O
vereador Carlão (PSDC) apresentou, na sessão desta terça-feira
(10), a proposta para concessão do Título de Cidadão Pessoense
para o deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ). O projeto dividiu opiniões
na Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP). Além da discussão no
pequeno expediente, onde cada parlamentar tem direito a falar por até
cinco minutos, o assunto foi tema de pronunciamento da vereadora
Sandra Marrocos (PSB) e dos vereadores Marcos Henriques (PT) e do
próprio Carlão.
“É
um absurdo essa Casa conceder o Título de Cidadão Pessoense para
Bolsonaro. Para isso, primeiro tem que se fazer algum serviço
relevante para a cidade de João Pessoa. O que foi que esse rapaz fez
de relevante? Ele fez um desserviço para a humanidade”, afirmou a
vereadora citando declarações do parlamentar que caracterizou como
machistas, racistas e homofóbicas.
Sandra
Marrocos continuou com o posicionamento contrário à honraria
proposta. “Um ano atrás, ele (Bolsonaro) desrespeitou o povo
indígena. Ele é misógeno quando diz que nós mulheres temos que
ganhar menos que os homens por que engravidamos, fui mãe três vezes
e a maternidade nunca me deixou maior nem menor do que os outros. Ele
diz que precisamos nos defender com armas, quando temos que investir
em políticas públicas de prevenção. Não darei esse título a
esse cidadão que prega que bandido bom é bandido morto”,
argumentou.
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O
vereador Humberto Pontes (Avante) citou o regimento da Casa em que
diz que as honrarias são concedidas a quem comprovadamente tenha
prestado relevantes serviços a João Pessoa e ao Estado. “Que
serviço prestado ele tem à cidade? Esta Casa não aceita. Confio
nos pares da CCJ que irão honrar o Regimento Interno. Mas se a CCJ
entender como constitucional, que o Plenário rejeite o projeto”,
enfatizou.
Para
Leo Bezerra (PSB), não há obstrução para que o projeto passe na
Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ). “Quanto ao
aspecto constitucional, não podemos fazer nada. Mas quanto ao
mérito, me posiciono contra. Não conheço nenhuma obra, ação ou
emenda que ele tenha trazido para a Paraíba”, afirmou.
Tibério
Limeira (PSB) questionou a atuação do deputado até no Estado pelo
qual é deputado, o Rio de Janeiro. “Em 26 anos de atuação
parlamentar, qual o projeto relevante que ele apresentou?
Absolutamente nenhum. A aprovação desse projeto será muito ruim
para a CMJP. Ele não merece nem mesmo para o estado que nasceu,
porque não produziu nada nem para lá. Com todo respeito, faremos o
debate democrático, mas encaminhamos pela rejeição ao título”,
revelou.
“Protocolei
o Título de Cidadão Pessoense ao deputado Bolsonaro pelo seu
relevante trabalho feito pela nação. Quem faz pela nação, faz
pela Paraíba e por João Pessoa. Ele trabalha contra a erotização
de crianças e não foi envolvido em um grande mar de corrupção que
assola Brasília e o Distrito Federal. Ele representa uma parcela da
sociedade que luta contra a corrupção”, afirmou Carlão,
defendendo a honraria proposta e criticando a cidadania concedida
pela CMJP, há 20 anos e entregue em 2017, ao ex-presidente da
República Luís Inácio Lula da Silva, a quem chamou de condenado.
Carlão
continuou defendendo sua proposta durante seu pronunciamento:
“Apresentei por que entendo ser uma iniciativa louvável. Ele está
resgatando uma nova política, trazendo uma política conservadora e
de direita que aqui é taxada como misógena, homofóbica. Ele diz
não ao aborto e sim à vida; diz para que tenhamos austeridade e
força na segurança pública para que o empresário não seja
assaltado nem nossas filhas abusadas”, ressaltou.
Para
Thiago Lucena (PMN), a concessão de honrarias deve ser mais precisa
e seguir o Regimento Interno. “A concessão de honrarias precisa
deixar de ser discussão ideológica e passar a ser matemática”,
acredita Thiago. Já o vereador João Almeida (Solidariedade),
defende que todas as opiniões devem ser respeitadas. “Temos que
respeitar o contraditório e a opinião de cada um aqui”, afirmou
João Almeida destacando que foi a favor da concessão da cidadania
para Lula, como é a favor da honraria para Bolsonaro.
Em
pronunciamento, o vereador Marcos Henriques leu uma nota de repúdio
do Conselho Municipal do PCdoB de João Pessoa contra a concessão.
Por sua vez, o parlamentar elencou diversas ações do governo do
ex-presidente Lula no Estado que o motivaram a entregar a cidadania
pessoense em 2017.
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“Algumas
questões que motivaram Lula a receber o Título de Cidadão
Pessoense foram mais de 60 mil famílias beneficiadas com o Bolsa
Família na Paraíba; a construção de mais de 10 mil moradias em
João Pessoa. O IFPB transformado em instituto de ensino superior,
ofertando mais de seis mil vagas; a criação de mais de 12 mil vagas
em creches e mais 12 mil vagas de trabalho formal na Capital. Foram
10 mil paraibanos que ultrapassaram a linha de pobreza e cerca de 15
mil alcançaram a classe média”, citou, defendendo o título
concedido ao ex-presidente petista.
O
vereador do PT criticou, ainda, a forma de combate à violência
proposta pelo deputado. “Ele anda dizendo que aquelas pessoas de
sandália e short merecem morrer. Mas em nenhum momento ele fala dos
grandes traficantes, daquela caneta que libera grandes bandidos e dos
traficantes que financiam campanhas. Temos a obrigação de combater
a onda fascista que cresce no país”, declarou Marcos Henriques
questionando o crescimento de 170% do patrimônio do deputado nos
últimos anos e de recursos recebidos por ele de empresa investigada
pela Polícia Federal.
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Clarisse
Oliveira

