7 frases de Carolina Maria de Jesus que seguem atuais

“Quem não tem amigo, mas tem um livro, tem uma estrada.” Mesmo décadas após a publicação de seu livro mais famoso, “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada” (1960), as palavras de Carolina Maria de Jesus, grande nome da literatura nacional, continuam atravessando gerações. Suas reflexões, inspiradas em vivências marcadas pela desigualdade, fome, racismo e resistência, seguem atuais e dialogam com questões sociais presentes até os dias de hoje. Nesta matéria, selecionamos algumas frases de Carolina Maria de Jesus que ilustram essa relação.

Carolina Maria de Jesus. 18 de novembro de 1960 | Imagem: Acervo UH/Folhapress

Curiosidades sobre Carolina Maria de Jesus

1- Família de Carolina Maria de Jesus

Nascida em 14 de março de 1914, em Sacramento, Minas Gerais, Carolina Maria de Jesus veio de uma família pobre e enfrentou desafios desde muito cedo. Neta de escravos, sua mãe era analfabeta e a criou, enquanto seu pai, boêmio, nunca a assumiu.

2- Alfabetização

Apesar de sua origem humilde e da falta de educação formal, Carolina era autodidata e era visível que tinha um talento acima da média. A escritora teve contato com a educação apenas por pouco tempo na infância, cursando aproximadamente três semestres no Colégio Espírita Allan Kardec, custeado pela patroa de sua mãe, que era empregada doméstica.

3- O contato com a escrita

Carolina era catadora de papel e começou a registrar suas experiências em diários que encontrava no lixo. Suas anotações registradas evoluíram para um diário que documentava a luta diária e a resiliência das pessoas nas favelas.

4- Mãe de 3 filhos

Além de ter lidado com problemas familiares na infância, Carolina também foi mãe de três filhos. Junto aos diversos outros desafios que enfrentava, precisou lidar com a maternidade sozinha, sustentando os seus filhos como catadora de papel por boa parte da vida. 

5- O contato com o jornalista Audálio Dantas

O jornalista Audálio Dantas ficou responsável por produzir uma matéria sobre a favela de Canindé, em São Paulo, onde Carolina vivia. O jornalista viu potencial na escritora e, além de contar sua história, também a ajudou a publicar seu primeiro livro. “A história da favela que eu buscava estava escrita em uns 20 cadernos encardidos que Carolina guardava em seu barraco. Li, e logo vi: repórter nenhum, escritor nenhum poderia escrever melhor aquela história – a visão de dentro da favela”, narrou o jornalista. 

6- O primeiro livro: Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada

“Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada” foi o primeiro livro de Carolina Maria de Jesus, publicado em 1960. O livro é uma das obras mais emblemáticas da autora e conta com uma linguagem direta e crua, compartilhando seus pensamentos, observações e críticas à sociedade. A obra se tornou um best-seller internacional e foi traduzida para diversos idiomas.

7- Comprou sua primeira casa fora da favela

Após o lançamento de seu primeiro livro, em 1960, Carolina conquistou reconhecimento não só em solo nacional, como também internacional. Assim, ela ganhou dinheiro e conseguiu comprar uma casa fora da favela. Com a nova realidade, ela não deixou de escrever sobre as vivências, o que rendeu o seu segundo livro “Casa de Alvenaria”, publicado um ano depois, em 1961. 

8- Mistura de gêneros literários

Além de seu diário, Carolina também escreveu poesia, contos e peças teatrais. Sua diversidade de estilos literários mostra sua versatilidade como escritora. Além disso, apesar de ser mais conhecida pelos seus livros, ela também foi cantora e lançou músicas como: “Rá, Ré, Ri, Ró, Rua”, “Acende o Fogo”, “O Pobre e o Rico” e muito mais.  

9- Uma das pioneiras da literatura brasileira negra

Carolina Maria de Jesus se destacou como uma das pioneiras da literatura negra e feminista no Brasil. Sua luta por reconhecimento e igualdade ecoa nas vozes contemporâneas que continuam a abordar questões sociais como a pobreza, machismo, racismo, etc. 

10- Enfrentou críticas

Apesar de ter conquistado reconhecimento a nível nacional e internacional, Carolina também precisou enfrentar críticas. Na época, ela foi criticada por seu estilo não convencional de escrita e por abordar temas considerados incômodos em uma sociedade que pouco debatia sobre as injustiças sociais. Essas críticas não impediram de continuar a escrever suas obras que trazem críticas válidas até os dias de hoje. 

Frases de Carolina Maria de Jesus que seguem atuais

Carolina Maria de Jesus, ou Bitita (apelido dado por seu avô, Benedicto José da Silva), transformou sua vivência em literatura. Seu olhar se transformou em palavras que serviram como refúgio para lidar com sua realidade.

Mesmo após seu falecimento, em 1977, o legado de Carolina Maria de Jesus na cultura brasileira segue mais vivo do que nunca.

Confira abaixo frases de Carolina Maria de Jesus com reflexões que seguem atuais:

  1. Quando o homem decidir reformar a sua consciência, o mundo tomará outro roteiro.”
  2. Quando eu não tinha nada o que comer, em vez de xingar eu escrevia. Tem pessoas que, quando estão nervosas, xingam ou pensam na morte como solução. Eu escrevia o meu diário.”
  3. Eu sou negra e, a fome é amarela e dói muito.
  4. “Quem inventou a fome são os que comem.”
  5. “As crianças ricas brincam nos jardins com seus brinquedos prediletos. E as crianças pobres acompanham as mães a pedirem esmolas pelas ruas. Que desigualdades trágicas e que brincadeira do destino.”
  6. O branco é que diz que é superior. Mas que superioridade apresenta o branco? Se o negro bebe pinga, o branco bebe. A enfermidade que atinge o preto, atinge o branco. Se o branco sente fome, o negro também. A natureza não seleciona ninguém.”
  7. “Quando havia um conflito, quem ia preso era o negro. E muitas vezes o negro estava só olhando. Os soldados não podiam prender os brancos, então prendiam os pretos. Ter uma pele branca era um escudo, um salvo-conduto.”
  8. “Antigamente o que oprimia o homem era a palavra calvário; hoje é salário”
  9. “Quem escreve pode passar fome de comida mas tem o pão da sabedoria e pode gritar com suas palavras.”
  10. “Duro é o pão que nós comemos. Dura é a cama que dormimos. Dura é a vida do favelado.”

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