Greve dos Correios termina na Paraíba e trabalhadores retomam atividades nesta sexta-feira (25)

Paralisação começou em 11 de setembro; TST considerou movimento não abusivo, fixou reajuste de 4,09% e determinou compensação dos dias parados.

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.

Os trabalhadores dos Correios na Paraíba decidiram encerrar a greve e retomar as atividades nesta sexta-feira (25), após duas semanas de paralisação no estado.

A decisão foi tomada em assembleia realizada na noite desta quinta-feira (24), segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos na Paraíba (Sintect-PB).

O encerramento ocorreu no mesmo dia em que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) concluiu o julgamento do dissídio coletivo da categoria e determinou o retorno dos trabalhadores às atividades.

A paralisação havia começado na Paraíba em 11 de setembro, após assembleias realizadas em João Pessoa e Campina Grande.

TST considerou greve não abusiva

No julgamento desta quinta-feira, a Seção Especializada em Dissídios Coletivos do TST decidiu, por maioria, que a greve nacional dos trabalhadores dos Correios não foi abusiva.

A estatal havia pedido o reconhecimento da abusividade do movimento e alegado descumprimento de uma decisão anterior que determinava a manutenção de 80% do efetivo em áreas essenciais da operação.

O pedido não prevaleceu.

O Tribunal também manteve a data-base da categoria em 1º de agosto e definiu reajuste salarial de 4,09%, com reflexos em benefícios vinculados à correção.

Entre eles estão vale-refeição e alimentação, reembolso-creche, reembolso-babá, vale-transporte e auxílio destinado a empregados e dependentes com deficiência.

Dias parados serão compensados

Os dias de paralisação não deverão ser simplesmente descontados dos salários.

O TST autorizou a compensação por meio de mutirões de trabalho, inclusive aos fins de semana, com a finalidade de reduzir o volume de objetos e encomendas acumulados durante a greve.

A forma prática dessa compensação deverá ser organizada entre a empresa e as representações dos trabalhadores.

A decisão leva em consideração o passivo logístico formado durante o movimento e a necessidade de normalização das entregas.

Plano de saúde terá mudança

Outro ponto central da negociação foi a assistência à saúde dos trabalhadores.

Pela decisão do TST, os Correios deixarão de atuar como mantenedores exclusivos do atual modelo do plano de saúde.

A empresa deverá passar a oferecer um subsídio empresarial para o Benefício de Assistência à Saúde, conforme regulamentação específica.

Até que o novo modelo seja efetivamente implantado, continua valendo o Correios Saúde II.

O plano de saúde estava entre os principais pontos de divergência entre a estatal e as entidades sindicais durante as negociações.

Greve durou duas semanas na Paraíba

Na Paraíba, a categoria havia aprovado a paralisação após assembleias realizadas no dia 10 de setembro.

O movimento começou no dia seguinte.

Durante a greve, segundo o presidente do Sintect-PB, Tony Sérgio, parte dos serviços administrativos internos continuou funcionando, enquanto as atividades diretamente afetadas pela paralisação sofreram redução.

Entre as reivindicações apresentadas pela categoria estavam a recomposição salarial pelas perdas inflacionárias, manutenção de benefícios, condições do plano de saúde e críticas ao processo de reestruturação da empresa.

Entregas podem levar tempo para normalizar

Embora o retorno ao trabalho ocorra nesta sexta-feira, a normalização completa das entregas pode não ser imediata.

A própria decisão do TST prevê mutirões para enfrentar o volume de correspondências e encomendas represadas durante os dias de paralisação.

Usuários que aguardam objetos devem continuar acompanhando o rastreamento pelos canais oficiais dos Correios.

Até esta atualização, não havia sido divulgado um prazo específico para a normalização integral das entregas na Paraíba.

O que ficou decidido

Fim da greve na Paraíba: quinta-feira (24)

Retorno ao trabalho: sexta-feira (25)

Reajuste salarial: 4,09%

Data-base: 1º de agosto de 2026

Greve foi considerada abusiva? Não

Dias parados: deverão ser compensados

Plano de saúde: terá novo modelo; regras atuais continuam até a mudança

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