Milton Leite se apresenta à polícia e é preso em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

Ele era considerado foragido desde a quinta-feira (17) quando agentes não o encontraram em seu endereço residencial.

Imagem: Reprodução

O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite se apresentou à polícia em Mogi das Cruzes, região metropolitana da capital, nesta sexta-feira (18). Ele foi preso por força de um mandado de prisão temporária, por 30 dias, expedido pela Justiça.

O político se entregou na sede da Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) de Mogi, onde tramitou o inquérito.

Uma investigação da Polícia Civil e do Ministério Público apura suspeitas de ligação entre empresas de ônibus e integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital).

Leite era considerado foragido desde a quinta-feira (17) quando agentes não o encontraram em seu endereço residencial. Ele havia dito que se apresentaria em 24 horas e negou as suspeitas.

“Nego veementemente, não conheço ninguém do PCC nessa vida. A minha relação com o setor (de transportes) foi institucional, a pedido do então prefeito Bruno Covas. Não há nenhuma hipótese de eu ser dono [da Transwolff].”

A operação mira suspeitas de que empresas de ônibus que prestam serviço de transporte coletivo em municípios paulistas passaram a ser administradas por integrantes da facção após a obtenção de licitações.

Os investigadores dizem que Leite seria o verdadeiro dono da Transwolff, empresa que gerenciou durante anos linhas de ônibus da capital paulista e cujo contrato foi rompido por suspeitas de envolvimento com o PCC. O pedido contra o ex-vereador se baseou em duas circunstâncias em que seu nome foi mencionado por terceiros.

– Entenda o que se sabe sobre a investigação que envolve Milton Leite

A polícia continuou as buscas e se dirigiu nesta sexta até a cidade de Sorocaba para localizar o ex-vereador. O alvo foi o imóvel de um assessor ligado a Milton Leite. O político não foi encontrado, mas autoridades apreenderam cerca de R$ 740 mil em dinheiro vivo no local, parte disso em dólares.

Há também suspeita de corrupção de funcionários públicos e de envolvimento do PCC no financiamento de campanhas nas eleições para prefeitos e vereadores em 2024, assim como na atual disputa.

Ao todo, 16 pessoas foram alvo das ordens de prisão na quinta-feira e houve mandados de busca e apreensão em 18 endereços. A ação foi realizada em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.

Operação Vectura Corrupta foi realizada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil, em cumprimento a mandados expedidos pela 8ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo e pela Vara Estadual de Garantias de Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Direitos.

Um dos presos é Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans de 2019 e fevereiro de 2025. A investigação apontou que ele teve encontros periódicos com José Daniel Satilite, outro investigado por susposta ligação com a facção, com a finalidade de tratar de interesses do PCC relacionados a empresas de transporte público.

A Polícia Civil vê elos da facção criminosa em todas as empresas que operam linhas de bairro em São Paulo.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirma que a intervenção determinada pela gestão na Transwolff, em abril de 2024, foi uma medida firme e decisiva para proteger o sistema municipal de transporte.

“Desde o início das investigações, a prefeitura agiu com rigor, inclusive encerrando contrato a fim de preservar o interesse público e garantir que a população não fosse prejudicada.”

“A operação realizada nesta quinta-feira (17) reforça a gravidade dos fatos que motivaram as providências adotadas pela Prefeitura. A administração colabora integralmente com o Ministério Público, fornecendo todos os documentos e esclarecimentos necessários.”

 

 

TULIO KRUSE, LEANDRO MACHADO, ANDRÉ FLEURY MORAES E ROGÉRIO PAGNAN / Folhapress

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