A Organização Mundial da Saúde (OMS) acompanha um surto de hantavírus registrado a bordo do cruzeiro MV Hondius, no oceano Atlântico. Segundo a entidade, foram confirmadas sete infecções entre passageiros, incluindo três mortes. Apesar da ocorrência, a avaliação atual é de que não há risco de disseminação em larga escala.
O episódio reacendeu a atenção para a hantavirose, infecção viral transmitida por roedores silvestres e considerada rara, mas potencialmente grave. A doença ocorre principalmente após contato com ambientes contaminados por urina, fezes ou saliva de animais infectados, com maior frequência em áreas rurais, agrícolas e florestais.
No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam 1.386 casos confirmados de hantavirose entre 2007 e 2024, com 540 mortes registradas no período.
Os primeiros sintomas incluem febre, dores no corpo, fadiga, dor de cabeça, náuseas e mal-estar. Nas Américas, incluindo o Brasil, em casos mais graves, pode haver agravamento rápido do quadro, com falta de ar intensa e necessidade de suporte hospitalar, podendo avançar para comprometimento dos pulmões e do sistema cardiovascular. Já em regiões da Europa e da Ásia, as formas clínicas podem envolver manifestações hemorrágicas e renais, com alterações na pressão arterial, sangramentos e comprometimento dos rins.
De acordo com especialistas, a transmissão entre pessoas é extremamente rara. A infectologista Rita Medeiros, do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), explica que esse tipo de contágio foi observado apenas em variantes específicas do vírus, incluindo a chamada cepa andina, identificada em países da América do Sul e confirmada em passageiros do navio. “A contagiosidade é muito baixa porque é necessário contato muito próximo e prolongado com a pessoa doente”, ressalta a médica.
Conforme a médica, a transmissão ocorre a partir da exposição às secreções de roedores infectados. “É uma doença viral transmitida através de vírus presentes nas excretas desses animais, como fezes, urina e saliva. A partir desse contato, pode haver formação de aerossóis que ficam suspensos no ar, especialmente em ambientes fechados por muito tempo, e podem ser inalados pelas pessoas”, detalhou.
A OMS reforça que o surto registrado no navio não apresenta características de disseminação sustentada entre pessoas e não configura, neste momento, um cenário de pandemia. A entidade destaca que os casos seguem isolados e sob investigação.
Apesar da elevada taxa de letalidade em alguns quadros, Rita Medeiros destacou que a maioria dos pacientes pode se recuperar quando há diagnóstico precoce e atendimento adequado.
Atualmente, não existe vacina nem tratamento antiviral específico contra o hantavírus, o que torna o suporte clínico fundamental. Como forma de prevenção, autoridades de saúde recomendam controle de roedores e cuidados redobrados na limpeza de ambientes fechados ou com sinais de infestação. A orientação é evitar levantar poeira em locais sem ventilação e utilizar equipamentos de proteção individual quando houver risco de exposição.


