Pode ou não pode alimentar gatos em condomínio? Ministério Público apura conflito na Paraíba

A apuração começou depois que moradores contrários à suposta proibição procuraram o Ministério Público e relataram conflitos dentro dos condomínios.

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) abriu uma apuração após moradores denunciarem que condomínios residenciais de Campina Grande estariam proibindo defensores da causa animal de alimentar e cuidar de gatos que entram nos empreendimentos.

A Promotoria de Justiça do Meio Ambiente e Patrimônio Social vai notificar responsáveis pelos residenciais Nenzinha Cunha Lima, Vila Nova da Rainha e Alphaville para que prestem esclarecimentos.

Os síndicos e/ou condôminos notificados terão 10 dias, a partir do recebimento da comunicação, para informar se existe decisão tomada em assembleia de moradores proibindo a alimentação dos animais.

A existência e a legalidade de eventual proibição ainda estão sendo apuradas pelo Ministério Público.

Moradores procuraram o MPPB

A apuração começou depois que moradores contrários à suposta proibição procuraram o Ministério Público e relataram conflitos dentro dos condomínios.

Segundo as denúncias, alguns condôminos estariam impedindo que os animais recebessem comida e cuidados dentro dos residenciais.

Os relatos foram apresentados durante uma audiência realizada na terça-feira (1º) na unidade do MPPB em Campina Grande.

O encontro teve participação de representantes ligados à causa animal e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Ministério Público vai verificar se houve decisão em assembleia

O promotor Hamilton de Souza Neves Filho determinou a notificação dos responsáveis para esclarecer se a restrição foi formalmente aprovada pelos moradores dos condomínios.

O Ministério Público também pretende verificar as circunstâncias em que os gatos permanecem nesses locais e se há eventual violação das normas estaduais de proteção e bem-estar animal.

A apuração considera a Lei Estadual nº 14.421/2026, que estabelece garantias relacionadas ao bem-estar dos animais em espaços públicos e privados.

Condomínios podem ser alvo de ação judicial

Caso a denúncia seja considerada procedente, o Ministério Público poderá adotar medidas para questionar judicialmente eventual proibição.

Segundo a Promotoria, uma das possibilidades é buscar a anulação de regras que impeçam a alimentação dos animais, caso elas sejam consideradas incompatíveis com a legislação.

Isso não significa, entretanto, que moradores possam colocar alimentos em qualquer área ou de qualquer maneira.

De acordo com o MPPB, eventual alimentação deverá ocorrer em espaço adequado, conciliando a proteção aos animais com o direito de propriedade e os direitos dos demais moradores.

Caso ainda está em fase de apuração

Neste momento, o Ministério Público busca reunir informações antes de decidir quais providências serão adotadas.

Os condomínios citados terão a oportunidade de apresentar suas versões e esclarecer se existem normas internas ou decisões de assembleia relacionadas ao caso.

Somente após a análise das respostas e dos demais elementos reunidos será possível definir se houve irregularidade e se serão necessárias medidas extrajudiciais ou judiciais.

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