roberth seria responsável pela manipulação e circulação de drogas no comércio varejista.

Paulo Ricardo, por sua vez, é acusado de atuar como informante e na distribuição de drogas, além de participar de abordagens realizadas em conjunto com policiais.

Defesa contesta acesso às provas

A defesa de Eduardo Jorge afirmou que ainda não teve acesso integral aos elementos produzidos durante as medidas cautelares vinculadas ao processo.

Segundo os advogados, a falta de acesso completo às provas prejudica o exercício da defesa e o contraditório. A defesa também questionou o compartilhamento desses elementos com outros processos enquanto parte do material ainda não estaria disponível integralmente aos advogados.

As defesas de Everton Aires e Braz Morroni não haviam se manifestado até a última atualização das informações utilizadas nesta reportagem. As defesas dos demais réus não foram localizadas.

Próximas etapas do processo

Com o recebimento da denúncia, os oito réus serão citados para apresentar resposta à acusação no prazo de 10 dias. Nesse momento, as defesas poderão apresentar documentos, indicar testemunhas e contestar pontos da acusação.

Na sequência, o processo deverá avançar para a fase de instrução, quando serão produzidas e analisadas provas, incluindo depoimentos de testemunhas e dos próprios acusados.

A Justiça também autorizou o compartilhamento de provas da investigação com outros inquéritos policiais, procedimentos da Corregedoria-Geral da Polícia Civil e apurações conduzidas pelo Ministério Público.

Operação Perfidus

A Operação Perfidus investiga suspeitas de tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas envolvendo policiais civis e pessoas ligadas ao crime organizado.

Ao todo, foram cumpridos nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões em bens e valores dos investigados.

As acusações ainda serão submetidas à produção de provas e ao julgamento. O fato de os investigados terem se tornado réus não significa condenação.

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