Marcos Vanucci, jornalista e candidato a deputado federal por São Paulo pelo PL, transformou a própria prisão em plataforma eleitoral. Em sabatina ao Jornal Novabrasil SP, ele reafirmou que fazia cobertura jornalística em Brasília quando foi detido, no dia seguinte aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, e disse que passou a representar oficialmente a pauta dos presos políticos.
A entrevista foi conduzida pelos jornalistas Maira Di Giaimo e Heródoto Barbeiro.
“Eu estava onde a notícia estava“
Vanucci, que já trabalhou na CBN, disse ter ido a Brasília cinco vezes para dar voz a manifestantes bolsonaristas, já que, segundo ele, a imprensa tradicional não cobria os atos. Na quinta viagem, cobriu o 8 de janeiro e foi preso no dia seguinte.
“Entendi que eu precisava estar onde a notícia está“, afirmou.
Vanucci enfrentou o processo por “aderir e instigar a manifestação que resultou na invasão e depredação dos Três Poderes”, segundo denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da União. Já em investigação da rede Aos Fatos, o jornalista, que passou a noite em um dos acampamentos de Brasília, ajudou a espalhar notícias enganosas que afirmava haver “infiltrados de esquerda” nos atos golpistas.
Pós-graduado em direito penal, ele classificou os processos do 8 de janeiro como “nulos”. Para o candidato, a tramitação dos casos deveria ser na na primeira instância.
“São processos completamente nulos, abarrotados de fraudes processuais“, disse, citando o chamado foro de prerrogativa como motivo da aceleração dos julgamentos.
Da prisão à política
Ficou 70 dias detido e mais um ano e meio em monitoramento eletrônico, sem acesso a redes sociais. Foi nesse período, segundo ele, que decidiu entrar na política. Tentou uma vaga de vereador em São Paulo em 2024, sem sucesso, e agora concorre à Câmara dos Deputados.
“Represento todos os presos políticos, porque a gente precisa buscar por justiça“, declarou.
Vanucci afirmou que existem hoje cerca de 300 pessoas presas ou monitoradas no Brasil por causa dos atos, além de 400 exilados na Argentina fugindo de condenações. Disse ainda ter cobrado pessoalmente o presidente argentino Javier Milei sobre prisões de brasileiros no país vizinho.
Guarulhos como base eleitoral
Reduto do candidato, Guarulhos soma cerca de 940 mil eleitores, o segundo maior colégio eleitoral do estado. Vanucci disse aparecer com 4% das intenções de voto na cidade, mesmo sem citação nominal em pesquisa orgânica. Como proposta central, afirmou que seu compromisso é trabalhar pela responsabilização de quem, segundo ele, prendeu inocentes.
Ataques a Moraes e à imprensa
Ao mesmo tempo, o candidato reservou as críticas mais duras ao ministro Alexandre de Moraes, a quem acusou de perseguir jornalistas e de manter relação com o banqueiro André Esteves Vorcaro. Também classificou a imprensa tradicional como cúmplice de um “consórcio” entre Judiciário e o governo Lula.
“Alexandre de Moraes está mandando no país, perseguindo jornalistas“, disse.
Sobre o 8 de janeiro, evitou o termo “tentativa de golpe” e definiu o episódio como uma “catarse” popular.
Defende companheiros de partido investigados
Já sobre colegas do PL alvo de investigações, como Mário Frias e Cesinha de Medeiros, Vanucci disse que crimes devem ser apurados independentemente de legenda, mas rejeitou qualquer ligação automática entre a conduta de outros parlamentares e sua própria candidatura.
“O teu comportamento não pode refletir na minha pessoa“, afirmou.
A entrevista com Marcos Vanucci (PL) integra a série do Jornal Novabrasil SP com candidatos a deputado federal por São Paulo. A sabatina completa está disponível no canal Jornalismo Novabrasil, no YouTube:

