10 músicas brasileiras que contam histórias reais

A música brasileira sempre encontrou inspiração na vida real. Em muitos casos, compositores transformaram acontecimentos marcantes, encontros inesperados, amores, figuras populares e até notícias de jornal em canções que ganharam o imaginário coletivo. 

Mais do que simples letras, essas músicas funcionam quase como retratos emocionais de uma época, capazes de traduzir sentimentos, contextos sociais e experiências humanas de maneira única.

Da delicadeza poética de personagens reais que viraram símbolo em versos inesquecíveis até narrativas inspiradas em episódios trágicos ou acontecimentos históricos, a MPB construiu um vasto repertório de canções que nasceram da realidade – ainda que, muitas vezes, envoltas em metáforas e interpretações artísticas. O resultado são músicas que carregam não apenas emoção, mas também memória.

Nesta lista, reunimos 10 músicas brasileiras que contam histórias reais e mostram como a vida, com todas as suas dores, paixões e mistérios, sempre foi uma das maiores musas inspiradoras da nossa música.

1 – Malandro – Jorge Aragão e Jotabê

Jorge Aragão e seu parceiro Jotabê compuseram juntos várias canções, entre elas, surgiu o clássico “Malandro”, um dos primeiros sambas da carreira de Jorge.

A música conta a história de uma conversa real. Foi escrita para um amigo dos compositores, chamado Inácio. Aragão conta que ele era um verdadeiro “malandro carioca”. Uma pessoa muito carismática, porém com todas as características de um bom malandro.

Inácio também era músico, mas não seguiu na carreira. Acabou mudando-se, pouco tempo depois, para São Paulo, para trabalhar com outras coisas. E a história de Zeca, que morreu, é verdadeira. Zeca era outro conhecido deles que tinha morrido em uma briga entre essa galera da malandragem, e Jorge pedia que Inácio tomasse cuidado para não ter o mesmo destino.

Jorge Aragão — Foto: Ricardo Nunes / Divulgação Vivo Rio
Jorge Aragão — Foto: Ricardo Nunes / Divulgação Vivo Rio

Isso era meados dos anos 60. Os anos foram passando, Jorge Aragão seguiu sua vida, passou a se apresentar com seu violão na noite carioca, mas ainda estava muito longe de ganhar dinheiro com música. Foi quando um dia, 10 anos depois, estava com seu violão na calçada de casa e seu vizinho, o Alcir Portela, que era capitão do time do Vasco na época, pediu pra que ele mostrasse algumas músicas suas ao violão.

Jorge mostrou várias canções, entre elas, “Malandro”. Alcir gostou muito do que ouviu e apresentou Jorge a Neocy – que depois foi integrante do Fundo de Quintal junto com Jorge Aragão. O sambista o levou até a Tapecar, uma gravadora importante na época, apresentou Jorge Aragão como seu “canarinho” e falou que ele tinha ótimas composições. 

Os executivos gostaram muito de “Malandro” e mandaram o samba imediatamente pra Elza Soares, que estava no auge na época e quis incluir a canção em seu disco “Lição de Vida”, de 1976. “Malandro” é a faixa que abre o álbum de Elza.

A belíssima gravação de Elza Soares projetou o nome de Jorge Aragão para o Brasil inteiro. Em seguida, o sambista passou a integrar o Fundo de Quintal, e logo depois – em 1981 – seguiu para a carreira solo, lançando o seu primeiro disco, “Jorge Aragão”, que traz várias outras parcerias com Jotabê.

2 – Terra – Caetano Veloso

Em 21 dezembro de 1968, com a ajuda do foguete Saturno V SA-503, os astronautas norte-americanos Frank Borman, Jim Lovell e William Anders, realizaram a primeira viagem em torno da Lua, no histórico voo espacial Apollo 8.

A viagem durou seis dias e não levou o homem a pisar na Lua, mas atingiu a órbita do satélite. Nunca antes uma nave tripulada havia ido tão longe e retornado.

William Anders foi o responsável por fazeras imagens do espaço, que mostraram – pela primeira vez – uma profusão de cores em meio ao breu, visualizando a Terra. Até então, nunca tínhamos visto o nosso planeta do lado de lá.

O astronauta, então, eternizou a frase: “Viemos explorar a Lua e descobrimos a Terra”. 

Os astronautas não sabiam que a Terra iria aparecer acima do horizonte da Lua. Ela surgiu na janela de Anders em um movimento de rotação da cápsula, previsto no plano de voo. Ele carregava uma câmera Hasselblad 500 EL, com uma lente de 250 mm, e tinha a função de fotografar a superfície da Lua pela janela lateral. 

Um outro equipamento, fixado na janela frontal de Borman, tirava fotos automaticamente com um timer. Em 2013, a Nasa publicou um vídeo em que recria virtualmente este momento, usando o áudio original da cabine:

Nesta mesma época – em 13 de dezembro de 1968 – aqui no Brasil, entrava em vigor o Ato Institucional Número Cinco (AI-5), o mais violento instrumento de repressão da ditadura militar. 

Com o cerceamento das liberdades democráticas, de expressão e das criações libertárias, quem sofreu forte censura e perseguição foi o Movimento Tropicalista, movimento de contracultura, que transcendeu tudo o que havia em termos de produção artística no Brasil. 

Na manhã do dia 27 de dezembro, 14 dias depois da instituição do AI-5, os músicos baianos Caetano Veloso e Gilberto Gil– já grandes ídolos de uma geração e líderes do Movimento Tropicalista – foram presos e levados para o quartel do Exército de Marechal Deodoro, no Rio de Janeiro.

No mesmo dia, às 12h51 – horário de Brasília – a cápsula dos astronautas norte-americanos pousava no Oceano Pacifico. Então, Caetano Veloso, quando se “encontrava preso na cela de uma cadeia”, viu “pela primeira vez as tais fotografias” – tiradas à distância, pelos astronautas do voo espacial Apollo 8 – em que a Terra “apareces inteira, porém lá não estavas nua, e sim coberta de nuvens”.

E é exatamente assim começa a música “Terra”:

Caetano contou sobre a história da música “Terra”, que lançou 10 anos depois, no seu álbum “Muito – Dentro da Estrela Azulada”, de 1978, em seu livro de ensaios e memórias “Verdade Tropical”, publicado em 1997. 

Caetano estava preso em uma cela do Quartel dos Para-Quedistas do Exército, em Realengo (Rio de Janeiro) quando ganhou um exemplar com “Todas as fotos da fantástica viagem à Lua”, conforme dizia a capa da revista Manchete (publicada 20 dias depois das fotos tiradas no espaço) com a imagem dos astronautas, sob o título: “Eles conquistaram a Lua para a Humanidade”. A legenda da foto tinha a frase: “A Terra é parcialmente coberta de nuvens”.

“Eram as primeiras fotos em que se via o globo inteiro, o que provocava forte emoção, pois confirmava o que só tínhamos chegado a saber por dedução e só víamos em representações abstratas. E eu considerava a ironia da minha situação: preso numa cela mínima, admirava as imagens do planeta inteiro, visto do amplo espaço”, escreveu Caetano, três décadas depois. 

A revista chegou por meio de Dedé, primeira esposa de Caetano Veloso, com a permissão de um sargento preto e baiano, que depois foi delatado e preso:“Ele dizia assim: eu fico com muita pena de ver. Sua mulher vem aqui, você fica dentro e ela fica fora, e vocês não podem ficar sozinhos. Quando ela vier e eu estiver aqui, vou abrir e fico tomando conta lá fora. Juro que não entro”, lembra o cantor e compositor em uma cena emblemática do documentário “Narciso em Férias”, de Ricardo Calil e Renato Terra, sobre Caetano Veloso.

“Os primeiros homens a ver a Lua de perto consagraram a Terra como o mais bonito astro existente no firmamento.” Assim começava o editorial, assinado pelo diretor de redação Justino Martins, na edição 873 da revista Manchete, que chegou às bancas em 11 de janeiro de 1969. 

A Terra, segundo testemunharam os astronautas, era de um azul intenso e brilhante, quase mágico, enquanto a Lua, “objeto de tanta curiosidade e cobiça”, era “feia, árida, crostada como uma placa de gesso, cheia de buracos, penhascos e desertos poeirentos.” Nas páginas internas, a revista dizia que “todo o sistema solar já está ao nosso alcance”, porque a “fantástica aventura da Apollo 8mostrou que dava para vencer a gravidade e se deslocar pelo cosmo “tal qual os antigos navegadores utilizaram os ventos e as correntes marítimas”. Aqui estão os “Errantes Navegantes” que cita Caetano.

Caetano Veloso e Gilberto Gil na fase Tropicalista | Imagem: Reprodução

Pouco mais de seis meses depois, caberia a dois outros norte-americanos, os astronautas da Apollo 11, Neil Armstrong e Buzz Aldrin, superar os feitos dos compatriotas, pousar na Lua e mudar para sempre a história.

Sob censura, a capa da Folha de S.Paulo no dia 28 de dezembro de 1968 trouxe apenas a notícia do voo histórico ao espaço e uma menção ao AI-5 como – segundo o presidente Costa e Silva – “uma resposta ao impatriotismo”. 

Este foi o motivo dado para a prisão de Gil e Caetano, acusados de desrespeitar o hino nacional durante um show que reuniu também Os Mutantes e Gal Costa. Em janeiro de 1969, os dois baianos foram transferidos para quartéis separados. 

Na Quarta-Feira de Cinzas daquele ano, eles foram soltos e mantidos em prisão domiciliar em Salvador. Em julho, partiram para o exílio em Londres.

3 – Vital e Sua Moto – Paralamas do Sucesso

Um dos principais clássicos do rock nacional dos anos 80 e um dos maiores hits da história da banda Os Paralamas do Sucesso foi inspirado em uma pessoa real e ele foi o baterista da banda por um curto período de tempo.

Vital, personagem da música “Vital e sua Moto”, realmente existiu!

Herbert Vianna e Bi Ribeiro estudaram juntos na infância – quando moravam em Brasília por conta dos trabalhos de seus pais – e eram muito amigos. Os dois já tocavam guitarra e baixo respectivamente e – anos depois – se reencontraram no Rio de Janeiro, quando fizeram o Ensino Médio juntos e conheceram o maranhense Vital Dias

Após passarem no vestibular e se separarem em 1980, os três se reencontraram algum tempo depois, quando Vital comprou uma bateria e eles formaram Os Paralamas do Sucesso.

Na verdade, em 1981, eles voltaram a ensaiar juntos em um sítio em Mendes, interior fluminense, e também na casa da avó de Bi, a Vó Ondina, em Copacabana, quando também passaram a compor canções de cunho humorístico, como “Vovó Ondina é Gente Fina” (de autoria de Herbert Vianna), que – pouco depois – entrou para o primeiro disco dos Paralamas. Mas, nesta época, a banda ainda chamava-se As Cadeirinhas da Vovó e contava com dois vocalistas: Ronel e Naldo.

Em 1981, os amigos decidiram tornar a banda profissional e passaram a compor mais a sério. Porém, Ronel e Naldo não visavam seguir a carreira artística e decidiram não continuar no projeto. Herbert, que até então tocava apenas guitarra, tornou-se também vocalista da nova banda, batizada como Os Paralamas do Sucesso, e eles começaram a realizar shows oficialmente, com um repertório que mesclava músicas próprias e covers de outros artistas. 

É aí que entra a moto de Vital: Por volta de 1981, Herbert Vianna tinha um Fusca vermelho, Bi Ribeiro tinha uma Variant azul, e Vital – que não tinha carro – juntou dinheiro e comprou uma moto Honda FS 125. 

Inclusive, o pai de Vital o ajudou com uma parte da grana para comprar a moto. Então, aquele trecho da música que diz: “O conselho de seu pai… é perigoso Vital“, foi uma invenção de Herbert, apenas para deixar a história mais dramática.

Mas calma que ainda não foi nesta época que a música foi composta. Acontece que essa formação dos paralamas: Herbert, Bi e Vital durou muito pouco.

Em 1982, a banda se inscreveu para um festival de música na Universidade Rural do Rio, mas – por terem mandado uma fita cassete com baixíssima qualidade, não foram classificados.

Só que Bi Ribeiro conseguiu convencer a organização de deixar a banda se apresentar no intervalo do Festival. Eles então tinham poucas horas para montar os equipamentos até o show, só que não conseguiram encontrar Vital de jeito nenhum. Passaram três horas tentando encontrar o baterista e nada. 

Até que um amigo deles indicou um aluno de pré-vestibular que estava ali, acompanhando o Festival, chamado João Barone, para substituir Vital naquele show. Ótimo baterista que já era, Barone tocou com os Paralamas do Sucesso sem nenhum ensaio, rolando uma química enorme entre os três.

Pouco tempo depois, Vital Dias não conseguiu dar continuidade à carreira artística, abandonando a banda para trabalhar com computação na época. João Barone assumiu de vez o seu lugar na bateria da banda. 

Os Paralamas do Sucesso | Imagem: Reprodução

Vital chegou a tocar em algumas bandas de heavy metal depois também e – mais pra frente, quando Os Paralamas já eram sucesso nacional – ele foi questionado em entrevistas, se se arrependia de ter “deixado passar a oportunidade de sua vida”. E respondei: “Não foi assim. Ninguém tinha uma pretensão profissional. Com 18 anos a gente fazia zona.”.

Mas se engana quem pensa que Vital não manteve ainda uma relação de amizade com o trio fora dos palcos. Tanto manteve, que ganhou uma música em sua homenagem, música essa que projetou Os Paralamas do Sucesso nacionalmente.

Outras curiosidades sobre “Vital e Sua Moto”: a prima citada na música – “Minha prima já está lá / E é por isso então que eu também vou” – não era prima de Vital, mas sim uma prima de Herbert, com quem ele namorava na época. 

E sobre “Caravana do amor / Então pra lá também se encaminhou”: a Caravana do Amor era uma piada interna da turma de amigos músicos, que costumava debochar de músicas românticas. 

4 – Conversa de Botas Batidas – Los Hermanos

Conversa de Botas Batidas”, é um dos maiores sucessos da banda Los Hermanos. A canção foi composta por Marcelo Camelo, então um dos vocalistas e compositores da banda, depois do músico ler uma notícia trágica no jornal, em 2002.

No dia 25 de setembro daquele ano, por volta das 14 horas, um prédio de cinco andares no qual funcionava um hotel chamado “Linda do Rosário”, no centro do Rio de Janeiro, começou a desabar, na Rua do Rosário, 55.

O porteiro, notando os primeiros estalos fortes, percebeu que o edifício poderia cair a qualquer momento, começou a interfonar para todos os quartos e bater nas portas também, pedindo para que os hóspedes evacuassem o local. 

Quando todas as pessoas já tinham deixado o quarto, o porteiro notou que ainda faltava um casal. Ele foi no quarto e bateu na porta várias e várias vezes, sem resposta. Interfonou de novo e nada. Até que, 10 minutos depois dos primeiros estalos, o prédio desabou com o casal dentro, sendo as únicas vítimas fatais do acidente.

Los Hermanos | Imagem: Reprodução

Dois dias depois, os bombeiros encontraram o corpo do casal nos escombros e eles estavam abraçados. O que se soube, é que eles eram um casal formado por uma bancária (ou vendedora de seguros) de 47 anos e um professor de 71 anos e que eles tinham vivido um romance proibido há muitos anos, se separaram, cada um se casou com outra pessoa e – depois de ambos ficarem viúvos – eles voltaram a se encontrar, escondidos de suas famílias.

Era um romance secreto, que ambos estavam podendo viver depois de muitos anos de espera. Outras fontes diziam que eles ainda eram casados com outras pessoas e tinham suas famílias, por isso o romance era secreto.

O porteiro Raimundo de Mello não sabia os nomes dos hóspedes, mas contou a repórteres que eles eram assíduos no hotel: ficavam sempre no máximo duas horas e pagavam pelo quarto na saída.

Ninguém sabe até hoje se o casal resolveu ignorar os chamados do porteiro e viver finalmente aquele romance até o fim, morrendo juntos abraçados numa cama, ou se eles estavam dormindo e não escutaram os chamados.

Marcelo Camelo, ao ler a notícia no jornal, resolveu ficar com a primeira opção: a letra da música narra uma conversa entre os dois amantes, a última conversa que eles tiveram, ali naquela cama, diante da morte chegando, onde os dois, finalmente, poderiam estar juntos e experimentar aquele amor, mesmo na morte. Por isso o nome da música: “Conversa de Botas Batidas”.

A música entrou para o terceiro álbum da banda Los Hermanos, “Ventura”, de 2003. 

O incidente do hotel também inspirou a obra “Linda do Rosário”, da artista plástica brasileira Adriana Varejão, de 2004, que traz em sua superfície a referência de azulejos comuns, com quadrados de cerâmica branca, recorrentes em ambientes relacionados com assepsia, como banheiros e cozinhas. 

Vísceras, também pintadas, saem do que seria o interior dessa parede arruinada. Nestas esculturas, a arquitetura se associa ao corpo, e a matéria de construção se torna carne.

5 – Me Espera – Sandy, Lucas Lima e Tiago Iorc

A história da música “Me Espera” é especial!

Composição de Sandy em parceria com Lucas Lima e Tiago Iorc, ela foi foi lançada como carro-chefe do segundo álbum solo da cantora –“Meu Canto”, de 2015 – e se tornou um sucesso imediato.

Sandy tem muitas parcerias com Lucas Lima ao longo de sua carreira. Eles ficaram juntos por mais de 20 anos – entre namoro e casamento – tiveram um filho, além de Lucas ter produzido álbuns da cantora. Mesmo quando eles anunciaram a separação, em 2023, seguiram muito amigos.

Os dois contaram em entrevistas que compuseram “Me Espera” quando estavam passando por um momentos difícil no casamento, em meio a muito trabalho de ambos os lados e dos cuidados com o filho Theo, nascido em 2014. 

Eles expressam a necessidade de um esperar pelo outro em meio ao “temporal” que estavam vivendo. Sandy conta que a ideia da letra partiu do Lucas e que ele estava cuidando “do que tinha de vida pessoal para tomar conta”, porque ela estava muito imersa em muitas funções.

“Percebemos que, depois do Theo, a gente não tinha tempo pra brigar, pra dar essa chacoalhada e se reencontrar. O refrão dizia ‘Tenta me reconhecer no temporal, me espera’. Tenta não se acostumar com a minha ausência, eu volto já”, completou Lucas “Era um ‘me espera voltar’, no sentido figurado”, acrescentou Sandy.

Os dois então foram para um cantinho de terra que ele costumavam ir no Sul de Minas, para ficarem mais conectados, e – com o ócio criativo – poderem compor. Depois do que compuseram juntos, deixaram um espaço para Tiago Iorc – que canta a música em dueto com Sandy – completar e concluírem juntos o grande sucesso que se tornou a canção.

E ficou lindo mesmo! A música fala sobre desencontros, sobre como um relacionamento pode ter fases difíceis, em que nem nos reconhecemos mais, em que nos perdemos um pouco um do outro. Mas também fala sobre a esperança, sobre a resiliência, a vontade de fazer dar certo, de saber esperar o furacão passar e estar ali para o outro.

6 – Pagu – Rita Lee e Zélia Duncan

Além de dois dos maiores nomes da música popular brasileira de todos os tempos, as cantoras, compositoras e instrumentistas Rita Lee e Zélia Duncan sempre foram mulheres importantíssimas nas lutas pelos direitos das mulheres: por respeito, por equidade, por liberdade.

Ativistas e feministas, não participaram somente de revoluções no que diz respeito à música do nosso país, mas também no que diz respeito à sociedade como um todo, ao comportamento, independência e posicionamento das mulheres em uma sociedade machista e dominada por homens, não somente no rock’n roll. 

No ano 2000, essas duas potências da nossa música e grandes inspirações para tantas mulheres, se juntaram para compor juntas uma canção sobre outra mulher muito importante na luta feminista: a escritora, poetisa, diretora, tradutora, desenhista, cartunista, jornalista e militante Patrícia Galvão, a Pagu.

Patrícia nasceu em uma família tradicional de classe alta do interior de São Paulo. Considerada desde menina à frente do seu tempo, chocava a sociedade conservadora da época por seu comportamento livre e autêntico, tanto no modo de se vestir e de usar os cabelos, quanto por seus relacionamentos amorosos e seu modo de falar e expressar-se. 

Patrícia Galvão, a Pagú (c. 1930)

Feminista desde sempre, com 15 anos, mudou-se com a família para a capital paulista, onde conseguiu o primeiro emprego, como redatora, passando a escrever críticas contra o governo e contra as injustiças sociais, em uma coluna de notícias do Brás Jornal, assinando com o pseudônimo de Patsy.

Embora tenha se tornado a musa dos modernistas, Pagu não participou da Semana de Arte Moderna, pois tinha apenas doze anos em 1922, quando o evento aconteceu. Mas, em 1928, aos 18 anos, pouco depois de completar o curso na Escola Normal de São Paulo, integrou-se ao Movimento Antropofágico, sob a influência de Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral

O apelido Pagu surgiu de uma confusão do poeta modernista Raul Bopp, ao dedicar a ela, em 1928, o poema “Coco de Pagu”.

Bopp inventou o apelido, imaginando que seu nome fosse Patrícia Goulart – e não Patrícia Galvão – e pretendendo fazer uma brincadeira com as primeiras sílabas do nome. O poema foi responsável por tornar célebre a jovem Pagu. Foi publicado em vários jornais da época e interpretado por sua musa no palco do Teatro Municipal de São Paulo, em 1929.

Outra faceta de Pagu foi como desenhista e ilustradora. Participou da Revista de Antropofagia, publicada entre 1928 e 1929, entre outras publicações. No jornal O Homem do Povo, publicou a tira Malakabeça, Fanika e Kabeluda.

Ainda em 1928, Pagu, que já havia se relacionado com homens famosos e anônimos, solteiros e casados, iniciou um novo romance secreto, desta vez com Oswald de Andrade, enquanto ele ainda era casado com Tarsila do Amaral. Em 1929, a separação de Oswald para ficar com Pagu causou grande escândalo social e a moça foi, mais uma vez, julgada. 

Pagu ao lado de Oswald e do filho Rudá, no início da década de 1930 – Foto: Acervo Lúcia Teixeira/ Centro Pagu Unisanta

Em 1930, outro grande “choque” para a sociedade aconteceu quando Oswald e Pagu casaram-se em uma cerimônia simbólica e pouco convencional, realizada no Cemitério da Consolação. 

O casamento oficial, no civil e na igreja, aconteceu um mês depois, quando Pagu já estava grávida de seis meses, o que foi – mais uma vez – considerado um escândalo. No ano seguinte, o casal tornou-se militante do Partido Comunista Brasileiro, fundando juntos o jornal “O Homem do Povo”

Ao participar da organização de uma greve de estivadores em Santos, ainda em 1931, Pagu foi presa pela polícia política de Getúlio Vargas. Foi a primeira de uma série de 23 prisões ao longo da vida da ativista. Em 1933, partiu para uma viagem pelo mundo, deixando no Brasil o marido e o filho, mais um julgamento aos olhares da sociedade para a conta de Pagu. No mesmo ano publicou o romance Parque Industrial, considerado o primeiro romance proletário brasileiro, sob o pseudônimo de Mara Lobo.

Em 1934, devido às constantes traições de Oswald, Pagu saiu de casa com o filho para morar sozinha, algo considerado inaceitável para os conservadores da época. Mas Pagu seguia firme em seus ideais.

Em 1935, foi presa em Paris como comunista estrangeira, com identidade falsa, sendo repatriada para o Brasil. Retomou sua atividade jornalística, criticando o governo. Sua nova identidade falsa foi descoberta, e Pagu foi novamente presa e torturada. Desta vez, ficou na cadeia por cinco anos, o que a levou a um intenso desespero, ampliando ainda mais sua capacidade artística e criativa. Nesse período, seu filho Rudá de Andrade foi criado por Oswald. Ele levava o menino para visitar a mãe em alguns finais de semana. 

Ao sair da prisão, em 1940, Pagu rompeu com o Partido Comunista, passando a defender um Socialismo de linha Trotskista. Integrou a redação do periódico Vanguarda Socialista junto com seu novo marido, Geraldo Ferraz. Desta união, que durou até o fim de sua vida, nasceu seu segundo filho. Pagu voltou a criar seu filho mais velho, e passou a morar com seus dois filhos e o marido na capital paulista. 

Nessa mesma época, viajou à China para lançar seus novos trabalhos artísticos. Escreveu também contos policiais, sob o pseudônimo King Shelter, publicados originalmente em 1944, na revista Detective, dirigida pelo dramaturgo Nelson Rodrigues

Em 1945, Pagu lançou um novo romance, A Famosa Revista, escrito em parceria com o marido. Em 1952 frequentou a Escola de Arte Dramática de São Paulo, levando seus espetáculos teatrais a Santos. Ligada ao teatro de vanguarda, apresentou sua tradução de A Cantora Careca, de Eugène Ionesco. Traduziu e dirigiu Fando e Liz de Fernando Arrabal, em uma montagem amadora na qual estreava o jovem ator Plínio Marcos.

Também traduziu poemas de Guillaume Apollinaire. Conhecida como grande animadora cultural em Santos, lá passou a residir com o marido e os filhos, no ano de 1953. 

Em seu trabalho, junto a grupos teatrais, revelou e traduziu grandes autores até então inéditos no Brasil como James Joyce, Eugène Ionesco, Fernando Arrabal e Octavio Paz.

A musa inspiradora da canção Pagu trabalhava como crítica de arte quando foi acometida por um câncer de pulmão, em 1960. Viajou a Paris para se submeter a uma cirurgia, sem resultados positivos, e passou a morar na capital francesa com seu marido, para continuar realizando tratamento quimioterápico.

Decepcionada e desesperada por estar doente, sem poder trabalhar com arte, seu maior prazer, e necessitando ficar sempre acamada, Pagu desenvolveu uma profunda depressão, e tentou o suicídio, tentando dar um tiro na própria cabeça, sendo impedida pelo marido, ferindo-se apenas de raspão. Após dois anos de tratamento, voltou ao Brasil, morrendo em Santos, um mês depois, em 12 de dezembro de 1962, aos 52 anos.

A canção Pagu foi lançada por Rita Lee, em seu álbum 3001, do ano 2000. Dois anos depois, Zélia Duncan a gravou em seu DVD “Sortimento Vivo”, e – em 2003 – a música também fez muito sucesso na regravação de Maria Rita.

7 – Banho de Folhas – Luedji Luna e Emilie Lapa

Luedji Luna contou certa vez em entrevista, que compôs “Banho de Folhas” quando foi – juntamente com a amiga Emilie Lapa, sua parceira de na composição da música – a procura de uma mãe ou um pai de santo em Salvador, cidade em que as duas nasceram e cresceram.

Era uma quarta-feira e Emilie Lapa já frequentava o candomblé e era mais próxima da religião de matriz africana e levou Luedji ao Ilê Axé Opô Afunjá, que é um terreiro muito tradicional de Salvador, para que a cantora fizesse seu primeiro jogo de búzios.

O que elas não sabiam é que no Axé Opô Afunjá era preciso fazer agendamento para jogar os búzios e, como não tinham agendado, Luedji e Emilie não puderam jogar.

Por isso, Emilie Lapa ligou para um amigo dela, que era filho de Oxalá, de outro terreiro muito importante da Bahia, o Terreiro do Gantois, e ele as levou até o pai de santo dele, para que Luedji Luna finalmente fizesse o seu primeiro jogo de búzios. 

A cantora conta que chegou lá muito ansiosa, querendo saber de todas as respostas para os questionamentos sobre seu futuro: se ela ia ficar famosa, ficar rica, se casar, ter filhos…

O pai de santo não deu nenhuma resposta concreta para os questionamentos dela (“Tanta volta pra nenhuma resposta”), mas passou uma relação de folhas para que Luedji tomasse um banho. 

A cantora fala que a história desse dia foi tão tragicômica, que ela e Emilie Lapa foram compondo a música ali mesmo, enquanto as coisas iam acontecendo, porque a amiga  – que é multi-instrumentista, atriz, cantora, compositora, arte-educadora e diretora musical de espetáculos teatrais – sempre andava com um violão para onde fosse.

A história desse dia tornou-se um grande hit, gravado por Luedji Luna em seu primeiro e aclamado álbum, “Um Corpo no Mundo”, de 2017, depois ganhando uma versão remix no primeiro EP da cantora baiana, “Mundo (Remix)”, de 2019, com a participação de DJ Nyaki e do marido de Luedji, e pai de seu filho, Dayo: Zudizilla.

8 – Mania de Você – Rita Lee e Roberto de Carvalho

A música “Mania de Você”  foi lançada no disco “Rita Lee”, de 1979, aquele em que a Rita aparece na capa com uma tatuagem com o seu nome no ombro. Esse foi o primeiro álbum solo que a mãe do rock brasileiro lançou, depois da sua passagem – primeiro pelos Mutantes – e depois por um tempo acompanhada da banda Tutti Frutti.

Na verdade, enquanto Rita estava nos Mutantes, a cantora e compositora já tinha gravado dois discos solo, um em 1970 e outro em 1972. Esse segundo, inclusive, saiu no nome dela porque os Mutantes já tinham lançado um álbum naquele ano e a gravadora só permitia um lançamento por ano.

Mas, esse disco de 1979 foi o primeiro álbum de Rita Lee já sem Mutantes e sem Tutti Frutti, marcando o início da carreira de uma das maiores artistas brasileiras de todos os tempos.

A história de “Mania de Você” é a seguinte: Rita estava no auge da paixão com o Roberto de Carvalho – na verdade, eles nunca saíram do auge da paixão, estiveram juntos e apaixonados até o fim da vida da cantora, em maio de 2023. Ambos septuagenários e mostrando que o amor e o prazer não tem idade.

Rita e Roberto já estavam juntos desde 1976, quando ele entrou pra banda Tutti Frutti e pra vida da cantora pra sempre, tornando-se o seu parceiro na vida e na arte. Ele participou ativamente da carreira de Rita Lee desde essa época, foi seu parceiro em inúmeras composições, tocou ao lado dela até sua aposentadoria dos palcos e teve até uma fase em que o nome dele entrava nos títulos dos discos que ela lançava, ela assinava “Rita Lee e Roberto de Carvalho”.

O casal – que ao longo dos anos construiu uma linda família, com três filhos e dois netos – escreveu essa música depois de uma noite de muito amor – e sexo – claro! Rita contava que – depois da noite de amor – Roberto pegou um violão, ela pegou um caderninho e eles compuseram juntos, em cinco minutos, essa canção sobre a relação que tinham acabado de ter, sobre amor, paixão, desejo e química sexual.

“Mania de Você” é um marco na nossa história, porque – disruptiva e visionária – Rita Lee foi a primeira mulher a falar abertamente sobre a sexualidade e o prazer feminino, sem tabus, de uma forma livre, do ponto de vista feminino, da mulher, mostrando que a mulher também é livre e pode sentir o quanto de prazer ela quiser.

Até aquele momento tocar nesse assunto era totalmente incomum, principalmente em letras de música. Junto com Rita, os movimentos feministas estavam começando a reivindicar a liberdade sexual para as mulheres. 

Depois disso, acantora falou sobre esse tema em muitas e muitas das suas canções, influenciando uma geração de cantoras que vieram depois.

‘’Mania de Você” é a música mais regravada da carreira de Rita Lee e sua canção mais tocada nas rádios.

9 – Resposta – Nando Reis e Samuel Rosa

A canção “Resposta” é a segunda parceria de Nando Reis com Samuel Rosa, lançada no disco “Siderado”, do Skank, de 1998.

Nando e Samuel se conheceram em meados dos anos 90, no programa “Rock Gol”, da MTV, um campeonato de futebol disputado por músicos da cena nacional. Logo, eles criaram uma grande amizade e afinidade e passaram a compor juntos.  

A primeira parceria dos dois é a canção “É Uma Partida de Futebol”, lançada pelo Skank no disco “O Samba Poconé”, de 1996, e que foi um tremendo sucesso, tornando-se música tema da Copa de 1998. 

Como acontece na maioria de suas parcerias, a letra é de Nando Reis e a música de Samuel Rosa. Normalmente, Samuel manda a melodia para Nando e ele cria a letra em cima dela. Mas, no caso de “É Uma Partida de Futebol” foi diferente: Nando mandou – por fax – a letra para que Samuel musicasse.

Já no caso de “Resposta”, como tornou-se uma constante na parceria entre os dois, Nando recebeu a melodia de Samuel em uma fita cassete e teria que escrever uma letra em cima dela. Tinha, inclusive, um prazo para que ele entregasse a letra e esse prazo estava se esgotando. Nando então, pressionado pelo prazo, escreveu a letra em um quarto de hotel no Rio de Janeiro, em uma madrugada só, em cima de uma conversa que tinha tido naquela noite.

Nando Reis e Samuel Rosa | Imagem: Reprodução

Em um dos vídeos do seu canal no Youtube, o ex-Titã conta que resolveu então escrever uma canção sobre uma “resposta” que nunca veio. Uma “resposta” que ele esperava de algo que é irrespondível, que é um pedido de perdão.

Ele se refere ao fim de seu relacionamento com a também cantora e compositora Marisa Monte, com quem namorou nos anos 90 e cujo término se deu por conta de algo que ele fez que a magoou. Ele estava inconformado e arrependido e desejoso de superar sua indelicadeza por meio da comunicação.

Na época em que namoravam, Nando mostrou um caderno que ele tinha com diversos versos e composições suas para Marisa e eles começaram também a compor juntos. E na letra da música ele conta que, depois do término, ele lia os versos deste caderno, pensando no que Marisa tinha achado deles. Na letra, ele diz que não teve respostas dela sobre o que achou dos versos, mas – na verdade – teve sim, pois eles até compuseram canções juntos a partir daqueles versos. 

Um exemplo disso é a canção “Ainda Lembro”, parceria de Nando e Marisa, lançada no disco “Mais”, da cantora, em 1991, que fez um imenso sucesso.  A frase “Ainda lembro que eu estava lendo”, de Resposta – inclusive – faz referência à canção “Ainda Lembro”.

Nando, apesar de pedir perdão e desejar reverter a situação do término, sabia que já estava distante de voltar a ter um relacionamento com Marisa Monte. E Nando finaliza esse vídeo em que conta a história da letra da música dizendo que existem coisas que nunca terão “resposta” mesmo.

A canção  estourou e foi um super sucesso no Brasil inteiro. No ano seguinte, 1999, Milton Nascimento gravou “Resposta” em seu disco “Crooner”, junto com Lô Borges, deixando Nando e Samuel muito lisonjeados. 

Depois disso, Nando Reis e Samuel Rosa lançaram várias outras parcerias de sucesso como: “Ali”, “Dois Rios”, “Ainda Gosto Dela” e “Sutilmente”.

10 – Canção Pra Você Viver Mais – Fernanda Takai

O pai da cantora, compositora e escritora Fernanda Takai faleceu, em 1997, aos 52 anos. Ele sofria de um câncer de pulmão (sem nunca ter fumado) e Fernanda – então com 25 anos –  era muito ligada ao pai.

Ela estava no auge do sucesso com a banda Pato Fue – pouco antes do pai falecer – ela estava com ele no hospital, mas teve que se ausentar por causa de um grande show da banda, que aconteceria em Belo Horizonte.

Assim que chegou na cidade, Takai recebeu um telefonema dizendo que o pai estava muito mal e que talvez ela não o encontrasse com vida quando retornasse. 

A cantora voltou imediatamente, sem participar do show, que aconteceu mesmo na sua ausência, com John Ulhoa e Ricardo Koctus tocando e os fãs do Pato Fu cantando as partes da Fernanda em coro.

Infelizmente, não deu tempo da cantora encontrar o pai com vida. Só que, felizmente, Fernanda pôde homenagear o pai com uma das mais belas canções da história da nossa música. 

John Ulhoa e Fernanda Takai | Imagem: Reprodução

Na verdade, quem compôs a canção foi seu parceiro de banda e de vida, John Ulhoa: Takai – quando o pai iniciou o tratamento para o câncer – quis fazer uma música para o pai, porque, como ela mesma disse em entrevistas: “a música salva, a música te energiza, tem esse poder mágico”.

Foi assim, que a artista escreveu o título da música em um papel: “Canção Pra Você Viver Mais”. Ela achava o título ótimo, mas estava tão mal por conta do que o pai estava passando, que não conseguia escrever nada, as palavras que queria dizer pra ele simplesmente não saíam.

Na casa dos dois, onde John e Fernanda costumavam compor juntos, vendo aquele título escrito no papel há tanto tempo e sem a parceira dar continuidade à letra, John entendeu que Fernanda estava sofrendo demais e não conseguia prosseguir com a composição.

Por isso, ele mesmo escreveu a música e entregou para a esposa: “Toma, aqui está tudo o que você queria dizer a seu pai.”.

Fernanda conta em entrevista que – infelizmente – o pai faleceu antes e não escutou a música, mas que: “Tudo o que o John escreveu era o que eu queria ter falado pro meu pai. Acho uma música incrível.”.

“É uma canção muito singela, muito simples, mas que fala algumas coisas que não temos coragem de falar quando as pessoas estão vivas, perto da gente. Depois que eu perdi meu pai, eu fiquei com essa sensação de que tinha coisa que eu queria ter dito pra ele.”, declarou a cantora em outra entrevista.

“Canção Pra Você Viver Mais” entrou para o álbum “Televisão Pra Cachorro”, lançado pelo Pato Fu em 1998.

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