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Santa Casa e UniSalesiano anunciam reforma e ampliação do CTO

Centro de Tratamento Oncológico receberá investimento de R$ 3,7 milhões, abrindo caminho para que a unidade se transforme em um Hospital do Câncer

Anúncio foi feito nesta segunda-feira por representantes do UniSalesiano e da Santa Casa, com a presença de autoridades | Foto: Divulgação

As diretorias da Santa Casa de Araçatuba (SP) e do UniSALESIANO anunciaram nesta segunda-feira (26) o início das obras de reforma e revitalização do Centro de Tratamento Oncológico da Santa Casa. O investimento é de R$ 3.717.605,54, aporte que será feito pelo UniSALESIANO através do Curso de Medicina, seguindo diretrizes do programa Mais Médicos.
 
Será a primeira grande reforma desde 2002, ano da inauguração do prédio, concebido para centralizar em Araçatuba e humanizar o atendimento a pacientes dos 40 municípios da região. Até então, esses pacientes precisavam ser encaminhados a Barretos, Jaú e, em alguns casos, à capital paulista, deslocamentos longos, penosos para quem já enfrentava a fragilidade da doença e onerosos para os cofres públicos municipais.
 
Passados 23 anos, a unidade experimentou uma expansão expressiva tanto na oferta de serviços quanto na demanda assistencial. Se, nos primeiros anos, o número de pacientes atendidos mensalmente não ultrapassava dois dígitos, hoje a frequência alcança a casa dos milhares, dando origem a filas incompatíveis com a urgência que o tratamento exige.

Em 2025, o CTO registrou média de 2.065 pacientes por mês, volume que resultou em mais de 30 mil atendimentos ao longo do ano.
 
Pressionada pelo crescimento exponencial dos casos de câncer, hoje com média de 70 novos pacientes por mês, pela expansão demográfica da região de Araçatuba e pelo avanço acelerado da demanda por tratamentos, estimado em cerca de 10% ao ano e que projeta mais de 90 mil atendimentos daqui a 10 anos, a estrutura física do CTO tornou-se insuficiente.

Projeto mostra como ficará o espaço para a quimioterapia de adultos no CTO da Santa Casa de Araçatuba | Foto: Divulgação

Porta de entrada

Principal porta de entrada para os serviços oncológicos da Santa Casa de Araçatuba, a unidade concentra diagnóstico, cirurgias, terapias especializadas e atendimentos multidisciplinares, mas já não comporta, com a mesma eficiência, o volume crescente de pacientes.
 
“Quando falamos em 70 novos pacientes por mês, mais de 30 mil atendimentos por ano e uma projeção que pode ultrapassar 90 mil em 2035, não estamos falando de números abstratos. Estamos falando de pessoas que não podem esperar. Uma estrutura inaugurada em 2002 simplesmente não responde mais a essa realidade”, afirmou Dr. Éverton Santos, provedor da entidade, ao explicar as razões que levaram à decisão tripartite da Santa Casa de Araçatuba, Prefeitura Municipal de Araçatuba e UniSALESIANOde investir recursos neste projeto.

O dobro de espaço

Para acompanhar o fluxo atual de pacientes e absorver o crescimento da demanda projetado para a próxima década, o prédio do CTO será ampliado para 1.929,86 metros quadrados de área funcional, ou seja, mais que o dobro dos atuais 843,41 metros quadrados.

O acréscimo de 128,8% resulta das reformas e ampliações em toda a área do primeiro andar do prédio, anteriormente ocupada por setores administrativos, que foram transferidos em junho do ano passado para o Centro Administrativo da Santa Casa de Araçatuba. Soma-se a isso a incorporação de mais 115,98 metros quadrados, obtidos com novas ampliações no pavimento térreo e nas áreas do entorno da unidade.

Mais serviços e conforto

A ampliação e a modernização do prédio permitirão a reorganização e a segmentação dos fluxos de atendimento. No primeiro andar, onde terão início as obras, ficarão concentrados todos os serviços diretamente ligados ao tratamento dos pacientes: 7 consultórios médicos, 1 farmácia de quimioterápicos com área 3vezes maior que a atual, postos de enfermagem e alas destinadas à aplicação de quimioterapia.

Esses espaços serão ambientados de forma diferenciada, com estruturas específicas para adultos e para pacientes infantojuvenis, garantindo maior conforto, eficiência e humanização no atendimento.
 
A capacidade para sessões de quimioterapia será significativamente ampliada: o número de poltronas passará de 19 para 43. Desse total, 13 serão destinadas exclusivamente ao atendimento de pacientes infantojuvenis, instaladas em uma ala com ambiência lúdica, pensada para tornar o tratamento mais acolhedor e menos traumático para crianças e adolescentes.

Consultório médico após a obra de reforma e ampliação: mais conforto para os pacientes e profissionais | Foto: Divulgação

Segunda etapa

Na segunda etapa, as intervenções avançarão para o pavimento térreo, que passará a concentrar as unidades de acolhimento e de abordagem integrada e multidisciplinar dos pacientes. O espaço abrigará recepção, sala de espera, atendimentos multidisciplinares, a assistência da Campanha de Combate ao Câncer e mais dez consultórios médicos. Ao todo, o projeto prevê 17 consultórios, número quase 100% superior aos 9 existentes na estrutura atual.
 
O projeto prevê ainda a modernização completa da infraestrutura, com a requalificação das redes de gases medicinais e de energia elétrica, além de intervenções de paisagismo em todo o entorno do prédio. Estão incluídas a interligação dos 2 andares por elevadores, a implantação de sinalização hospitalar indicativa, a adoção de sistema eletrônico para organizar e agilizar o fluxo de pacientes e acompanhantes e a atuação de orientadores de fluxo, garantindo maior eficiência, segurança e conforto no atendimento.

Leitos para quimioterapia

O pavimento contará ainda com uma estrutura de apoio destinada a pacientes mais debilitados ou impossibilitados de receber as infusões de quimioterapia em poltronas. Serão disponibilizados 19 leitos, ampliando significativamente o conforto e a acessibilidade ao tratamento. Atualmente, o prédio dispõe de apenas 6 leitos desse tipo.
 
A estrutura foi concebida para permitir, no futuro, a implantação de leitos no modelo de hospital-dia, uma modalidade intermediária entre o atendimento ambulatorial e a internação, com permanência máxima de até 12 horas. O formato possibilita cuidados contínuos e menos invasivos, contribuindo para evitar internações prolongadas.
 
“O projeto também foi pensado para expansões futuras, como a implantação de um hospital infantil e de uma área exclusiva para o atendimento integral à mulher, desde a atenção preventiva até o cuidado especializado”, explica a arquiteta hospitalar Gislaine Bianchi, do Departamento de Arquitetura e Engenharia da Santa Casa de Araçatuba, responsável pela elaboração do projeto.

Estratégia de longo prazo

Mais do que uma intervenção estrutural, a ampliação do CTO integra uma estratégia de longo prazo voltada à reorganização e ao fortalecimento da assistência oncológica na região. A obra foi concebida como etapa fundamental de um projeto mais amplo, pensado não apenas para responder à demanda atual, mas para sustentar um novo modelo de cuidado: integrado, resolutivo e alinhado às exigências técnicas da alta complexidade em oncologia.

É nesse contexto que o provedor da Santa Casa de Araçatuba projeta um salto institucional decisivo: “A reforma do CTO não é um ponto de chegada, é um ponto de inflexão. Ela abre o caminho para a transformação da unidade em um Hospital do Câncer e para o credenciamento como CACON(Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia) permitindo atendimento oncológico integral, com diagnóstico, cirurgia, quimioterapia e radioterapia em uma única estrutura”. 

CACON é denominação dada pelo  SUS à unidades de maior complexidade,  estruturadas e habilitadas   em diagnóstico e tratamento integral para todos os tipos de câncer, incluindo quimioterapia, radioterapia  e cirurgias oncológicas. Mesmo credenciado como UNACON (Unidade de Alta Complexidade em Oncologia), o Serviço de Oncologia da Santa Casa de Araçatuba está estruturado e já realiza todos esses serviços, exceção apenas ao tratamento de câncer de olho e temporariamente, o câncer infantojuvenil.

Espaço também terá uma brinquedoteca para as crianças | Foto: Divulgação

Estilo e Cronograma

O projeto segue princípios de humanização biofílica, que incorporam elementos da natureza como aliados no processo de recuperação dos pacientes, e de neuroarquitetura, abordagem que integra ciência e arquitetura na concepção de ambientes capazes de influenciar positivamente o cérebro, as emoções e o comportamento humano por meio de estímulos como luz, cores, texturas e sons. “Todo o prédio foi repensado para promover boas sensações nos pacientes”, resume A Arquiteta Gislaine Bianchi. 
 
Orçado em R$ 3.717.605,54, o projeto será executado pela A3F Engenharia e Construções LTDA EPP e tem prazo de entrega estimado em 12 meses. As obras foram iniciadas nesta segunda-feira, com intervenções no primeiro andar do prédio. Nesta etapa inicial, os trabalhos se concentram em demolições internas e na retirada de entulhos por acessos externos, estratégia adotada para reduzir impactos sobre a rotina de atendimento da unidade.

Atividades do CTO serão mantidas durante as obras

Durante a execução das obras, as atividades do CTO serão mantidas sem interrupção. Segundo o Departamento de Arquitetura e Engenharia, serão adotadas medidas específicas para que os trabalhos provoquem o menor impacto possível na rotina de atendimentos do CTO e das unidades do entorno. “Serviços que geram maior nível de ruído, por exemplo, serão programados para o período noturno ou para fins de semana e feriados”, esclareceu a arquiteta Gislaine Bianchi.
 
O cronograma prevê que, inicialmente, as intervenções fiquem concentradas no primeiro andar. Ao longo dessa fase, porém, as obras também avançarão para o pavimento térreo, de forma que, ao final do prazo de 12 meses, ambos os pavimentos estejam integralmente concluídos e em operação.

Terceira etapa

Em uma terceira etapa, o projeto avança para a expansão física da unidade, com a instalação de equipamentos de diagnóstico por imagem e a integração do CTO ao prédio da Central de Radioterapia. Com isso, a Santa Casa de Araçatuba consolida um novo patamar de atendimento oncológico, ampliando capacidade, eficiência e humanização, e reforçando seu papel como referência regional no cuidado ao paciente em tratamento contra o câncer.

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