A candidata a deputada federal por São Paulo Adriana Ventura (Novo) voltou a defender seu voto contrário ao fim da escala 6×1 e classificou a proposta como uma pauta de caráter “populista e eleitoreiro”. Para ela, a discussão sobre redução da jornada e qualidade de vida do trabalhador é necessária, mas não deveria resultar em uma regra única para todos os setores.
A declaração foi dada durante sabatina no Jornal Novabrasil SP, conduzida pelos jornalistas Maira Di Giaimo e Heródoto Barbeiro.
Adriana argumentou que diferentes atividades possuem necessidades específicas e citou a saúde, onde jornadas como a 12×36 são comuns. Na avaliação da deputada, impor um mesmo modelo pode aumentar custos e comprometer postos de trabalho.
“Tem gente que vai perder emprego com isso e já perdeu, porque alguém paga essa conta, o produto vai ficar mais caro e o mais pobre que paga”, disse.
Vale lembrar que os setores mais diretamente afetados pela mudança são comércio, alimentação, hotelaria e transporte aéreo. Na saúde, o impacto tende a exigir ajustes pontuais nas escalas, já que muitos profissionais trabalham em regimes como o 12×36.
Entidades patronais alertam que a expectativa de aumento dos custos pode levar empresas a rever seus quadros. Até o momento, porém, não há dados oficiais que comprovem demissões provocadas pelo fim da escala 6×1 enquanto a proposta ainda tramita.
Sindicatos e defensores da mudança contestam esse argumento e afirmam que o discurso de demissões antecipadas funciona como uma “narrativa de pressão” para tentar frear ou modificar a proposta no Congresso.
Ao mesmo tempo, a candidata reconheceu que o debate sobre tempo de trabalho precisa avançar e defendeu alternativas que deem mais liberdade para empresas e trabalhadores negociarem diferentes jornadas.
“Acho que o debate é bom, necessário, mas não para ser usado como uma pauta populista e eleitoreira.”
Judiciário e conflitos de interesse
Outro trecho de forte crítica da entrevista envolveu o Poder Judiciário.
Questionada por Heródoto sobre eventos patrocinados por empresas e frequentados por magistrados, Adriana disse enxergar risco de conflito de interesses e cobrou regras mais rígidas de transparência e conduta.
“Como é que uma pessoa vai num local onde tem tudo pago, leva a família, e depois vai julgar um caso dessa empresa?”
A deputada afirmou ter apresentado uma proposta para obrigar tribunais superiores a criarem códigos próprios de ética e defendeu maior publicidade sobre pagamentos por palestras, viagens e participações em eventos.
Para ela, a discussão faz parte de um problema mais amplo: o desequilíbrio entre os Poderes.
Adriana afirmou que o Legislativo passou a exercer funções do Executivo ao ampliar seu controle sobre o orçamento, enquanto o Judiciário, na visão dela, tem avançado sobre atribuições do Congresso.
“Hoje a gente vê um poder invadindo o outro e o cidadão fica no meio sofrendo.”
Congresso “desconectado do povo”
A parlamentar também fez críticas à própria Câmara dos Deputados.
Ao comentar a baixa avaliação do Legislativo, afirmou que parte do Congresso perdeu a conexão com os problemas cotidianos da população e passou a dedicar energia excessiva a interesses internos.
“É uma casa do povo que muitas vezes é completamente desconectada do povo.”
Adriana disse ainda que caciques partidários concentram poder sobre recursos, emendas e decisões políticas e defendeu maior independência dos parlamentares.
Saúde ainda aparece entre as principais bandeiras
Apesar de ter chegado ao Congresso sem experiência específica na área, Adriana colocou a saúde entre os trabalhos que considera mais importantes dos dois mandatos.
Ela citou as leis de telessaúde e telemedicina e disse que pretende avançar agora em projetos para integrar sistemas públicos e privados de saúde e ampliar o uso de prontuários eletrônicos.
Segundo a candidata, a pergunta que orienta essa atuação continua sendo como tornar o SUS mais eficiente e sustentável sem reduzir o acesso da população.
Fundo eleitoral também entra na mira
No fim da sabatina, Adriana criticou o uso de dinheiro público para financiar campanhas eleitorais.
Ela defendeu um modelo baseado em doações privadas e argumentou que o sistema atual obriga o contribuinte a financiar inclusive partidos com os quais não possui qualquer identificação.
“Eu acho esse fundo eleitoral uma aberração.”
A candidata afirmou que o excesso de recursos destinados às campanhas se soma a outros privilégios presentes no Estado e voltou a defender maior controle dos gastos públicos.
A entrevista com Adriana Ventura (Novo) integra a série do Jornal Novabrasil SP com candidatos a deputado federal por São Paulo.
A íntegra da sabatina pode ser assistida no canal Jornalismo Novabrasil, no YouTube, que também reúne as entrevistas com os demais candidatos da série.


