Josival Pereira
Josival Pereira
Josival Pereira, natural de Cajazeiras (PB), é jornalista, advogado e editor-responsável por seu blog pessoal. Em sua jornada profissional, com mais de 40 anos de experiência na comunicação, atuou em várias emissoras Paraibanas, como diretor, apresentador, radialista e comentarista político. Para além da imprensa, é membro da Academia Cajazeirense de Letras e Artes (Acal), e foi também Secretário de Comunicação de João Pessoa (2016/2020), Chefe de Gabinete e Secretário de Planejamento da Prefeitura de Cajazeiras (1993/1996).

A campanha eleitoral na Paraíba está morna e pobre em fatos e ideias

Candidatos e partidos estão produzindo praticamente apenas os fatos planejados e previsíveis.

A campanha eleitoral deste ano de 2026 tem um traço marcante até o momento: poucas novidades, quase nenhuma emoção.
Candidatos e partidos estão produzindo praticamente apenas os fatos planejados e previsíveis.


Mais recentemente, no momento do fechamento das chapas para homologação das candidaturas, somente a escolha do candidato a vice-governador na chapa do governador Lucas Ribeiro (PP) causou certo moído, com expectativa sobre reação do presidente da Assembleia, deputado Adriano Galdino, após a falta de acordo sobre possível escolha de seu nome para vice e o descarte de outros especulados candidatos.


Das convenções para cá, um fato de fora para dentro mexeu um pouco com os nervos na campanha, que foi a divulgação de uma rodada de pesquisas, na semana passada, especialmente, os números do Instituto Quaest, registrando crescimento dos índices de intenção de voto do governador Lucas Ribeiro e do senador Efraim Morais e queda nos números do candidato Cícero Lucena.


Puxando com pinça fatos que chamam a atenção na campanha, talvez ainda dê para registrar as atitudes que demonstrariam colaboração entre os candidatos Efraim Filho e Cícero Lucena nos debates. Nenhuma das duas campanhas assume o possível jogo de parceria dos dois candidatos de oposição para tentar encurralar o governador nos embates organizados pela imprensa, mas também não há desmentidos.


Haveria uma razoável explicação para a estiagem de fatos novos na campanha na Paraíba. A precocidade na disputa. Todos os candidatos a governador se lançaram abertamente no início de 2025 e já ensaiavam no segundo semestre de 2024.


Desse modo, rompimentos e alianças foram consumados nos primeiros movimentos da pré-campanha. O senador Efraim Filho deixou o União Brasil e se descolou da família Cunha Lima em julho de 2025. O então prefeito Cícero Lucena se afastou do esquema liderado pelo governador João Azevedo em setembro, sem antes não ter havido escaramuças internas por mais de seis sobre a definição de critérios para escolha do candidato a governador. O presidente da Assembleia, Adriano Galdino, resistiu como pode e tentou encontrar ancoragem para sua candidatura, porém acabou se acomodando na aliança PP/Republicanos após garantir a manutenção do poder na Assembleia.


Jogado abertamente, o jogo da disputa por apoios de prefeitos e lideranças também foi adiantado e acabou que o governo manteve o apoio da maioria dos gestores municipais. Ficou tudo dividido e repartido com bastante antecedência. Nesse campo, parece restar aberto apenas a movimentação do candidato ao Senado, Nabor Wanderley, na busca de transformar prefeitos em trânsfugas e conquistar apoios de indefinidos.


Não existe também nenhuma novidade significativa nos programas de governo dos candidatos nem nas estratégias de campanha.
Em suma, a campanha eleitoral anda morna e pobre em fatos e ideias e talvez não apareça mais nenhuma grande novidade, além daquelas que começam a se desenhar dentro da própria disputa, que se prenunciam limitadas.


Lamente-se, então, que um momento tão propício ao aprofundamento do debate sobre problemas e projetos de desenvolvimento do Estado seja desperdiçado em ralas discussões de questões pontuais e reles interesses eleitorais.

COMPARTILHAR:

Mais do Colunista

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.