Com a volta às aulas sendo organizada para a próxima semana, muitas famílias começam a retomar a rotina das crianças após o período de férias. Junto com esse retorno, um tema segue preocupando pais, educadores e profissionais de saúde: a obesidade infantil, considerada hoje uma questão de saúde pública.
Se já está claro que o tratamento vai além da alimentação e passa, necessariamente, pela prática regular de exercícios físicos, surge uma dúvida comum: criança pode frequentar academia? Existe idade certa? É seguro?
Para responder a essas perguntas, a reportagem acompanhou o exemplo de uma família que transformou o exercício físico em um hábito saudável — sempre com orientação e responsabilidade.
Treino como parte da rotina familiar
Há cerca de oito meses, João Ricardo, de 13 anos, começou a praticar musculação. O compromisso é levado a sério: três vezes por semana, com sessões de aproximadamente uma hora. Antes disso, ele já havia experimentado outras modalidades esportivas, como karatê, capoeira e basquete, até encontrar na musculação uma atividade que unisse prazer e bem-estar.
“Virou um lazer pra mim. Aos poucos, fui percebendo que estava evoluindo, me sentindo melhor”, conta o adolescente, que diz notar mudanças graduais no corpo e na disposição ao longo dos meses.
O diferencial está no acompanhamento. Os pais de João Ricardo são estudantes de Educação Física e fazem questão de supervisionar cada exercício de perto. Mais do que uma obrigação, o treino se tornou um momento compartilhado em família.
“Nem sempre ele está com vontade, como todo adolescente. Mas como isso virou um hábito nosso, ele acaba vindo, treina direitinho e sai animado”, explica a mãe.
Benefícios que vão além do físico
Segundo os pais, os ganhos não se limitam à força ou à resistência muscular. Eles percebem avanços claros na autoestima, na disposição diária e até na postura do filho.
“Quando ele volta do treino, a gente vê que ele se observa mais no espelho, se sente melhor consigo mesmo. Além disso, tem mais energia para as atividades do dia a dia e para as aulas de educação física na escola”, relata o pai.
Como a prática esportiva escolar costuma ser restrita a uma ou duas vezes por semana, a musculação surge como um complemento importante para o desenvolvimento físico, ajudando também na coordenação motora e na saúde das articulações.
Qual é a idade ideal para musculação?
De acordo com profissionais da área, crianças a partir dos 8 anos já podem praticar musculação, desde que o treino seja adaptado à idade, com cargas leves, foco na execução correta e acompanhamento constante.
“O exercício físico nessa fase contribui para o crescimento saudável, melhora o sono, a autoestima e a qualidade de vida como um todo”, explica um educador físico ouvido na reportagem.
No entanto, a orientação profissional é indispensável. Crianças e adolescentes precisam de um olhar atento para evitar lesões, uso inadequado de carga e execução incorreta dos movimentos.
Treinos curtos e bem orientados
A recomendação é que o treino seja curto e eficiente: cerca de 30 minutos, três vezes por semana, já são suficientes para gerar benefícios. Durante esse tempo, os profissionais observam postura, respiração, ritmo e limites individuais.
“O mais importante não é o peso, mas a forma correta de executar o exercício. Tudo é feito com cuidado”, reforça o especialista.
Prevenção começa cedo
O exemplo dessa família mostra que a academia pode, sim, ser uma aliada no combate à obesidade infantil quando o exercício é apresentado de forma positiva, segura e integrada à rotina familiar.
Enquanto algumas famílias enfrentam dificuldades sérias relacionadas ao excesso de peso na infância, outras mostram que incentivar hábitos saudáveis desde cedo pode fazer toda a diferença para a saúde física, emocional e social das crianças.
A mensagem final é clara: atividade física não deve ser vista como castigo, mas como investimento em qualidade de vida — hoje e no futuro.



