Paraíba terá central para controlar vagas em presídios e monitorar superlotação; entenda como vai funcionar

O funcionamento da estrutura foi detalhado em portaria da Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap) publicada nesta terça-feira (1º) no Diário Oficial do Estado da Paraíba.

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.
Detentos | Foto: Agência Brasil

A Paraíba vai implantar uma Central de Regulação de Vagas Prisionais (CRV) para acompanhar a capacidade dos presídios, monitorar a quantidade de pessoas privadas de liberdade e definir estratégias para unidades que estejam superlotadas ou em situação crítica de ocupação.

O funcionamento da estrutura foi detalhado em portaria da Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap) publicada nesta terça-feira (1º) no Diário Oficial do Estado da Paraíba.

Na prática, a CRV deverá funcionar como um mecanismo permanente de gestão da ocupação do sistema penitenciário paraibano. A central vai acompanhar quantas vagas existem e quantas estão ocupadas em cada estabelecimento, identificar unidades acima da capacidade e reunir dados para orientar medidas de enfrentamento à superlotação.

O trabalho também incluirá informações sobre a situação processual das pessoas presas, como a identificação de prisões preventivas com mais de 90 dias pendentes de revisão e de incidentes de execução penal que ainda aguardem análise.

Como vai funcionar a Central de Regulação de Vagas

A primeira etapa será a elaboração de um diagnóstico da realidade prisional da Paraíba. A partir desse levantamento, será produzido um plano de trabalho para orientar a implantação e a atuação da central.

O acompanhamento deverá considerar informações como:

  • capacidade de cada unidade prisional;
  • número de pessoas presas;
  • taxa de ocupação dos estabelecimentos;
  • quantidade de presos preventivos;
  • situação processual da população carcerária;
  • serviços penais disponíveis no estado.

O cruzamento desses dados permitirá identificar quais presídios estão acima da capacidade e quais apresentam situação crítica de ocupação.

A partir desse diagnóstico, deverão ser estabelecidas estratégias específicas de regulação para essas unidades, em uma atuação articulada entre a Administração Penitenciária e o Poder Judiciário.

Representantes das instituições envolvidas deverão se reunir periodicamente para analisar os dados sobre ocupação e discutir medidas relacionadas à regulação das vagas.

O que acontece quando um presídio estiver superlotado?

A identificação de uma unidade acima da capacidade não significa, por si só, a liberação automática de presos.

A proposta é utilizar os dados sobre ocupação e situação processual para orientar medidas de regulação e gestão do sistema, com participação dos órgãos responsáveis.

Isso inclui analisar a situação jurídica das pessoas presas, acompanhar processos pendentes, verificar prisões preventivas que precisam ser revistas e apoiar outras medidas previstas na política de enfrentamento à superlotação.

Prisões preventivas também serão monitoradas

Uma das atribuições da equipe técnica será identificar prisões preventivas decretadas há mais de 90 dias e que ainda estejam pendentes de revisão.

O monitoramento está relacionado à previsão legal de revisão periódica da necessidade da prisão preventiva.

A central também deverá levantar incidentes de execução penal pendentes de análise e produzir dados sobre o percentual de presos preventivos por vara criminal e por unidade prisional.

As informações passarão a integrar o acompanhamento da ocupação dos estabelecimentos.

A estrutura também poderá contribuir com mutirões carcerários e manter articulação com magistrados que atuam em audiências de custódia, varas criminais e varas de execução penal.

Presos próximos da família

Outra atribuição prevista é o apoio ao chamado zoneamento penitenciário.

A medida busca verificar, sempre que possível e observadas as regras aplicáveis ao sistema prisional, a possibilidade de a pessoa privada de liberdade permanecer em uma unidade próxima ao seu meio social e familiar.

A equipe técnica também deverá identificar pessoas presas em situações de vulnerabilidade acrescida, para que essas condições sejam consideradas nas ações de regulação.

Dados sobre presídios deverão ser atualizados

O funcionamento da central dependerá da atualização e do compartilhamento de informações sobre população carcerária, número de vagas e taxas de ocupação.

A equipe técnica deverá identificar e corrigir eventuais inconsistências nos bancos de dados, com possibilidade de atuação conjunta dos setores de Tecnologia da Informação do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) e da Administração Penitenciária.

O tratamento dessas informações deverá seguir as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Os resultados das ações de regulação também deverão ser divulgados, respeitando as restrições legais relacionadas à proteção de dados pessoais.

Objetivo é controlar a superlotação

A implantação da CRV integra uma estratégia nacional voltada à prevenção, controle e enfrentamento da superlotação do sistema penitenciário.

A medida está relacionada ao Plano Pena Justa, criado para enfrentar problemas estruturais das prisões brasileiras após o Supremo Tribunal Federal (STF) reconhecer, no julgamento da ADPF 347, a existência de um “estado de coisas inconstitucional” no sistema prisional brasileiro.

As Centrais de Regulação de Vagas integram uma política desenvolvida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), com apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Na Paraíba, uma comissão executiva e uma equipe técnica foram designadas para conduzir a implantação da estrutura, com atuação articulada com o Poder Judiciário.

A portaria com as primeiras medidas para colocar a Central de Regulação de Vagas Prisionais da Paraíba em funcionamento entrou em vigor nesta terça-feira.

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