A Polícia Federal investiga se os R$ 30 milhões pagos pela Pixbet para obter autorização de funcionamento em âmbito nacional tiveram origem em dinheiro ilícito. A empresa de apostas esportivas, que tem sede em Campina Grande, foi um dos principais alvos da Operação Arena, deflagrada na quinta-feira (13).
Segundo a investigação, a suspeita é que o valor pago ao Ministério da Fazenda para a obtenção da outorga tenha sido formado com recursos provenientes de uma atividade que, de acordo com a PF, teria funcionado de forma irregular desde 2012.
O caso envolve uma investigação maior sobre lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Para os investigadores, recursos obtidos com apostas esportivas eram enviados para o exterior por meio de empresas de compensação financeira e, posteriormente, retornavam ao Brasil com uma aparência de legalidade.
Como o dinheiro teria sido movimentado
De acordo com a PF, o esquema começaria com o envio de valores provenientes das apostas para empresas localizadas no exterior.
Parte desse dinheiro seria recebida por uma empresa de fachada registrada em Curaçao, território conhecido pelas facilidades oferecidas a empresas estrangeiras. Segundo os investigadores, essa empresa não teria funcionários nem atividade econômica compatível com o volume de recursos movimentados.
Depois, a empresa teria emitido notas fiscais referentes a serviços que, segundo a investigação, não teriam sido realmente prestados. Esses documentos serviriam para justificar a movimentação financeira.
Com base nessas notas, os recursos retornariam ao Brasil como se fossem pagamentos por serviços contratados no exterior. Para a PF, essa operação teria servido para dar aparência lícita a um dinheiro que teria origem criminosa.
A investigação agora busca esclarecer se parte desses recursos foi utilizada para o pagamento dos R$ 30 milhões da outorga que permitiu a atuação nacional da Pixbet.
Pixbet teve operação suspensa
O Ministério da Fazenda determinou a suspensão imediata da atuação da Pixbet. A decisão também prevê o cancelamento das apostas em andamento e a devolução dos valores apostados aos usuários.
A empresa foi alvo de mandado de busca e apreensão em Campina Grande, onde está localizada a sede. Uma residência ligada a um homem apontado pela investigação como possível “laranja” do grupo também foi alvo da ação.
A operação não se restringiu à Paraíba. Ao todo, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão nos estados da Paraíba, São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná.
Além das buscas, a Justiça autorizou a quebra de sigilos bancário e telemático dos investigados e o sequestro de até R$ 1,1 bilhão em bens e valores.
O que a PF investiga
A Operação Arena busca identificar como o dinheiro obtido com apostas esportivas e jogos de azar era movimentado, enviado para outros países e posteriormente reinserido na economia brasileira.
A PF investiga possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e outros delitos contra o sistema financeiro nacional.
Até o momento, as suspeitas fazem parte da investigação e não representam uma condenação. A apuração continua para identificar a participação de cada envolvido e esclarecer a origem dos valores.
Defesa da Pixbet
A defesa da Pixbet informou que não teve acesso à decisão judicial que autorizou a operação e afirmou ter sido pega de surpresa. Segundo os advogados, a empresa deverá se manifestar depois que tiver acesso ao conteúdo da decisão.
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