Anabolizantes: o risco escondido por trás do “só um ciclo”

“Só vou fazer um ciclo e parar.”
“Só um ciclinho não dá nada.”
“Quero ganhar só um pouco de massa e depois largo.”
“Com meu amigo deu certo.”
“Minha dose é baixa.”
“Chip da beleza não tem risco.”

Essas frases parecem inofensivas, mas são muito comuns em academias, consultórios e redes sociais.

O problema é que, por trás da promessa de ganhar massa rápido, secar ou melhorar a performance, pode existir um risco importante para a saúde.

Anabolizantes são substâncias derivadas da testosterona ou com efeito parecido ao dos hormônios masculinos.

Muita gente nem sabe o que está tomando e aqui vale um alerta: Durateston, trembolona, oxandrolona, nandrolona, estanozolol, boldenona, GH, SARMs, clenbuterol, “boosters hormonais” manipulados e o famoso “chip da beleza” com gestrinona também entram nessa lista.

Outro alerta é o uso de insulina como “anabolizante” por pessoas sem diabetes. A insulina é um medicamento fundamental no tratamento do diabetes e salva vidas quando usada corretamente. Mas seu uso inadequado para ganho de massa muscular é extremamente perigoso e pode causar hipoglicemia grave, com tremores, suor frio, confusão mental, desmaio, convulsões, coma e até morte.

Muitas vezes, esses produtos são usados sem indicação adequada, sem controle laboratorial e em combinações perigosas.

Quais são os riscos?

No coração, os efeitos podem ser graves.

O uso de anabolizantes pode aumentar a pressão arterial, piorar o colesterol, reduzir o HDL “bom”, aumentar o LDL “ruim” e favorecer arritmias, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral, o chamado “derrame”, e até morte súbita.

E isso pode acontecer até em pessoas jovens e aparentemente saudáveis.

Os riscos também podem aparecer no fígado, na pele, nos hormônios e na fertilidade.

Podem ocorrer hepatite medicamentosa, tumores no fígado, acne, queda de cabelo, estrias e alterações hormonais importantes.

Nos homens, pode haver infertilidade e redução dos testículos.

Nas mulheres, podem aparecer aumento de pelos, engrossamento da voz, queda de cabelo e alterações menstruais. Alguns efeitos podem ser irreversíveis.

Irritabilidade, agressividade, ansiedade, alteração de humor, depressão e dependência psicológica também são descritas em quem usa essas substâncias.

Ou seja, não é apenas uma questão estética. O impacto pode ser no corpo inteiro.

Fórmulas manipuladas podem esconder uma bomba

Outro ponto que preocupa é o uso de fórmulas manipuladas cheias de combinações.

Às vezes, junto com os hormônios, entram remédios para tentar “segurar” os efeitos colaterais: estatina para colesterol, remédio para pressão, remédio para impotência, remédio para ansiedade ou insônia.

O paciente muitas vezes nem entende o que está tomando.

O que dizem as sociedades médicas e a Anvisa?

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia já se posicionou contra o uso inadequado de implantes hormonais, como a gestrinona, conhecida como “chip da beleza”, para fins estéticos.

A Associação Brasileira de Nutrologia também reforça que hormônio precisa ter indicação médica real, com diagnóstico clínico e laboratorial. Não deve ser usado como estratégia para melhorar aparência ou desempenho físico.

O Conselho Federal de Medicina proíbe a prescrição de esteroides androgênicos e anabolizantes para fins estéticos, ganho de massa muscular ou melhora de desempenho esportivo.

A Anvisa também vem aumentando o controle sobre os implantes hormonais manipulados e alerta que esses produtos não têm aprovação para finalidades estéticas, como emagrecimento, ganho de massa ou melhora de performance.

A mensagem é simples: anabolizante não é suplemento. Hormônio não é tratamento estético. E “chip da beleza” não é livre de risco.

Ganhar massa, melhorar o corpo e cuidar da saúde exige tempo, treino adequado, alimentação, sono e acompanhamento sério.

O atalho pode parecer tentador, mas o preço pode ser alto.

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