


O tamanho do fundo eleitoral incomoda Tabata Amaral (PSB), mas, para ela, há um problema ainda maior escondido no Orçamento: o uso das emendas parlamentares. Candidata a um terceiro mandato como deputada federal por São Paulo nas Eleições 2026, ela afirmou que recursos destinados por congressistas vêm sendo desviados e, em alguns casos, usados para financiar campanhas eleitorais.
A declaração foi dada durante sabatina no Portal THMais e Jornal Novabrasil SP, conduzida pelos jornalistas Maira Di Giaimo e Heródoto Barbeiro.
Veja íntegra da Sabatina com Tabata Amaral:
Questionada sobre o custo público das eleições, que em 2026 quase chega a R$5 bi, Tabata disse que votou contra aumentos do fundo eleitoral e partidário e classificou o valor destinado às campanhas como excessivo.
“O fundo eleitoral desse tamanho é um tapa na cara da sociedade. Mas sabe o que é pior ainda? São 50 bilhões que a gente tem em emendas parlamentares que estão tirando recurso da saúde, da educação e da segurança.”
Na sequência, a deputada fez uma acusação ainda mais grave, ao afirmar que parte desses recursos acaba alimentando campanhas de forma irregular. Segundo ela, há também parlamentares investigados por ligações com o crime organizado.
“Hoje muitos dos meus colegas estão financiando as campanhas deles não é com recurso do fundo, é com o dinheiro que desviaram de recurso público, é com o dinheiro do crime organizado.” As declarações foram apresentadas por Tabata durante a entrevista e expressam a avaliação da candidata sobre o atual funcionamento do Congresso.
Maioridade penal divide posição de Tabata
Segurança pública entrou na conversa logo no início. Tabata se posicionou a favor da redução da maioridade penal para 16 anos em crimes graves e violentos, como estupro, mas rejeitou propostas que ampliem a punição para crianças ainda mais novas ou para delitos de menor gravidade.
Ela contou ter votado contra uma proposta discutida na Câmara que, segundo sua descrição, poderia alcançar adolescentes a partir de 12 anos em determinados crimes.
“Eu venho da periferia, perdi muitos amigos pro crime organizado. Infelizmente eu sei como o crime opera.”
Para a deputada, baixar demais a idade penal produziria um efeito perverso: organizações criminosas passariam a recrutar crianças ainda mais novas.
Mesmo nos casos em que admite a redução para 16 anos, Tabata defende unidades separadas das prisões de adultos para evitar o aliciamento de jovens pelo crime organizado.
Pix Pensão tenta tornar pagamento automático
Outro assunto foi uma das bandeiras recentes do mandato da deputada: o chamado Pix Pensão, mecanismo aprovado para facilitar o pagamento automático da pensão alimentícia.
A ideia é atender principalmente situações em que o responsável pelo pagamento não possui carteira assinada e, por isso, não pode ter o valor descontado diretamente da folha salarial.
“Vai ser desconto automático, vai sair o recurso da conta do pai para a conta da mãe todo mês no dia e horário certinho, independente se o pai é empresário, autônomo, CLT ou não.”
Tabata disse que o Conselho Nacional de Justiça e o Banco Central participam da preparação para a entrada do sistema em funcionamento. A intenção é evitar que a falta de saldo em uma conta específica seja suficiente para impedir a cobrança determinada judicialmente.
Para a deputada, o modelo pode reduzir uma rotina de processos, atrasos e cobranças que hoje recai principalmente sobre mulheres responsáveis pelos filhos.
Escolas cívico-militares não convencem deputada
Ao falar de educação, principal área de atuação política de Tabata, Heródoto perguntou sobre a expansão das escolas cívico-militares no estado de São Paulo.
A deputada rejeitou o debate apenas pelo campo ideológico e disse que seu critério é mais simples: verificar se o modelo melhora efetivamente a aprendizagem.
“Se a gente olha para a escola cívico-militar e a escola regular e olha pros resultados, a escola cívico-militar não tem resultados melhores do ponto de vista do aprendizado, só que elas são mais caras.”
A alternativa defendida por Tabata é ampliar escolas de tempo integral com atividades que vão além do currículo tradicional, incluindo esporte, teatro, segunda língua e projetos de vida.
Ela citou experiências de outros estados para argumentar que existem políticas educacionais brasileiras que já apresentam bons resultados e poderiam servir como referência.
Formação dos professores entra no centro do problema
A qualidade do professor também ocupou boa parte da conversa, mas Tabata evitou responsabilizar individualmente os profissionais pelas dificuldades da educação básica.
Para ela, o problema começa na forma como o Brasil seleciona, forma e valoriza quem entra na carreira docente.
“O Brasil fez uma loucura nos últimos anos, que foi permitir que a maioria dos seus professores fossem formados por EAD (Ensino à Distância), por universidades privadas de baixa qualidade.”
Tabata defendeu uma participação maior do Ministério da Educação na formação docente, incluindo cobrança sobre a qualidade das universidades, incentivo para que alunos de bom desempenho escolham a carreira e maior presença da formação prática.
“Culpar os professores não tem como, porque estão lá sofrendo violência, sendo atacados. Esse é um Brasil que não valoriza professores.”
Novo Plano Nacional de Educação terá cobrança por resultado
Maira Di Giaimo questionou a deputada sobre o novo Plano Nacional de Educação e o risco de repetir o problema do plano anterior: metas ambiciosas que não se traduzem necessariamente em resultados.
Tabata, que participou diretamente da elaboração do novo texto, disse que desta vez a preocupação foi criar mecanismos periódicos de avaliação e responsabilização.
A proposta prevê acompanhamento das metas a cada dois anos. Municípios que apresentarem avanços poderão ter acesso a incentivos; aqueles que retrocederem poderão encontrar restrições para determinadas transferências federais.
“Eu gastei 10% da minha energia nas metas. 90% foi fazer com que a gente tivesse mecanismos para penalizar quem não investe em educação.”
A deputada ressaltou que a comparação deverá considerar a evolução de cada município em relação a ele mesmo, e não colocar cidades pobres em disputa direta com municípios de maior renda.
Para ela, esse tipo de consequência é necessário porque a educação costuma aparecer com facilidade nos discursos eleitorais, mas raramente cobra um preço político de quem apresenta resultados ruins. “Se a gente não gerar algum custo, educação é sempre discurso, mas nunca é prática.”
Mais sobre dinheiro público na sabatina
Tabata afirmou que parte do problema do Congresso está na pouca atenção dada pelo eleitor às eleições proporcionais. Segundo ela, muita gente pesquisa candidatos à Presidência ou aos governos estaduais, mas chega à urna sem conhecer a atuação de quem vai escolher para deputado. A candidata fez então um apelo para que o voto ao Legislativo receba mais atenção.
“Deputado ganha muito bem. É para fiscalizar, é para denunciar, é para aprovar projeto de lei.” E concluiu lembrando que a composição do Congresso não surge por acaso.
“A gente passa essa eleição e depois reclama: ‘Olha só esse Congresso’. Quem é que elegeu esse Congresso? Foi a gente, foi o povo.”
A entrevista com Tabata Amaral integra a série do Portal THMais e Jornal Novabrasil SP com candidatos a deputado federal por São Paulo.

