Colesterol alto: 8 coisas que todo mundo deveria saber

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Quando falamos em colesterol alto, muita gente ainda relaciona o problema diretamente à alimentação, ao excesso de peso e ao risco de infarto. Mas há outras informações importantes que precisam ser conhecidas. No Dia Nacional de Combate ao Colesterol, reuni algumas das orientações que mais explico aos meus pacientes no consultório.

Colesterol alto não dá sintomas

Na maioria das vezes, o colesterol alto não dói, não causa falta de ar e não dá qualquer sinal. Costuma ser descoberto em exames de rotina ou, infelizmente, depois de um infarto ou AVC (acidente vascular cerebral). Por isso, esperar algum sintoma para começar a se preocupar com o colesterol pode significar perder uma importante oportunidade de prevenção.

Nem todo colesterol alto é culpa da alimentação

Alimentação saudável, atividade física, controle do peso e não fumar são fundamentais para a saúde cardiovascular, mas nem sempre são suficientes para controlar o colesterol. A genética pode estar por trás de níveis elevados de LDL, como acontece na hipercolesterolemia familiar, uma condição hereditária associada a maior risco de doença cardiovascular precoce.

Um LDL acima de 190 mg/dL merece atenção, principalmente quando existem familiares com colesterol muito alto ou história de infarto precoce. Nesses casos, é importante investigar se existe um componente genético.

Não adianta olhar apenas o valor de referência do laboratório

É muito comum o paciente abrir o exame, olhar o valor de referência e concluir sozinho se o resultado está bom ou ruim. O problema é que não existe uma única meta de colesterol para todo mundo.

A meta de LDL depende do risco cardiovascular de cada pessoa. Quem já teve infarto ou AVC ou apresenta determinadas condições de alto risco pode precisar manter níveis de LDL muito mais baixos. Por outro lado, nem todo mundo com colesterol elevado necessariamente precisa de medicação. A decisão deve considerar o conjunto de fatores de risco e a história de cada paciente.

Foto: Montagem Novabrasil.

Você já dosou a Lipoproteína(a)?

Além do colesterol total, LDL, HDL e triglicérides, outros exames podem ajudar na avaliação do risco cardiovascular. Um deles é a Lipoproteína(a), ou Lp(a), determinada principalmente pela genética e cuja dosagem é recomendada pelo menos uma vez na vida adulta.

A Apolipoproteína B, ou ApoB, também pode ser útil em algumas situações, pois ajuda a estimar a quantidade de partículas aterogênicas circulantes. São informações que, quando bem indicadas, complementam a avaliação do paciente.

Cuidado com as fake news sobre estatinas

“Estatina causa demência” é uma frase que ainda escuto no consultório, muitas vezes depois que o paciente assistiu a algum vídeo nas redes sociais. As evidências científicas não mostram que o uso de estatinas cause demência.

As estatinas estão entre os medicamentos mais estudados da Cardiologia e têm décadas de evidências demonstrando redução do risco de infarto e AVC. Como qualquer medicamento, podem apresentar efeitos adversos e precisam ser prescritas de forma adequada, mas não se deve interromper um tratamento por conta própria com base em informações sem respaldo científico encontradas na internet.

Estatina não é o único tratamento para colesterol

O tratamento do colesterol evoluiu muito nos últimos anos. As estatinas continuam sendo a primeira escolha na maioria das situações, mas hoje também contamos com outras opções, como ezetimiba, ácido bempedoico e medicamentos que atuam sobre a PCSK9.

Dependendo do risco cardiovascular e da meta de LDL, um único medicamento pode ser suficiente ou pode ser necessário associar diferentes tratamentos. A escolha deve ser individualizada.

Colesterol alto não leva apenas a infarto e AVC

O excesso de colesterol participa da formação das placas de aterosclerose, uma doença que não acontece apenas nas artérias do coração. A aterosclerose é difusa e pode comprometer diferentes territórios do organismo.

Quando atinge as carótidas e as artérias cerebrais, aumenta o risco de AVC. Nas artérias renais, pode estar relacionada à hipertensão de difícil controle e ao comprometimento da função renal. Nas pernas, pode causar doença arterial periférica, com dor ao caminhar, a chamada claudicação intermitente, e, em casos mais avançados, úlceras e risco de amputação.

A disfunção erétil também pode estar relacionada à doença vascular e, em alguns homens, pode ser uma manifestação precoce de aterosclerose. Por isso, quando encontramos doença aterosclerótica em um território, é importante lembrar que outras artérias também podem estar comprometidas.

A prevenção começa antes do primeiro infarto

O colesterol elevado pode permanecer silencioso durante muitos anos, enquanto a aterosclerose progride. É justamente nesse período que temos a oportunidade de identificar o risco e agir antes que aconteça um evento cardiovascular.

Conhecer seus níveis de colesterol, saber a sua história familiar, entender o seu risco cardiovascular e tratar quando houver indicação são medidas importantes para prevenir infarto, AVC e outras manifestações da aterosclerose. Não é preciso esperar aparecer um sintoma para começar a cuidar das suas artérias

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