Os álbuns gravados por Bibi Ferreira

Bibi Ferreira é um dos maiores nomes do teatro brasileiro de todos os tempos. Atriz, diretora, apresentadora, cantora e compositora, ela fez história também na música, não só no teatro musical, mas também interpretando grandes sucessos em mais de 10 álbuns lançados ao longo de sua trajetória.

Hoje, vamos conhecer mais da obra e da vida dessa grande artista, trazendo foco para os discos musicais gravados por Bibi Ferreira.

Mais sobre Bibi Ferreira

Filha do ator brasileiro Procópio Ferreira e da bailarina espanhola Aída Izquierdo, neta de  artistas de circo e bisneta de cantor lírico, Bibi Ferreira fez sua estreia teatral com pouco mais de vinte dias de vida, no início dos anos 20, na peça “Manhãs de Sol”, de autoria de Oduvaldo Vianna, substituindo uma boneca que desapareceu pouco antes do início do espetáculo.

Logo depois desse fato curioso, seus pais se separaram e Bibi passou a viver com a mãe, que foi trabalhar na Companhia Velasco, uma companhia de teatro de revista espanhola. Seu primeiro idioma, até os quatro anos, foi o espanhol. O idioma português e o grande amor pela ópera ela aprendeu com o pai, pouco depois. 

De volta ao Brasil com sete anos e morando com o pai, tornou-se a atriz mirim mais festejada do Rio de Janeiro. Entrou para o Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde permaneceu por um longo período, até estrear na companhia do pai. 

Apaixonada por música desde muito cedo, Bibi aprendeu piano (seu professor de piano percebeu então que a jovem aluna tinha o chamado “ouvido absoluto”) e violino e quase tornou-se maestrina. 

Ainda criança, adaptava letras de composições de Noel Rosa e Lamartine Babo a melodias de óperas de Verdi e Rossini, entre outros. A experiência seria utilizada por ela muitos anos mais tarde ao compor a “Operabrás”, mesclando letras de Dorival Caymmi e Lamartine Babo a músicas de Rossini e Gounod.

Bibi Ferreira no início da carreira | Imagem: Reprodução

Em 1936, com apenas 15 anos de idade, Bibi Ferreira foi convidada para integrar o elenco do filme “Cidade Mulher”, de Humberto Mauro, onde cantou o samba “Na Bahia”, parceria de Noel Rosa e José Maria de Abreu. 

Sua estreia profissional nos palcos aconteceu em em 1941, quando interpretou Mirandolina, na peça “La Locandiera”. Seu talento já indicava o êxito que sua prestigiada carreira de atriz viria a ter em poucos anos.

Em 1944, Bibi Ferreira montou sua própria companhia teatral, reunindo alguns dos nomes mais importantes do teatro brasileiro, como Cacilda Becker, Maria Della Costa e a diretora Henriette Morineau. 

Em 1950, ao estrear um musical no Teatro Carlos Gomes, “Escândalos”, foi surpreendida por um incêndio que danificou o teatro e todos os figurinos e cenários de sua companhia, deixando-a com grandes dívidas que se arrastaram por cerca de cinco anos. 

Pouco depois, Bibi foi para Portugal, onde dirigiu peças durante quase quatro anos, com grande sucesso, de 1957 até 1960, quando retornou ao Brasil, participando do espetáculo “Festival” , dirigido por Carlos Machado. Ao lado de Grande Otelo e grande elenco, a atriz brilhou, sendo aplaudida de pé, principalmente quando cantou “Muié Rendera” em seis idiomas, mostrando suas qualidades de comediante.

Uma carreira consolidada

Em 1963, Bibi Ferreira estrelou com sucesso o musical “Minha Querida Lady”, adaptação de “My Fair Lady”, ao lado de Paulo Autran. Em 1965, atuou no musical “Alô, Dolly”, versão brasileira de “Hello, Dolly”.

Em sua passagem pela televisão brasileira, Bibi comandou o programa “Brasil  60”, um programa ao vivoque inaugurou a TV Excelsior e que durante dois anos levou à televisão os maiores nomes do teatro  (“Brasil  61”,  “Brasil  62” e“Brasil  63”). Também comandou “Bibi sempre aos domingos” e atuou no Tele Teatro. 

Na TV Tupi, apresentou: “Bibi Especial”, “Festival do Carnaval” e “Bibi ao Vivo”, além do “Curso de Alfabetização para Adultos”, pelo qual recebeu o prêmio  de “Melhor Comunicadora”, no grande Festival Internacional da Cultura, em Tóquio. 

Bibi Ferreira também dirigiu muitos shows de artistas da música popular brasileira, como Maria Bethânia e Clara Nunes.

Em 1970, assinou a direção de um importante espetáculo, “Brasileiro; Profissão: Esperança”, que levou para os palcos a música de Antônio Maria e Dolores Duran, em show encenado primeiramente com o atorÍtalo Rossi e a cantora Maria Bethânia

Em 1972, Bibi atuou em “O Homem de La Mancha”, também ao lado de Paulo Autran, com tradução de Paulo Pontes eFlávio Rangel, e versões de Chico Buarque e Ruy Guerra para as canções. Em 1975, estrelou a peça “Gota d’Água”, uma adaptação de Chico Buarque e Paulo Pontes para a tragédia grega “Medéia”, de Eurípedes

Em 1976, dirigiu Walmor Chagas, Marília Pêra, Marco Nanini e mais 50 artistas na peça “Deus Lhe Pague”, de Joracy Camargo.

No mesmo ano, o musical “Brasileiro: Profissão: Esperança” voltou ao cartaz novamente com direção sua, e com o ator Paulo Gracindo e a cantora Clara Nunes nos papéis principais.

Pelo final da década de 1970, Bibi Ferreira voltou à TV Globo comandando um especial com seu nome durante cerca de dois anos.

Na década de 1980, dirigiu de textos comerciais a peças de dramaturgia sofisticada, de musicais de grande porte a dramas intimistas. Em 1983, voltou aos palcos com “Piaf, a Vida de uma Estrela da Canção”, espetáculo de grande sucesso de público e crítica sobre a vida da cantora francesa. Por sua atuação recebeu prêmios importantes como Mambembe, Molière e a Comenda da Ordem e do Mérito das Artes da França. 

O espetáculo virou disco, fez muitas turnês, permaneceu seis anos em cartaz e, em quatro anos, atingiu um milhão de espectadores, incluindo uma temporada em Portugal, com atores portugueses no elenco. 

Em 1995, seu show “Bibi in concert II”, que comemorava os seus 50 anos de carreira, atraiu tanta gente em São Paulo que precisou da ajuda do batalhão de choque da Polícia Militar para conter a multidão que queria assisti-la. Em 1998, a artista remontou o espetáculo“Brasileiro: Profissão: Esperança”, só que com ela mesma atuando, ao lado do ator Gracindo Jr. O espetáculo também virou álbum.

Em 1999, dirigiu pela primeira vez uma ópera, “Carmen de Georges Bizet”. Em 2000, apresentou o espetáculo “Bibi canta e conta Piaf” e em 2003, foi enredo da Escola de Samba Unidos da Viradouro no carnaval.

Bibi Ferreira é um dos maiores nomes do teatro brasileiro de todos os tempos | Imagem: William Aguiar/Divulgação

Na década de 2010, Bibi começou a realizar espetáculos focados em apenas um artista, como – além de Edith Piaf – a portuguesa Amália Rodrigues, e o americano Frank Sinatra.

Ao longo dos anos que se seguiram, Bibi Ferreira seguiu atuando, se apresentando e dirigindo em diversos espetáculos. Em 2015, entrou para a lista 10 Grandes Mulheres que Marcaram a História do Rio

Em 2017, aos 95 anos fez sua turnê de despedida com “Bibi – Por Toda Minha Vida”, espetáculo só com músicas brasileiras. Em 2018, anunciou sua aposentadoria após 77 anos de carreira artística. A artista faleceu em fevereiro de 2019, aos 96 anos.

Álbuns musicais lançados por Bibi Ferreira

1 – Histórias da Tia Bibi (1956)

Em 1953, a Bibi Ferreira gravou – pela gravadora Odeon três discos de 78 rotações por minutos, interpretando contos infantis, ao lado da Orquestra de Osvaldo Borba. Alguns desses contos musicados entraram para o álbum “Histórias da Tia Bibi”, de 1956.

2 – Bibi Ferreira em Pessoa (1961)

Em 1961, a artista gravou pela Philips aquele que foi oficialmente o seu primeiro LP: “Bibi Ferreira em Pessoa”. 

O álbum traz alguns sucessos em sua voz, como a tradicional “Mulher Rendeira”; Maracangalha (de Dorival Caymmi) e uma composição da própria Bibi, chamada “Cruzeiro”. 

3 – Minha Querida Lady (1964)

Em 1963, Bibi Ferreira estrelou com sucesso o musical “Minha Querida Lady”, adaptação de“My Fair Lady”, ao lado de Paulo Autran. Lançado pela CBS, o LP com músicas da peça vertidas para o português por Victor Berbara, de 1964, trazia o sucesso “Eu dançaria assim”, versão de “I could dance all night” (de F. Loewe). 

4 – Alô, Dolly (1965)

Em 1965, Bibi atuou no musical “Alô, Dolly”, versão brasileira de “Hello, Dolly”, cujo LP com as músicas foi lançado no mesmo ano pela CBS.

5 – Gota d’Água (1977)

Em 1977 foi lançado o álbum da peça “Gota d’Água”, uma adaptação de Chico Buarque e Paulo Pontes. Algumas canções, compostas por Chico tornaram-se clássicos na interpretação da atriz, como “Gota d’água” e“Bem-querer”. 

6 – Piaf (1983)

Em 1983 o famoso espetáculo “Piaf, a Vida de uma Estrela da Canção”, em que Bibi Ferreira interpretava a cantora francesa, virou álbum também, com os principais sucessos de Piaf na voz de Bibi.

7 – Brasileiro: Profissão: Esperança (1998)

Em 1998, a artista remontou o espetáculo“Brasileiro: Profissão: Esperança”, que dirigia desde 1970 – com músicas de Antônio Maria e Dolores Duran – só que dessa vez com ela mesma atuando, ao lado do ator Gracindo Jr. O espetáculo também virou álbum.

8 – Bibi Canta Piaf (2004)

Em 2004, o selo Biscoito Fino lançou o CD e o DVD do show “Bibi Canta Piaf”, no qual a artista também interpreta Edith Piaf, gravado ao vivo no Teatro Maison de France, no RJ.

9 – Tango (2006)

Em 2006, a artista gravou com o pianista Miguel Proença o CD “Tango”, produzido por Olívia Hime, no qual interpreta clássicos do gênero. A dupla foi premiada do Prêmio Tim de Música com o troféu na categoria “Disco em Língua Estrangeira”.

10 – Bibi Ferreira Brasileira, Uma Suíte Amorosa (2011)

Também pela Biscoito Fino, Bibi lançou em 2011 o álbum “Bibi Ferreira Brasileira, Uma Suíte Amorosa”, em que – acompanhada do piano de Francis Hime – interpreta clássicos da música popular brasileira como:

  • Eu Sei Que Vou Te Amar (Tom Jobim e Vinicius de Moraes)
  • Nem Eu ( Dorival Caymmi )
  • Todo Amor Que Houver Nessa Vida (Roberto Frejat e Cazuza )
  • Vambora (Adriana Calcanhotto)

11 – Natal em Família (2012)

Em 2012, foi a vez do álbum “Natal em Família”, em que a grande atriz e cantora interpreta clássicos natalinos como “Sinos de Belém” (“Jingle Bells” com adaptação de Evaldo Ruy) e “Um Novo Tempo” (Marcos Valle, Paulo Sérgio Valle e Nelson Motta), com a participação de nomes como Alcione e Emílio Santiago.

12 – Histórias e Canções (2017)

“Histórias e Canções” é um dos espetáculos mais emblemáticos da grandiosa carreira da diva do teatro musical brasileiro. Lançado em comemoração aos seus 90 anos de idade, em 2012, o show celebrava suas quase oito décadas de trajetória artística e foi registrado em CD e DVD pela gravadora Biscoito Fino e lançado em 2017. 

O espetáculo conta com um repertório eclético, cantado em diversos idiomas, misturando clássicos do teatro musical americano, ópera, fado, tango e a nata da Música Popular Brasileira.

Entre uma música e outra, Bibi Ferreira compartilhava com o público histórias marcantes de sua vida, bastidores de grandes espetáculos e suas memórias afetivas.

A gravação aconteceu no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, com Bibi acompanhada pela Orquestra Sinfônica de Minas Gerais.

13 – Bibi Canta Sinatra (2019)

Em 2019, ano de falecimento da artista, a Biscoito Fino lançou um álbum somente com Bibi Ferreira interpretando sucessos de Frank Sinatra.

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