Delegado e agentes presos por suspeita de desviar drogas são alvo de ação por improbidade na Paraíba

O órgão pede à Justiça o afastamento imediato dos servidores das funções públicas e o bloqueio de bens.

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) ajuizou uma ação por improbidade administrativa contra um delegado e dois agentes da Polícia Civil investigados por envolvimento em um suposto esquema de desvio de drogas apreendidas. O órgão pede à Justiça o afastamento imediato dos servidores das funções públicas e o bloqueio de bens.

São alvos da ação o delegado Braz Marroni de Paiva Júnior e os agentes Everton Rychelyson da Silva Aires e Eduardo Jorge Ferreira do Egito. Os três estão presos em decorrência das investigações.

A ação de improbidade, que se tornou pública nesta segunda-feira (31), busca a responsabilização dos servidores na esfera cível. Os pedidos apresentados pelo Ministério Público ainda precisam ser analisados pela Justiça.

MP aponta uso da função policial

Segundo o MPPB, os investigados eram lotados na Delegacia de Crimes contra o Patrimônio e teriam utilizado a condição de policiais para se apropriar de entorpecentes e retirar drogas de terceiros.

A investigação aponta que o grupo teria realizado operações policiais simuladas para ter acesso aos entorpecentes e posteriormente destinar o material ao comércio ilegal.

De acordo com a acusação, os fatos investigados teriam ocorrido entre 2024 e 2026.

O Ministério Público sustenta ainda que os investigados teriam obtido vantagens econômicas com o esquema e mantido vínculo com uma organização criminosa.

As acusações ainda estão sob análise da Justiça e não representam condenação definitiva dos investigados.

MP pede bloqueio de bens

Na ação, o Ministério Público solicita, em caráter liminar, que os três servidores sejam afastados das funções públicas.

O órgão também pede o bloqueio de bens, com o objetivo de assegurar eventual ressarcimento aos cofres públicos caso haja condenação ao final do processo.

Segundo o MPPB, o afastamento seria necessário para preservar o andamento das investigações e evitar interferências relacionadas ao exercício das funções policiais.

A decisão sobre os pedidos cabe à Justiça.

Investigação começou após denúncia

O caso é um desdobramento de investigações realizadas pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco).

As apurações tiveram início após uma denúncia anônima.

Segundo o Ministério Público, foram utilizados na investigação elementos obtidos a partir da análise de celulares, dados de geolocalização de viatura, quebras de sigilos autorizadas judicialmente, monitoramento, documentos e depoimentos.

A acusação sustenta que os policiais recebiam informações sobre locais utilizados para armazenar drogas e teriam realizado incursões nesses imóveis.

Ainda segundo o MPPB, parte dos entorpecentes seria desviada, enquanto apenas uma quantidade menor seria registrada oficialmente como apreendida.

Investigados também respondem na esfera criminal

A ação por improbidade é diferente do processo criminal relacionado ao mesmo conjunto de investigações.

O MPPB já havia apresentado denúncia criminal contra o delegado e os dois agentes. Nessa frente, eles são acusados de crimes como furto qualificado, abuso de autoridade, falsificação de documento público e fraude processual.

Na denúncia criminal, o Ministério Público também pediu a perda dos cargos públicos em caso de condenação, além de outras medidas.

Os processos seguem em tramitação e os acusados têm direito à defesa.

O que dizem as defesas

A defesa de Eduardo Jorge Ferreira do Egito afirmou ter recebido a nova ação com “perplexidade” e informou que tomou conhecimento do processo pela imprensa. Segundo os advogados, a defesa ainda não havia obtido acesso integral às provas que fundamentam as acusações.

As defesas de Braz Marroni de Paiva Júnior e Everton Rychelyson da Silva Aires não haviam se manifestado até a última atualização das informações disponibilizadas sobre o caso.

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