A Polícia Civil da Paraíba passa a investigar como infanticídio a morte de um recém-nascido encontrado entre as paredes de duas residências no distrito de Cupissura, localizado entre os municípios de Caaporã e Alhandra, no Litoral Sul do estado, na terça-feira (19).
O bebê, que havia sido resgatado com vida, morreu ainda na noite da última terça-feira (19) após permanecer internado no Hospital Edson Ramalho, em João Pessoa. Com a confirmação do óbito, o caso passou a ser investigado sob novo enquadramento, após ter sido inicialmente tratado como tentativa de infanticídio.
De acordo com informações da Polícia Civil, a adolescente mãe do recém-nascido deve responder por atos infracionais análogos aos crimes de aborto e infanticídio. A 6ª Delegacia Seccional de Polícia Civil representou à Justiça pela internação provisória da jovem.
A adolescente está internada na maternidade Cândida Vargas, na capital paraibana, onde recebe atendimento médico.
A residência da jovem fica ao lado do imóvel onde o bebê foi encontrado, no distrito de Cupissura. Segundo a Polícia Civil, a adolescente teria ingerido chás com a intenção de interromper a gestação. Na madrugada do dia 19, ela teria sentido fortes dores e realizado um parto prematuro sozinha, no banheiro de casa. Em seguida, ainda conforme a investigação, teria envolvido o recém-nascido e o deixado entre os muros das residências, onde o bebê foi localizado horas depois por moradores da região.
O caso
De acordo com as primeiras informações, o bebê estava preso entre duas paredes de duas casas e precisou ser retirado por equipes de resgate. Para alcançar a criança, os socorristas tiveram que quebrar parte do muro.
Inicialmente, o recém-nascido foi atendido por equipes do Samu e encaminhado para uma unidade de saúde em Alhandra. Em seguida, foi transferido pelo helicóptero Acauã para o Hospital de Trauma de João Pessoa. Depois, a criança foi levada ao Hospital Edson Ramalho, referência no atendimento materno-infantil. Apesar dos esforços da equipe médica, o bebê não resistiu e morreu.
Conforme com o diretor-geral do hospital, Dr. Aluízio Lopes, o recém-nascido sofreu nove paradas cardiorrespiratórias antes de ter a morte confirmada na noite de terça-feira (19). A criança deu entrada na unidade pesando cerca de 1,550 kg, medindo 35 centímetros e, segundo a avaliação médica, tinha aproximadamente 30 semanas de gestação.
Uma adolescente de 17 anos foi identificada como a mãe do recém-nascido. Ela prestou depoimento ainda na terça-feira (19), na Delegacia de Alhandra. A tia da jovem, com quem ela morava, também foi ouvida pelos investigadores.
Informações iniciais da investigação apontam que a gravidez teria sido mantida em sigilo até o momento do parto. Até a última atualização do caso, o pai da criança não havia sido identificado oficialmente.



