Artrose no joelho cresce entre adultos ativos e impulsiona tratamentos menos invasivos

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Dor ao subir escadas, rigidez ao levantar da cama e incômodo persistente depois de exercícios têm levado mais pessoas aos consultórios com queixas no joelho. Um dos diagnósticos mais comuns por trás desses sintomas é a artrose, condição que vem deixando de ser vista como um problema restrito à terceira idade.

O ortopedista Pedro Debieux Vargas Silva afirma que a procura por avaliação tem aumentado entre adultos de meia-idade e até pessoas fisicamente ativas. “O mais importante é abandonar a ideia de que sentir dor no joelho faz parte normal do envelhecimento”, alerta.

A artrose é um desgaste progressivo da cartilagem — estrutura que ajuda a amortecer impactos e facilitar o movimento da articulação. Com o tempo, podem surgir inflamação, alterações nos ossos e perda gradual da função do joelho, o que limita tarefas do dia a dia.

Dados da Organização Mundial da Saúde colocam a osteoartrite entre as principais causas de incapacidade no mundo. O joelho está entre as articulações mais afetadas, em parte por suportar grande parte do peso corporal ao longo da vida.

Apesar disso, ainda é comum adiar a investigação dos sintomas. O problema, segundo especialistas, é que a demora pode acelerar a perda de mobilidade e aumentar o impacto da doença na qualidade de vida.

Por que a artrose aparece mais cedo

O envelhecimento segue como um dos principais fatores de risco, mas outros elementos ajudam a explicar o avanço dos casos em pessoas mais jovens. Entre eles estão lesões antigas — como ruptura de menisco e problemas ligamentares — e o impacto repetitivo sobre os joelhos ao longo dos anos.

O excesso de peso também pesa no cenário. Cada quilo a mais aumenta a carga sobre a articulação, favorecendo inflamação e acelerando o desgaste. Soma-se a isso uma população que vive mais tempo e tenta manter rotina ativa, o que prolonga o período de convivência com dores crônicas quando não há orientação e tratamento.

Quando a dor afeta a vida além da caminhada

Os efeitos da artrose costumam ir além do incômodo ao andar. Com a progressão da doença, atividades simples, como levantar da cadeira, entrar no carro, permanecer muito tempo em pé ou praticar exercícios, podem se tornar um desafio.

Há ainda um efeito em cadeia: por medo de sentir dor, muitas pessoas reduzem a atividade física, perdem massa muscular, ganham peso e pioram a estabilidade do joelho — o que pode intensificar as limitações.

O impacto também pode ser emocional e social. Estudos citados por entidades médicas internacionais apontam associação entre dor articular crônica e piora do sono, ansiedade e redução da qualidade de vida.

Nesse contexto, o diagnóstico precoce ganha papel central. Identificar a artrose nas fases iniciais permite adotar estratégias para reduzir inflamação, preservar movimentos e retardar a evolução do desgaste. “Hoje, sabe-se que manter o paciente em movimento, de maneira orientada e segura, é parte fundamental do tratamento”, destaca Pedro Debieux Vargas Silva.

Foto: Freepik.

Tratamentos buscam preservar a articulação pelo maior tempo possível

Nos últimos anos, a abordagem mudou: a ideia de que só existiam duas alternativas — conviver com a dor ou partir direto para uma prótese — vem perdendo espaço. Cresce a procura por opções menos invasivas voltadas ao controle dos sintomas e à melhora da função.

De acordo com o estágio da doença, o plano de cuidado pode incluir:

  • · fisioterapia e fortalecimento muscular;
  • · controle de peso e atividade física orientada;
  • · palmilhas específicas em casos selecionados;
  • · medicamentos para alívio de sintomas;
  • · infiltrações intra-articulares, quando indicadas;
  • · terapias regenerativas, que ainda estão em estudo e em evolução.

O fortalecimento dos músculos ao redor do joelho é um dos pilares por ajudar a reduzir a sobrecarga e melhorar estabilidade e mobilidade. Já as infiltrações evoluíram e podem ser consideradas em casos selecionados, com objetivo de aliviar a dor e melhorar a função.

Especialistas ressaltam que não existe uma solução capaz de “parar” completamente o envelhecimento das articulações. A meta, na prática, é controlar a dor, preservar o movimento e adiar ao máximo a necessidade de cirurgia.

A prótese de joelho continua sendo uma alternativa importante nos casos avançados, mas a tendência é tentar prolongar a vida útil da articulação natural com diagnóstico cedo e tratamento individualizado.

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